terça-feira, 13 de agosto de 2019

Chile 1 x 1 Brasil - Em 1989, uma verdadeira guerra em Santiago

Por Victor de Andrade

O bizarro lance dos chilenos empurrando Tafarell. O jogo em Santiago foi uma verdadeira guerra

Quando se fala em Eliminatórias da Copa do Mundo de 1990, todos que viveram aquele momento, em 1989, lembra do famoso jogo do Brasil contra o Chile, no Maracanã, e o caso da Rosenery, a Fogueteira, e o auto-corte do supercílio do goleiro Rojas. Porém, o que poucos recordam é que o clima no Rio de Janeiro foi deste jeito porque o jogo do primeiro turno entre as duas seleções, realizado em 13 de agosto de 1989, no Estádio Nacional, em Santiago, foi uma verdadeira guerra.

Na verdade, esta rivalidade já vinha desde a Copa América de 1987, realizada na Argentina, onde o Chile aplicou sonoros 4 a 0 na Seleção Brasileira, que na época era dirigida por Carlos Alberto Silva. O troco do time Canarinho veio nos Jogos Pan-Americanos do mesmo ano, em Indianapolis, nos Estados Unidos, vencendo a final contra os chilenos, por 2 a 0, na prorrogação, e conquistando o Ouro, em um jogo muito catimbado, sendo que as duas seleções se enfrentaram na primeira fase, empate em 0 a 0, e houve um verdadeiro quebra-pau no túnel para os vestiários (a regra do futebol olímpico nos anos 80 era diferente e ambos os times eram bem fortes, com muitos jogadores das equipes principais).

Então, quando o sorteio apontou que Brasil e Chile, além da Venezuela, estavam no mesmo grupo, o 3, já era esperado que o confronto entre os dois seriam catimbados e com boa probabilidade de brigas. Mas antes, do confronto em Santiago, tanto brasileiros como chilenos enfrentaram os venezuelanos em Caracas, com ambos vencendo por 4 a 0 e 3 a 1, respectivamente.

Chegando o 13 de agosto de 1989, o clima era quente e pesado no Estádio Nacional. Antes do jogo começar, Romário já estava discutindo e empurrando jogadores chilenos, que respondiam da mesma forma. Só foi a bola rolar que a discussão continuou e o Baixinho acabou sendo expulso com 3 minutos de jogo, em uma agressão que a transmissão de TV não pegou, deixando o time de Lazaroni com um a menos. O Brasil também perdeu Branco, após uma entrada desleal de Ormeño, que estava tão violento na partida que acabou sendo expulso também. Jorginho substituiu o lateral-esquerdo, com Mazinho, que foi titular, sendo deslocado.

Depois de um primeiro tempo truncado e violento, no segundo tempo o Brasil voltou melhor, começou a criar jogadas e abriu o marcador aos 10 minutos, em um lance que demonstrou habilidade brasileira e bizarrice dos chilenos. Mazinho fez uma bela jogada pela esquerda e cruzou na área. Bebeto chegou atrasado, mas Astengo foi tentar fazer o corte, acabou acertando o companheiro Gonzales e a bola foi parar no fundo das redes: 1 a 0 para o time canarinho.

Melhores momentos da partida

Atrás no marcador e atuando diante de seu torcedor, que gritava "CHI CHI CHI, LE, LE, LE! Viva Chile!" e jogava objetos no gramado, os chilenos foram para o tudo ou nada, literalmente! Eram violentos e tentavam fazer um gol a qualquer custo. Teve um lance, em confusão na área do Brasil, Taffarel foi empurrado por vários jogadores chilenos, que tentavam jogar o arqueiro para dentro do gol. Mas nada foi marcado.

De tanto insistirem, o Chile chegou ao empate em um lance também estranho. Aos 38 minutos da etapa final, mas em um lance que a TV não mostrou ao vivo (estava exibindo o replay do lance anterior), o juiz Jesus Diaz Palácios anotou um sobrepasso do goleiro Taffarel e os chilenos bateram rápido para empatar o jogo. Uma decisão questionável, outro gol bizarro e outro momento de ingenuidade brasileira no jogo.

Um dado interessante: toda esta confusão da arbitragem, com lances duvidosos e muita violência, fez com que a Rede Globo contratasse o ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho para ser comentarista. Ele entrou no ar no dia seguinte, no Jornal Nacional, como convidado, explicando o que aconteceu em todos os lances. A repercussão foi tão boa que a direção da emissora resolveu contratá-lo.

Todo este clima em Santiago foi levado depois para o Maracanã, onde antes o Brasil goleou a Venezuela por 6 a 0, em São Paulo, o que fez que a Seleção jogasse pelo empate, já que o Chile "só fez" 5 a 0 na mesma Venezuela, em Mendoza, na Argentina, justamente por punição pelos fatos ocorridos no jogo contra o Brasil em Santiago. No Rio de Janeiro, o time canarinho já ganhava por 1 a 0, gol de Careca, quando o ocorreu o lance da fogueteira e o auto-corte de Rojas. O time chileno abandonou o gramado, a Fifa declarou vitória brasileira por 2 a 0, se classificando para o Mundial, e o goleiro Rojas foi banido do futebol.
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