sexta-feira, 14 de junho de 2019

Uma viagem pela história da Copa América

Por Tiago Cardoso

Brasil conquistou a última Copa América realizada por aqui (foto: Bob Thomaz/Getty Images)

Nesta sexta-feira, dia 14, às 21h30, no Estádio Morumbi, em São Paulo, começa a 46ª edição da Copa América com o jogo entre o anfitrião Brasil e a Bolívia, que conquistou a competição em 1963 e vice em 1997, em dois anos onde sediaram a competição. Aliás, em 1997, os bolivianos perderam o título para os brasileiros em plena La Paz. 

Antes mesmo da sistematização das regras do futebol (Football Association), em 26 de outubro de 1863, numa taberna em Londres, o jogo com bola em terras sul-americanas já acontecia. Era conhecido como o Primatum, desenvolvido e jogado pelos araucanos, povo nativo do Chile.

Foi o gênoves Cristovão Colombo que, em 12 de outubro de 1492, atracou nas Bahamas, pensando ter chegado à Índia, mais tarde corrigido por Américo Vespúcio, o qual disse se tratar de um novo continente, o qual, por tal razão, recebe seu nome.

Entretanto, foi o esporte bretão que arrebatou os corações sul-americanos e no fim século XIX a bola já rolava oficialmente na Argentina e no Uruguai, onde os campeonatos nacionais são disputados desde 1891 e 1900, respectivamente. 

A partir de 1905, Argentina e Uruguai, clássico mais antigo do mundo entre seleções, passaram a duelar pela Lipton Cup, o primeiro campeonato de seleções da história do futebol sul-americano. O Clássico do Rio da Prata como é chamado é disputado desde 20 de julho de 1902, o confronto internacional mais antigo fora das Ilhas Britânicas, o berço do futebol.

Todavia, entre 29 de maio de 1910 e 12 de junho de 1910, disputa-se o primeiro torneio internacional de seleções da América do Sul envolvendo outros países além de Argentina e Uruguai. Em comemoração ao centenário da Revolução de Maio na Argentina, que foi uma série de acontecimentos revolucionários, os quais culminaram na Independência Argentina, em Tucumán, em 09 de julho de 1816, disputou-se Copa Centenario Revolución de Mayo entre a anfitriã Argentina, Uruguai e Chile. Ao final do triangular, a Argentina foi campeã com duas goleadas sobre Chile e Uruguai: 5x1 e 4x1, respectivamente. Importante salientar que em 2010 havia apenas três seleções na América do Sul: seleção argentina, uruguaia e a chilena, criada justamente para disputar o torneio. A Seleção Canarinho, que à época vestia branco, por exemplo, se formou apenas em 1914.

Argentina batendo o Brasil na Copa América de 1957

Em 1914, o presidente argentino Julio Roca instituiu a Copa Roca, a qual foi disputada com interrupções até 1976, retornando em 2011 com o nome de Super Clássico das Américas. Deste modo, estava dado mais um passo para a realização de um torneio que reunisse os países sul-americanos, o que ocorreu em 1916, com o surgimento do Campeonato Sul-americano, atual Copa América, dos quais participaram Argentina, Uruguai, Brasil e Chile.

O torneio foi disputado entre 2 e 17 de julho, na Argentina, em comemoração ao centenário de sua independência. O torneio foi disputado em um quadrangular no qual todos jogavam contra todos. O Uruguai sagrou-se o primeiro campeão ao segurar o empate sem gols com a rival Argentina.

No meio da competição, em 9 de julho de 1916, no dia em que a Independência Argentina completava seu centenário, dirigentes dos países envolvidos resolveram criar a Confederação Sul-americana de Futebol e colocar em prática a ideia do político e jornalista uruguaio Héctor Rivadavia Gómez. A Copa América é o torneio de seleções mais antigo do mundo, sendo sediado pelo Brasil em quatro oportunidades: 1919, 1922, 1949 e 1989. Curiosamente, a Seleção Brasileira venceu todas as edições.

A conquista da Copa América de 1919 (seria realizada em 1918, mas um surto de febre espanhola impediu sua realização) foi a primeira conquista oficial da Seleção Brasileira, ocasião em que precisamos de dois jogos e duas prorrogações para suplantar o poderoso Uruguai, campeão das únicas duas edições do Campeonato Sul-americano até então. O gol do título foi anotado por Friedenreich, o maior artilheiro brasileiro pré-Pelé, para delírio dos torcedores que lotavam as Laranjeiras, casa da Seleção à época.

A Seleção Brasileira, oito vezes campeã do torneio, só venceu uma edição em outro país em 1997, na Bolívia, contras os anfitriões, os quais, nesta sexta-feira, duelarão com a Seleção Brasileira na abertura da Copa América 2019.

Argentina e Equador na Copa América de 1983: jogos ida e volta

Após o título na Bolívia em 1997, a Seleção Brasileira tomou gosto por vitórias em solos estrangeiros, vencendo três das quatro edições seguintes: 1999 no Paraguai, 2004 no Peru e 2007 na Venezuela. Neste período, perdeu somente em 2001, na Colômbia, quando foi eliminado pela Seleção de Honduras nas quartas de final. O torneio foi vencido pelos anfitriões cafeteros, até hoje o solitário título continental da Colômbia.

A Celeste Olimpica, como é conhecida a Seleção Uruguaia em alusão aos icônicos títulos olímpicos de 1924 e 1928, que tornava os charruas os primeiros sul-americanos a vencerem no Velho Continente, é a maior campeã da competição com 15 títulos e sempre entra forte na competição, principalmente por contar com uma dupla de ataque do calibre de Suarez e Cavani e com defensores como Godín e Gimenez.

A Albiceleste, como é conhecida a Seleção Argentina, é a segunda maior campeã do torneio com 14 títulos e vem sedento por um título que não vem desde 1993, o último título oficial dos hermanos. Ademais, a despeito da bagunça generalizada que é o futebol de seu país, conta com Messi, um dos grandes jogadores de sua história.

O Chile levou 99 anos para vencer uma Copa América, mas quando atingiu o topo da América o fez duas vezes seguidas: em 2015, como anfitrião, e no ano seguinte, nos Estados Unidos, no torneio que comemorava o centenário da competição. Caso conquiste a Copa América, o Chile igualará a Argentina, a única tri-campeã da história. Em 1945, 1946 e 1947, a forte Seleção Argentina da década 1940, a qual não pode mostrar seu potencial em copas em razão dos conflitos da Segunda Guerra Mundial e da consequente não realização das copas do mundo de 1942 e 1946, conquistou a taça sob o comando técnico de Guillermo Stábile, artilheiro da primeira edição da Copa do Mundo. Somente outras três seleções do mundo conseguiram conquistar três títulos continentais seguidos: na Ásia, o Irã conquistou de forma consecutiva a copa continental em 1968, 1972 e 1976; na África, o Egito conquistou de forma consecutiva a Copa da África em 2006, 2008 e 2010; por fim, na América do Norte, Central e Caribe, o México conquistou a Copa Ouro, a competição continental da região, nos anos de 1993, 1996 e 1998. A Europa e a Oceania ainda não tiveram tri-campeäes clássicos, ou seja, consecutivos. 

Desde 1993 forasteiros participam da Copa América e neste ano nao será diferente, pois os asiáticos Qatar, que será sede da próxima Copa do Mundo, e o Japão, que já disputou a edição de 1999, exibirão seu futebol nas terras de Simón Bolívar, Artigas e San Martin. Curiosamente, Qatar e Japão são os atuais campeões e vice-campeões asiáticos, respectivamente.

O Chile ganhou as duas últimas edições

Das dez federações afiliadas a CONMEBOL somente Equador e Venezuela não conquistaram alguma vez a Copa América, aliás sequer chegaram à finais. La Tri, como é conhecida a seleção equatoriana, foi duas vezes quarta colocada: em 1959 e em 1993, nas duas ocasiões, sediou a competição. A Venezuela também tem um quarto lugar como seu principal participação, quando surpreendeu e chegou às semifinais em 2011, na Argentina.

A Seleção Peruana possui duas conquistas: em 1939, quando sediou o torneio, e em 1975, quando o torneio não teve sede fixa, algo que se repetiu em 1979 e 1983. A conquista de 1975 coroou a geração de Cubillas, a melhor da história do país. O Paraguai é outro bi-campeão, conquistando o torneio em 1953 e em 1979. 

A Seleção Boliviana, que enfrenta o Brasil no jogo de abertura, possui um solitário e desconhecido título de Copa América. O notável feito ocorreu em 1963 jogando como anfitriã, numa competição que não contou com as seleções do Uruguai, do Chile e da Venezuela. Na aludida edição o Brasil mandou uma seleção alternativa, a qual não contava com nenhum campeão do mundo em 1962, o que não apaga o feito da seleção boliviana. Aliás, o jogo do título boliviano teve o Brasil como adversário, e não faltou gols: Bolívia 5x4 Brasil, no Estádio Hernando Siles, em La Paz, onde voltaram a decidir o torneio 34 anos depois, desta vez com vitoria brasileira.

A Seleção Canarinho, mesmo sem sua principal estrela, é a favorita ao título, pois joga em casa, onde jamais perdeu em competições sul-americanas, e parece estar a frente de seus rivais sul-americanos. Lembrando que Brasil e Uruguai foram os únicos países da América do Sul a alcançarem às quartas de final da Copa do Mundo de 2018, o que é pouco se tratando de uma seleção penta campeã do mundo, entretanto estes fatores elencados e o fato de ter "passeado" nas Eliminatórias credenciam o país à conquista, embora é sempre bom ficar de olho em Argentina, Uruguai e na boa Colômbia, que vem fazendo bons jogos.

Façam suas apostas e desfrutem do mais antigo torneio de seleções do planeta.
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