terça-feira, 5 de março de 2019

O gol de placa de Pelé no Maracanã em 1961

Com informações do Centro de Memória e Estatística do Santos FC
Foto: arquivo O Estado de São Paulo

Pelé, no meio dos jogadores do Fluminense: o gol ficou eternizado!

Hoje a expressão se vulgarizou, mas o primeiro e legítimo Gol de Placa foi batizado assim pelo jornalista Joelmir Beting, um dos quase 40 mil espectadores privilegiados que testemunharam a obra de arte no finzinho do primeiro tempo de um jogo em que o Santos venceu o Fluminense por 3 a 1, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo de 1961.

Era domingo, 5 de março, e o maior estádio do mundo recebia 39.990 torcedores para ver aquele Santos endiabrado, que três dias antes, no Pacaembu, tinha goleado o Vasco por 5 a 1. O jogo era bom e o Alvinegro vencia por 1 a 0, gol precoce de Pelé, quando surgiu a jogada que causou assombro e entusiasmo inusitado entre os presentes.

Das muitas descrições do lance, a mais inspirada é a do jornalista que acabaria dando o nome ao Maracanã. Pernambucano, morador no Rio de Janeiro, Mario Filho Nascimento, ou apenas Mario Filho (Recife, 3 de junho de 1908 – Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1966), assim imortalizou esse momento inesquecível no livro “Viagem em torno de Pelé”:
O Santos vencia por um a zero, o primeiro tempo se aproximava do fim… Foi quando se viu Mengálvio, da área do Santos, passar para Pelé. Pelé estava a cinco passos na frente. Veio andando, os olhos abertos, cutucando a bola. Clóvis foi para cima dele. Pelé passou por Clóvis. Telê colocou-se na frente. Pelé continuou. Chegou a vez de Edmilson, a vez de Jair Marinho. À medida que avançava Pelé alargava os passos. Agora ia para o gol. Não para o gol. Embicou na direção de Pinheiro, à esquerda. Pinheiro ficou esperando Pelé. De repente Pelé virou para o gol. Pinheiro estava a cinco metros dele, esperando. Foi dri blado de longe e caiu. Castilho saía do gol, atirava-se nos pés de Pelé. A bola foi rolando por debaixo de Castilho, em câmara lenta.
Era um gol visto do princípio ao fim, como nunca se vira outro. Então aconteceu uma coisa inédita. A multidão não se levantou. Continuou sentada. Mas prorrompeu em palmas. Não houve um só espectador que não batesse palmas. Era uma ovação de Teatro Municipal. As palmas não paravam aumentando de intensidade. Batia-se palmas olhando para o campo, para Pelé. Pelé ouviu as palmas e olhou para as arquibancadas do Maracanã. Depois levantou o braço e acenou com a mão, agradecendo. Recebia os abraços de Coutinho, de Zito, de Pepe, de Dorval e continuava a escutar as palmas… Correu para o meio de campo, acenando com a mão levantada, agradecendo. Era aquela a homenagem mais bela que recebera…
A placa dada pelo jornalista Joelmir Beting
As palmas só cessaram quando Valdo deu a nova saída. Iam recomeçar logo depois, pois acabava o primeiro tempo e Pelé saía de campo. A diferença é que agora a multidão se pôs de pé para aplaudir Pelé. Quando Pelé desapareceu no túnel, ninguém ficou quieto. A vontade que todo mundo tinha era de se abrir, de compartilhar com alguém a alegria do gol de Pelé. Formavam-se grupos. Gente que não se conhecia tornava-se íntima pelo milagre do gol de Pelé.
Seis dias depois ao Gol de Placa, a vítima seria o Flamengo, goleado por 7 a 1 em um Maracanã com mais de 90 mil pessoas. O Santos vivia um momento irresistível. Só mesmo o cansaço pode explicar a queda da equipe na reta final e a perda do título daquele Rio-São Paulo.
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