terça-feira, 12 de março de 2019

Morre Eurico Miranda, o polêmico ex-presidente do Vasco

Foto: IG

Eurico Miranda era polêmico e suas tramas prejudicaram o futebol brasileiro

Morreu nesta terça-feira, dia 12, Eurico Miranda, polêmico ex-presidente do Vasco da Gama. Aos 74 anos, ele ocupava o cargo de presidente do Conselho de Beneméritos do clube carioca e foi vítima de câncer no cérebro.

Formado em Fisioterapia e Direito, Eurico Ângelo de Oliveira Miranda nasceu em 7 de junho de 1944 na cidade do Rio de Janeiro. Aos 23 anos, em 1967, ingressou nas atividades administrativas do Clube, tornando-se Diretor de Cadastro. Durante a década de 70, participou ativamente da vida política do Clube. Em 1979, ao lado de outros vascaínos de renome na época, formou um grupo de oposição (União Vascaína) ao então Presidente Agathyrno da Silva Gomes. No ano seguinte, com a eleição de Alberto Pires Ribeiro, tornou-se Assessor Especial da Presidência e representante do Clube na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ).

Na década de 80, ganhou notoriedade ao participar ativamente das negociações para a repatriação do ídolo Roberto Dinamite – então no Barcelona. Em 1982 e 1985, concorreu à Presidência da Diretoria Administrativa – ambas as eleições vencidas por Antônio Soares Calçada. Em 1987, a convite do próprio Presidente Calçada, assumiu a Vice-Presidência de Futebol, cargo que deixaria apenas para se tornar Presidente do Clube, em 2001. Foi reeleito em 2004 e 2007. Deixou o cargo em 2008. Em 2014, voltou a ser eleito para o triênio 2014/2017. Em 2018, assumiu a Presidência do Conselho de Beneméritos.

Eurico Miranda era polêmico, suas artimanhas e costuras prejudicaram a organização do futebol brasileiro, todas elas para beneficiar o Vasco da Gama ou algum parceiro político. Teve influência direta em transtornos históricos, como nas definições dos campeões brasileiros de 1987 (a Copa União) e de 2000 (a Copa João Havelange), em episódios históricos. Chegou a conseguir fazer voltar um jogo da Copa Libertadores onde um árbitro uruguaio foi ameaçado por capangas de Pablo Escobar.

Em 2001, a CPI do Futebol descobriu que o dublê de cartola e político usou “laranjas” para receber recursos que saíam da Vasco da Gama Licenciamentos (VGL), mas não teve seu mandato cassado. Seu primeiro ano como presidente foi 2003. No ano seguinte, recebeu uma condenação judicial por agressão a um jornalista depois de não gostar de uma pergunta referente à provocação feita antes da derrota para o rival na decisão do Carioca de 2004.

Durante os quase 14 anos à frente do Departamento de Futebol, contribuiu para a conquista dos títulos da Copa Libertadores (1998), da Copa Mercosul (2000), de três Campeonatos Brasileiros (1989, 1997 e 2000), de um Rio-São Paulo (1999) e de seis Campeonatos Estaduais (1987, 1988, 1992, 1993, 1994 e 1998). Em 1989, assumiu a Diretoria de Futebol da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No mesmo ano, a Seleção Brasileira conquistou a Copa América depois de 40 anos. Foi também de Eurico Miranda a ideia de criar a Copa do Brasil, competição que há muito tempo tornou-se uma das mais importantes do calendário do futebol brasileiro.

Na década de 90, por duas vezes, Eurico Miranda foi eleito deputado federal, ambas pelo então Partido Progressista Brasileiro (PPB), hoje apenas PP, em 1994 e 1998. Ele era um dos três ex-Presidentes da Diretoria Administrativa do Club de Regatas Vasco da Gama vivos – os outros são Antônio Soares Calçada e Roberto Dinamite. Ele deixa esposa (Sylvia Miranda), quatro filhos (Eurico, Álvaro, Mario e Sylvia) e sete netos.
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