terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O autor da maior defesa da história foi para o céu das lendas – Gordon Banks nos deixou

Por Lucas Paes 
Foto: Action Images/Sporting Pictures

A foto após a defesa mais icônica da história. Pelé não acreditava no que via

Copa do Mundo, 1970, Estádio Jalisco, no México. Duelavam Brasil x Inglaterra, a atual campeã do mundo contra o indiscutível melhor plantel do planeta bola. O mágico Brasil canarinho contra um bom time inglês, que tinha entre outros Bobby Charlton e claro, o próprio Banks. O jogo era pela primeira fase mas valia muito, já que praticamente definia quem se classificaria na primeira colocação do grupo, que ainda tinha Romênia e Tchecoslováquia. 

No duelo entre o time que queria provar que não havia perdido a majestade do futebol mundial, não à toa tendo o Rei do esporte bretão e a atual campeã mundial que queria entrar definitivamente no cenário de seleções fortes, quem ofereceu perigo primeiro foram os ingleses. O Brasil sem Gerson, viu a Inglaterra chegar algumas vezes ao gol antes de conseguir ameaçar, curiosamente, na primeira vez que os Canarinhos chegaram, o lance entrou para a história. E não foi com um gol. 

Numa rápida jogada ofensiva, Jairzinho recebeu na ponta destra do ataque e usou de sua velocidade, imparável naqueles tempos para deixar o lateral inglês a ver navios. O Furacão levantou a bola e Pelé, nossa sagrada majestade parou no ar, desafiou a gravidade e cabeceou com a violência selvagem que possuía quando atacava. A bola, violenta, quicou quase em cima de Banks, que nas pontas dos dedos fez a maior defesa de todos os tempos, evitando o que seria o primeiro gol brasileiro. O lance entrou para a história como a “Defesa do Século.”

Pelé, já nos anos 1970, era majestade incontestável do império futebolístico, reinava soberano e poucos ousavam desafiá-lo. Pouquíssimos fariam tal defesa em uma cabeçada desferida de forma tão violenta. O próprio Rei não acreditou, dizendo que Banks parecia um fantasma azul que surgiu do nada para defender. Os ingleses, de defesa competente, conseguiam naquele dia frear o ímpeto brasileiro, de um time que apenas naquele jogo não marcaria três gols no adversário (e apenas naquele jogo faria apenas um). 

O fato é que Banks fez um partidaço. Evitaria depois um gol brasileiro certo em uma saída do gol certeiro. Defendeu também de maneira magistral um chute de Rivelino, em grandíssima jogada do meia brasuca. Não foi capaz de impedir o gol de Jairzinho, em linda jogada do ataque canarinho. O duelo, porém, foi aberto e em nenhum momento os ingleses deixaram de ameaçar o gol brasileiro. A Inglaterra jogou de igual para a igual (e até melhor) com o time que para muitos é o melhor da história das Copas do Mundo.

Melhores momentos do jogo

Banks ganhou naquela defesa a fama mundial que talvez viesse antes. Se fosse nos tempos atuais, jogando numa liga badalada como a Inglesa é, Banks provavelmente já estaria no cartel de melhores goleiros do mundo como unanimidade quando enfrentasse o Brasil. Na época, a “Football League” não era nem de perto famosa como é a Premier League, apesar de haverem boas equipes. Na verdade, pouco depois do título mundial de 1966, Banks esperou uma proposta que nunca veio do Liverpool, absoluto dominante do futebol inglês naquela época. Azar dos Reds. 

A defesa de Banks no torpedo desferido pela cabeça de Pelé é indiscutivelmente a maior da história. Não em nível de dificuldade, não em beleza, mas em significado. O lance é praticamente verbete de dicionário para a expressão “defesa difícil” e vira lenda para qualquer goleiro. O próprio arqueiro inglês não considerava aquela sua melhor defesa, mas não houve qualquer intervenção que tivesse representação, significado e proporção maior que o espetáculo proporcionado por Banks em 1970. 

Infelizmente, neste dia 12 de fevereiro de 2019, o eterno ídolo de Leicester e Stoke City nos deixou. Banks foi muito mais que o goleiro da defesa de Pelé, é um dos maiores na posição da história e todos diziam ser um grande ser humano, um grande exemplo de homem. Se juntará agora a outros, diversos nomes da posição e do esporte que foram jogar em outro plano. Seu legado, porém, jamais será apagado e por isso nós só temos a agradecer.
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