sábado, 26 de janeiro de 2019

Os 100 anos de Valentino Mazzola – O craque que deu o apelido ao brasileiro

Por Lucas Paes

Valentino Mazzola em ação: um dos grandes craques do período de guerras no mundo

Há algum tempo, aqui no Curioso do Futebol, fizemos um texto sobre o brasileiro José Altafini, conhecido como Mazzola, pela semelhança com o craque italiano de mesmo nome. Pois neste domingo, dia 26 de janeiro, o original completaria, se estivesse vivo, 100 anos. Chamado pelo site especializado Calciopédia (antigo Quatrotratti) de personificação do Torino gigante dos anos 1940, Valentino Mazzola era um verdadeiro craque do futebol italiano. Infelizmente, pereceu no acidente de avião que vitimou aquele esquadrão. 

O craque só despertou atenção de times das divisões superiores da Itália em 1941, depois de boa temporada no Venezia, campeão da Copa Itália. No ano seguinte, acabou virando jogador do Torino, onde viraria uma verdadeira lenda do futebol italiano e mundial. Na sua primeira temporada vestindo a camiseta granate foi campeão italiano. Porém, o futebol parou pouco depois na bota, devido ao agravamento da Segunda Guerra Mundial. Valentino era conhecido por sua versatilidade e incrível capacidade para marcar gols de todas as formas. Para título de comparação, a função dele no time do Torino era parecida com a que Cruyff exerceria anos depois, no Ajax e na Holanda. 

Na volta, nada mudou na Itália, Mazzola era o destaque do titã que dominava com facilidade a Itália. Turim, tão acostumada com a Juventus vencedora, via o Torino arrancar suspiros do país e do mundo. Mazzola ajudava o time a conquistar títulos com números incríveis. Na temporada de 1946/1947 Mazzola foi artilheiro da Série A, marcando 29 gols naquele campeonato. Na temporada seguinte, o Torino chegou a impressionantes 29 vitórias em 40 jogos, com direito a incríveis 125 gols marcados. O time transcendia o plano do futebol mortal. 

Por sua vez, a Seleção Italiana, quando jogava, era praticamente inteira representada por jogadores granates. Em 1947, em jogo contra a Hungria, foram 10 jogadores, entre eles, obviamente, estava Mazzola. Um dos maiores episódios da carreira do atacante ocorre num jogo contra a Roma, logo na abertura do Campeonato Italiano de 1947/1948. O Toro perdia para Roma por 1 a 0, Valentino, indignado com os companheiros esbravejou nos vestiários perguntando se eles queriam ver como se jogava futebol. Pois bem, a história foi escrita.

O acidente que vitimou toda a delegação do Torino

Impiedoso, voraz e facínora, como se o próprio touro fosse, como se encarnasse o Minotauro, Mazzola simplesmente carregou os Granatas a uma goleada histórica por 7 a 1 sobre a Roma, que não, não foi pouco. Mazzola, sozinho, marcou três vezes, ajudou seus companheiros, Castigliano, Fabian, por duas vezes e Ferraris II a marcarem os gols da goleada histórica. Aquele time do Torino bateu todos os recordes possíveis. Se fosse na contagem atual, teriam feito 94 pontos. Até hoje ninguém bateu o recorde de 125 gols feitos daquele esquadrão. Na verdade, dificilmente alguém chegará perto de bater. Mazzola sozinho marcou 25 dos 125 gols. 

Na temporada seguinte, Mazzola continuou implacável e seu time caminhava a passos largos para mais um titulo italiano. A Itália sabia que com aqueles jogadores seria quase impossível que alguém segurasse a Azzurra na Copa do Mundo. Porém, após uma derrota em amistoso pedido pelo Lisboa, no dia 4 de maio de 1949, um avião transportando toda a equipe bateu sobre a basílica de Superga. O acidente vitimou toda a equipe. O touro em personificação silenciava, entrava definitivamente na história. 

Mazzola, a personificação do Torino, a figura que representava aquele time, o jogador que talvez teve maior simbiose com uma camisa na história do futebol mundial antes de um certo Pelé fez 118 gols em 195 jogos. Ele não é só o maior jogador da história dos Granata, é algo como se o time tomasse uma personalidade própria, é algo como a instituição encarnada em um homem. Pela eternidade ficaremos imaginando o que seria do futebol europeu caso aqueles craques tivessem mais alguns anos. Teria o Real Madrid seus cinco títulos europeus seguidos? Teria o Brasil mais títulos mundiais que a Itália, provável campeã em 1950 com aquele esquadrão? O destino, voraz como é, deixará as dúvidas para sempre em nossas cabeças. Doloroso porém, deixou a marca de Mazzola na história.
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