quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

PSG – O histórico nada passivo da torcida do “novo rico” europeu

Por Lucas Paes 

A temida Bolougne Boys era um dos principais grupos do PSG (Foto: Le Parisien)

O Paris Saint Germain ganhou destaque nos últimos tempos pela ascensão financeira e esportiva ocorrida no clube, que hoje domina a França e, no Brasil, principalmente, por ser o clube onde joga o astro Neymar. Os parisienses estão na fase final da Liga dos Campeões, onde dependem só de sí para classificar. Porém, antes dos euros, antes da fama e antes da proporção mundial tomada pelo clube, o Paris era um time no máximo mediano, com certa história, mas mediano. Que tinha, porém, uma das melhores torcidas da França. Só que na mesma proporção em que faziam festa, os torcedores do PSG ficaram conhecidos pelos episódios de violência. Vamos conhecer um pouco dessa tensa história dos “ultras” parisienses.

Para entender a história da torcida do PSG é preciso entender a história do clube. O PSG surge da fusão do Paris FC com o Saint Germain Estade. O primeiro clube, porém, acabou voltando a existência após diligências nos primórdios do PSG relacionados a uma recusa do prefeito da cidade de Paris de apoiar um clube de outra cidade (Saint Germain está na região metropolitana e era onde ficava a primeira sede do PSG. A ideia do PSG, porém, era estabelecer um clube que durasse na cidade, já que os outros tradicionais da cidade, viviam tempos de crise. O Racing Paris chegou a se recuperar, mas hoje novamente desapareceu. O Stade de France hoje vive em divisões inferiores e o Red Star Paris também viveu crises, mas hoje até se recuperou e joga a Ligue 2. Há também o Paris FC, que joga a Ligue 2. O PSG surgiu para tentar alguma estabilidade, representando a cidade de Paris e a de Saint Germain. 

Porém, o PSG não conseguia atrair tantos torcedores justamente pela tradição dos outros clubes. Só que a decisão da mudança de preço para ingressos mais baratas no setor atrás do gol, chamado de Bolougne. Muitos jovens mais pobres começaram a se deslocar para o setor e o clube foi atraindo mais torcedores das áreas periféricas de Paris. A área também era frontal ao gol onde o PSG aquecia antes de seus jogos. Neste contexto, vários grupos foram surgindo e na época já se criou uma certa “cultura” de violência. Mas a inspiração para a criação do primeiro grande grupo do PSG veio com finais europeias onde times como o Leeds e o Liverpool jogaram. Inspirados nos barulhentos, exibicionistas e, é claro, violentos torcedores dos Reds, jovens torcedores do Paris criaram a firma KOP Bolougne, que era uma firma hooligan cujo o nome KOP se inspirava no lendário setor de Anfield Road. Mais tarde, esse grupo viraria a temida Bolougne Boys, em 1985. Já reunindo muitos Skinheads, a Bolougne surgiu como uma ultra de extrema-direita, mantendo porém, os comportamentos violentos da época da “firma” KOP Bolougne. 

Criada em 1991, a Supras Auteuil rivalizava com a Bolougne
(Foto: PSGMag)

Em 1991, o Canal + assume o clube e decide enfrentar os diversos problemas que a Bolougne Boys criava com uma solução no mínimo inusitada. Incentivando a formação de grupos na parte conhecida como Auteuil, com correntes onde haviam mais imigrantes e com posicionamentos mais à esquerda. Além disso, enquanto a Bolougne seguia um estilo mais inglês, ainda inspirada na KOP, a Auteuil usava ideias dos ultras italianos. A principal delas era a Supras Auteuil, mas também haviam grupos como a Lutece Falco e a Tigris Mystic. Obviamente, a ideia não deu muito certo e confrontos violentos surgiram nas próprias arquibancadas entre os grupos rivais, além dos episódios de violência aumentarem. As coisas só melhoraram um pouco na segunda metade da década. Mas a rivalidade continuou. Era tão difícil controlar os problemas na própria arquibancada do Parc des Princes quanto os que os torcedores causavam fora de Paris.

Nos anos 2000, houveram momentos de paz e de guerra entre os grupos alinhados a Bolougne e a Auteuil. Foi sob a batuta do presidente do presidente Robin Leproux, no começo da década de 2010 que as coisas mudaram, com um plano de segurança que entre várias medidas acabou por dinamitar a Supras, a Tigris, a Bolougne e todos os grupos ultras do Paris Saint Germain. Apesar de sua saída para a entrada do grupo QSL, que trouxe os “petrodólares” ao clube, o plano manteve-se. O ano de 2010 marcou o fim da era dos ultras no time vermelho e azul de Paris. 

Porém, ao mesmo tempo que ganhou em segurança, o estádio perdeu em ambiente. Além disso, externamente, vários grupos seguiram ativos, surgindo até em alguns jogos fora de casa. Estes grupos se uniram e formaram o Collectif Ultras Paris. O novo grupo negociou diversas vezes até poder voltar ao estádio em 2016. As liberações foram aumentando, e hoje o CUP ocupa praticamente todo o antigo setor da Supras Auteuil. A Supras aliás, tem um certo “zumbi” no grupo Virage Auteuil, que usa várias referências ao ano de 1991, ano de fundação dos Supras. Apesar das sensacionais demonstrações de apoio e festas que a torcida do Paris tem feito, a violência não retornou. 

A Collectif Ultras Paris é a torcida atual do PSG
(Foto: Divulgação)

Hoje os Ultras Paris são responsáveis por trazer uma mudança bem vinda ao até pouco tempo gelado Parc des Princes. Quem tem visto jogos da Liga dos Campeões do PSG nos últimos tempos, nota que há mosaicos bonitos, além de uma cantoria imparável durante os noventa minutos e uma quantidade enorme de bandeiras. Aos poucos, o time parisiense, que tinha sim uma das melhores torcidas europeias no quesito de apoio e festa, recupera esse status, porém, sem lidar com a violência absurda que acontecia antigamente.
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