quinta-feira, 15 de novembro de 2018

104 anos do Jabaquara AC – Um time da teledramaturgia

Por Lucas Paes

Leal Cordeiro (Antônio Fagundes) com a camisa do Jabaquara para o neto em Tempos Modernos

Santos é uma cidade que tem o futebol intrinsecamente ligado à sua cultura, seu nome e sua fama como cidade. Além da obviedade de ser casa do Santos, um dos maiores clubes do Brasil, a cidade é lar da Portuguesa Santista e do Jabaquara, dois outros clubes bastante tradicionais. Neste dia 15 de Novembro, o charmoso e carismático Jabuca completa 104 anos de história, lutas, vitórias e derrotas. 

Um dos mais importantes clubes do futebol paulista, o Jabuca, assim como a Briosa e o Santos foi um dos fundadores da Federação Paulista de Futebol. De grandes campanhas no estadual, revelou o goleiro Gylmar dos Santos Neves, que se tornaria um gigante do futebol brasileiro e cansou de fazer boas campanhas nos anos 1960. Nessa época, acabou criando um de seus torcedores mais fanáticos: o dramaturgo Plínio Marcos, fanático fã do Leão, que frequentou o clube desde a infância. Tal história pode ser conferida no site. 

O carisma rubro-amarelo é tamanho que já ganhou homenagem nas telas da Rede Globo, em uma novela das sete de grande audiência, inclusive. Em 2010, a trama Tempos Modernos, de Bosco Brasil, tinha dois personagens torcedores do Jabaquara: Leal Cordeiro, personagem de Antônio Fagundes, e seu filho Zeca (Thiago Rodrigues). Eles citavam isto em vários momentos da trama.

Cena da novela Tempos Modernos

Em uma cena, Leal Cordeiro e Zeca aparecem em uma cena presenteando a personagem Nara (Priscila Fantim), respectivamente nora e namorada, com a camisa baby do time da Caneleira e comentando alguns feitos do clube, como revelar Gylmar e ganhar o tricampeonato da Taça Grande Café D’Oeste, o que ocorreu com o clube ainda sendo chamado como Hespanha. O detalhe é que no final da cena eles cantam o início hino oficial do clube, que é o seguinte:

♪♫ Vamos cantar-te, Jabuca 
Porque mereces também uma canção 
Por teu passado glorioso, 
Que ainda vibra em nosso coração ♫♪

A Situação é interessante, pois há pouquíssimos registros deste hino em áudio e muito difícil de escutá-lo. O mais popular, que toca, inclusive, nos programas esportivos de TV da Baixada é o seguinte:
♪♫  Avante, avante Jabaquara
Eu quero ver tremular sua bandeira
Avante, avante Jabaquara
Leão gigante lá da Caneleira ♫♪

Para torcedores de times como o Santos, a situação de ser citado em uma novela pode ter pouco significado diante da história e do nome que o Peixe construiu, mas o Jabuca vive martírios muito maiores que seus co-irmãos citadinos, sendo assim, uma citação numa novela da maior rede de televisão do Brasil (e talvez da América Latina) é um feito à ser celebrado. A divulgação do nome é sempre uma ajuda em divisões inferiores. 

Ainda que hoje distante das divisões grandes, vivendo o calvário da Bezinha, o Leão da Caneleira merece respeito pela história que construiu, história que trouxe Plínio Marcos para sua torcida, história de Gylmar, Baltazar, Marcos e Célio, história de luta pela sobrevivência e pela permanência em atividade. Por isso, merece celebração o Leão da Caneleira, time de Hilário, de Plinio Marcos e, é claro, de Leal Cordeiro.
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