terça-feira, 4 de setembro de 2018

O Estádio dos Eucaliptos - A primeira casa do Inter

Com informações do site oficial do Internacional

O Estádio dos Eucaliptos foi a primeira casa do Internacional, desde a década de 20

Abigail, Alfeu, Assis, Ávila, Bodinho, Bráulio, Carlitos, Claudiomiro, Dorinho, Florindo, Gainete, Ivo Winck, Larry, Luisinho, Milton Vergara, Nena, Oreco, Russinho, Sadi, Salvador, Scala, Tesourinha, Tovar, Valdomiro e Villalba. O que esta seleção de craques colorados tem em comum? O Estádio dos Eucaliptos, a primeira casa própria do torcedor alvirrubro, viu todos estes grandes jogadores desfilarem seu talento em seu gramado. Viu defesas fantásticas de Ivo, Vergara e Gainete; viu atacantes à míngua devido à fortaleza defensiva composta por jogadores como Alfeu, Florindo, Nena e Scala; viu ainda jogadas mágicas de Assis, Ávila, Salvador, Dorinho e Tovar; e, claro, também viu gols antológicos saindo dos pés de Bráulio, Carlitos, Larry, Luisinho, Tesourinha e Valdomiro. Porém, toda essa história começou ainda no final dos anos 20.

A Chácara dos Eucaliptos, campo alugado onde o Sport Club Internacional mandava seus jogos e fazia suas reuniões sociais, foi posta à venda no ano de 1928. O Clube, apesar da prioridade para compra, acabou não exercendo seu direito e teve de procurar um novo lugar. A árdua tarefa foi capitaneada pelo seu presidente (e depois Patrono) entre 1930 e 1934, Ildo Meneghetti. Ildo acompanhava o Inter desde 1912 mesmo distanciando-se de Porto Alegre e do Clube após a conclusão de seus estudos, para onde retornou em 1929 convencido a concorrer à presidência.

Eleito, foi o responsável por encontrar e comprar a área onde acabou construído e inaugurado, em 15 de março de 1931, o Estádio dos Eucaliptos, assim nomeado em decorrência do plantio de mudas da árvore trazidas da antiga sede; o estádio ainda seria nomeado mais tarde, oficialmente, como Estádio Ildo Meneghetti.

O estádio, já em ruínas, sendo derrubado de vez

Na nova casa ocorreu o amadurecimento e consolidação regional do Clube. Durante os anos 1930, com a profissionalização do futebol que passava a ocorrer em todo o Brasil, o Inter passou a trazer jogadores oriundos da Liga da Canela Preta (que entrou em decadência em meados dos anos 1920). Estes, por sua vez, fizeram a diferença nos anos seguintes: começava a se formar uma das maiores equipes da história do Inter. O Rolo Compressor, único Hexacampeão Gaúcho até então, que contava com jogadores como Júlio (depois Ivo), Alfeu, Nena, Assis, Ávila, Abigail, Tesourinha, Russinho, Adãozinho e Carlitos, marcou época e foi o responsável por trazer para o lado vermelho a hegemonia em clássicos; desde 1945, ano do Hexa, o Inter não sabe o que é ter menos vitórias que o rival.

Logo depois, nos anos 1950, surgiu o Rolinho, sucessor do Rolo Compressor na senda de vitórias que acompanha o Colorado. Milton Vergara, Florindo, Oreco, Paulinho, Salvador, Odorico, Luisinho, Larry, Bodinho, Carlitos e Canhotinho foram alguns dos craques do Rolinho tetracampeão gaúcho entre 1950 e 1953 – campeão mais uma vez em 1955 - que deram continuidade ao sucesso do Rolo Compressor dos anos 1940.

Na segunda metade da década de 1950, o Inter já era um clube reconhecido pela hegemonia regional: maior número de vitórias em clássicos, mais títulos que o rival. No entanto o Clube queria mais. Queria ter a maior praça esportiva do sul do país. Para isso, iniciou o processo de construção do Gigante da Beira-Rio.

Hoje, o local tem um memorial

Os anos 1960 foram duros para o Colorado, que viu surgir um breve predomínio do rival. Mas o velho Eucaliptos ainda veria o surgimento de um dos maiores times da história do Inter e do Brasil na década seguinte. Gainete, Laurício, Scala, Pontes, Sadi, Carbone, Tovar, Valdomiro, Carpegiani, Bráulio, Claudiomiro e Gilson Pôrto deram início, ainda no Estádio dos Eucaliptos, à série de oito títulos gaúchos consecutivos, feito até hoje não igualado. Antes da inauguração do Beira-Rio, estes atletas tiveram a chance de desfilar suas belas jogadas no estádio onde o Inter fez história, para depois fazer a sua própria e tornar o Clube o maior do país com o tricampeonato Brasileiro.

O Estádio dos Eucaliptos reside hoje na memória de cada um dos torcedores colorados: outrora maior estádio do sul do país, sede de uma Copa do Mundo e palco das maiores vitórias do Rolo Compressor e do Rolinho. Mesmo não existindo mais fisicamente, é uma das páginas mais bonitas da história colorada. Se existir vida após a morte, a dos colorados com certeza é na sombra dos Eucaliptos.
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