domingo, 1 de julho de 2018

Schmeichel: de pai para filho

Por Fábio Lázaro

Kasper Schmeichel foi o escolhido como melhor em campo, mesmo com a Dinamarca eliminada

(Atenção! Me desculpe o spoiler, mas preciso adiantar: esse texto contém catarse - ao menos que você seja torcedor ou simpatizante da seleção croata).

Quanto vale uma história? Vale uma classificação? Vale uma vitória? Vale um heroísmo? Ou uma história vale simplesmente uma história? 

De todas as opções acho a última suficientemente convincente, já que as histórias contam a história e na tarde (horário de Brasília) deste domingo (1) podemos ver a história sendo reescrita diante dos nossos olhares. 

É fato, a Croácia se classificou às quartas de final da Copa do Mundo. A Dinamarca está eliminada, sim, é fato. Mas histórias não são feitas apenas de vitórias. E para a história se escrever na história, muita derrota doída se fez arder. Tão doído quanto a pancada croata em cima dos argentinos, que fez hermanos chorar, mas que também fez a Croácia chegar às oitavas de final como favorita contra uma Dinamarca, longe de ser "Dinamáquina", independentemente do seu futebol mecânico.é 

A única semelhança entre o time de 2018 e a seleção dinamarquesa que encantou o Planeta na década de 90 não era mera coincidência, Schmeichel. E não que o lendário goleiro ex-Manchester United não tenha parado de jogar futebol, mas Peter Shcmiechel deixou um Kasper para seguir produzindo futebol de bom nível em seu país de origem. 

Kasper Schmeichel, apresentado ao mundo da bola após ser campeão da Premier League há duas temporadas com o modesto Leicester City, ainda precisa conviver com a sombra do pai. Ou, ao menos, precisava até hoje. Independentemente da conquista do Campeonato Inglês em 2016, foi ofuscado por Vardy, Kanté e Marhez. No ano seguinte, nas oitavas de final da Champions Legue contra o Sevilla/ESP, pegou um pênalti no tempo normal que garantiu a classificação às quartas de final do clube de King Power. Mas faltava algo. Claro que ainda deixa de faltar. Mas podemos dizer que de tudo que ainda falta, hoje falta menos um, a sua identidade. 

Em Nizhny Novgorod, Cro[acia e Dinamarca fizeram uma partida eliminatória que não teve emoção do início ao fim, mas que emocionou no início e no fim. Logo no primeiro minuto de jogo o zagueiro Mathias Jorgessen foi o nunca inimaginável jogador que fez o inimaginável gol de abertura de placar para a Dinamarca.

No fim, Modric, mesmo perdendo pênalti na prorrogação, comemorou

Ainda estávamos todos de cara, quando menos de cinco minutos depois o torpedo do lateral croata Vrsaljko que tinha como endereço a lateral oposta, atingiu a cara do também lateral, mas este dinamarquês, Knudsen que sentiu um golpe duplo, na face e no coração. Após acertar o seu rosto, a bola se ofereceu na pequena área para o atacante Mário Mandzukic, que emedou para um gol de empate da Croácia que nem se os dois Schmeichels estivessem defenderiam. 

E a partida monótona esperou o fim para contar a história. Virar história. Entrar para a história. Tínhamos um anti-herói em potencial. Terminamos com um herói, no final. Lembram do Mathias Jorgessen, que havia feito o gol dinamarquês no primeiro minuto de jogo? Pois bem, ele vacilou aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação e deixou Rebic entrar sozinho na cara de Schmeichel, que não conseguiu o pará-lo. Então, o último recurso de Jorgessen foi cometer um pênalti. E foi aí que entrou a figura de um herói (des)conhecido, Schmeichel. Faltando menos de cinco minutos para o fim do segundo tempo-extra, o craque do Real Madrid, Luka Mordic, foi para o pênalti. E bateu. Mas não acertou. Pois na meta tinha Kasper. Tinha Schmeichel. 

E o tal pênalti perdido fez que não tinha nada a er com o jogo ganhar uma decisão por pênaltis par assistir. E logo na primeira cobrança, o arqueiro croata Subasic se redimiu do erro no gol da Dinamarca defendendo como Kasper, já que na sequência Ksper defendeu a primeira cobrança da série croata como Schmeichel. Após isso, quatro pênaltis convertidos na segunda e terceira série, postergado por mais uma "Kasperzada" de Subasic, seguida por uma "Schmeichada" de Kasper. 

Mas quando na última série Subasic defendeu a sua terceira, Kasper não teve mais forças para agarrar a quarta.

A Dinamarca caiu fora da Copa do Mundo. Mas Kasper caiu de pé. Não na Copa do Mundo. Mas, sim, no mundo da Copa. O mundo do futebol. Que finalmente o reconhece por ser Kasper, por sua atuação como Shcmiechel.
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