segunda-feira, 30 de julho de 2018

O Cruzeiro campeão da Libertadores em 1976

Com informações do site oficial do Cruzeiro EC

Em 1976, o Cruzeiro tornava-se a segunda equipe brasileira a conquistar a Libertadores

A conquista que abriu os caminhos do Cruzeiro Esporte Clube para o cenário mundial completa 42 anos neste 30 de julho. A vitória sobre o River Plate, por 3 a 2, no terceiro jogo da final da Copa Libertadores da América, no estádio Nacional do Chile, coroou a espetacular campanha da equipe na competição continental de 1976. Foi o primeiro dos vários títulos internacionais do Time do Povo.

O esquadrão cruzeirense iniciou a disputa sul-americana jogando no grupo 3 da competição e reeditando o clássico que decidiu o campeonato brasileiro de 1975. A Raposa, que havia perdido para o Internacional pelo campeonato nacional, deu o troco na Libertadores e venceu o jogo histórico disputado no Mineirão: 5 a 4. Os gols do Maior de Minas nessa incrível partida foram marcados por Palhinha (2), Joãozinho (2) e Nelinho. 

No segundo jogo, válido pela primeira fase, o adversário foi o Sportivo Luqueño, do Paraguai. O jogo aconteceu em Assunção, e a Raposa não se importou por jogar longe de sua torcida, venceu por 3 a 1, com gols marcados por Roberto Batata, Nelinho e Jairzinho. 

No último jogo do primeiro turno da primeira fase da competição, o oponente foi o Olímpia. A equipe, jogando novamente na capital paraguaia, no estádio Defensores Del Chaco, empatou com adversário pelo placar de 2 a 2, depois de terminar o primeiro tempo com a desvantagem de 2 a 0. Jairzinho e Darci Menezes fizeram os gols de empate do Cruzeiro.

Jogando contra o Internacional

Iniciando o segundo turno da primeira fase, o time celeste enfrentou o Sportivo Luqueño no Mineirão, em Belo Horizonte e despachou o rival com tranquilidade. O placar de 4 a 1 mostrou toda superioridade da equipe estrelada que consagrou os seguintes artilheiros nesse dia: Palhinha (2), Jairzinho e Eduardo Amorim.

Disposto a carimbar a classificação no grupo, a Raposa enfrentou 80 mil torcedores e o Internacional, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, pela segunda rodada do returno da primeira fase da competição. O Time do Povo não tomou conhecimento do forte adversário e da pressão de sua torcida e venceu fora de casa com propriedade: 2 a 0, com gols marcados por Jairzinho e Joãozinho.

O Olímpia era a única equipe a tirar pontos do Cruzeiro na Libertadores e veio para Belo Horizonte para buscar o resultado e atrapalhar as pretensões do Maior de Minas. A Raposa não teve dificuldades e aplicou nova goleada por 4 a 1. Jairzinho (2), Nelinho, Eduardo Amorim foram os artilheiros celestes do dia. Com o resultado, o Cruzeiro foi campeão do Grupo 3 com 5 vitórias e um empate, 20 gols marcados e 9 sofridos.

Único classificado do Grupo 3, a segunda etapa da Copa Libertadores de 1976 também foi composta por dois grupos formados por três times em cada. Cruzeiro, LDU de Quito e Alianza Lima compunham o Grupo 1. River Plate, Independiente e Peñarol formavam o Grupo 2.

Jogadores levantam a taça de campeão

No primeiro jogo da segunda fase, o Cruzeiro foi até Quito, capital do Equador, e enfrentou a LDU. Assim como na primeira fase, a Raposa não foi intimidada pela pressão da torcida e venceu a equipe equatoriana por 3 a 1. Palhinha marcou duas vezes e Joãozinho fechou o placar para a Raposa. 

Três dias depois, o time celeste já estava em Lima, no Peru, para enfrentar o Alianza. Com bastante propriedade e com um futebol sério e requintado, o Maior de Minas não deu chances ao rival sul-americano e aplicou uma sonora goleada por 4 a 0. Joãozinho (2), Jairzinho e Roberto Batata marcaram para a Raposa. Seria o último gol de Roberto Batata em vida.

Na volta para Belo Horizonte, o time celeste desembarcou e o atacante Roberto Batata imediatamente pegou a estrada rumo a Três Corações. A intenção era ver a mulher e o filho recém-nascido. Cansado pelos jogos fora do país e pela viagem desgastante, o cabeludo da camisa 7 celeste acabou dormindo ao volante e se chocou contra dois caminhões. Eram 13 de maio de 1976, e a capital mineira parou com a tragédia que levou ao óbito um dos maiores jogadores da história da Raposa.

Uma semana depois e ainda muito abalado pela tragédia que levou o camisa 7, o Cruzeiro voltou a campo contra o mesmo Alianza, desta vez no Mineirão. Eduardo Amorim foi o substituto de Roberto Batata. A partida acontecia e o Cruzeiro com uma brilhante atuação ia fazendo os gols. Durante o jogo, os atletas decidiram homenagear o companheiro morto uma semana atrás e marcaram sete gols, número da lendária camisa de Batata. Placar final: 7 a 1. Jairzinho fez quatro e Joãozinho marcou três gols nesse dia triste, porém histórico para toda a nação celeste.

Comemoração no gol de Joãozinho, contra o River Plate

Para fechar com chave de ouro o Grupo 1 da fase semifinal da Copa Libertadores, o Cruzeiro recebeu o LDU de Quito, no Mineirão. A partida terminou com o placar de 4 a 1 para o Maior de Minas com gols marcados por Nelinho, Jairzinho, Palhinha e Ronaldo. Partida ganha e vaga garantida para a grande final contra o River Plate. O time argentino precisou de jogo extra para levar a vaga sobre o Independiente, no clássico local.

O clássico da final entre Cruzeiro e River Plate deu início a uma das maiores rivalidades do continente. A primeira partida aconteceu em Belo Horizonte, no dia 21 de julho, e o público no Mineirão foi de 58.720 pessoas. A Raposa, empurrado pela força de sua torcida, abriu 3 a 0 ainda no primeiro tempo com gols de Nelinho e Palhinha por duas vezes. Veio o segundo tempo e Mas descontou para os argentinos, mas Valdo, que havia entrado no posto de Piazza, fechou a goleada para o Cruzeiro. 4 a 1.

Não havia critério de desempate por gols e na segunda partida disputada no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, no dia 28 de julho, somente a vitória interessaria ao River Plate. O empate daria o título ao Cruzeiro. Com o estádio completamente lotado, 90 mil pessoas empurraram a equipe da casa e J.J. López marcou para o River Plate na primeira etapa. Palhinha empatou logo aos três minutos do segundo tempo, porém empurrado pelos Millonarios (nome dado a torcida do River Plate), Gonzáles marcou aos 31 minutos e deu a vitória para o time da casa. Com o resultado, uma partida extra em campo neutro deveria ser marcada para decidir o maior torneio do continente sul-americano.

Vídeo com o gol do título cruzeirense

Dois dias depois, no dia 30 de julho, em uma sexta-feira, Cruzeiro e River Plate se enfrentaram no estádio Nacional, em Santiago, no Chile, para um publico de 40 mil presentes. O Cruzeiro começou melhor no jogo e Nelinho abriu o marcador aos 24 minutos, placar esse que deu números finais ao primeiro tempo. Na segunda etapa, Ronaldo ampliou para a Raposa aos 10 minutos, dando grande vantagem para o time mineiro, porém com uma reação rápida, Mas aos 14 e Urquiza aos 19 minutos empataram a partida.

O jogo seguiu disputado até os 43 minutos da etapa final quando Palhinha sofreu falta na entrada da área. O lance foi bastante comemorado pelos brasileiros já que Nelinho era um exímio cobrador de falta e dificilmente perdia chances daquela distância. O lateral-direito ajeitou a bola e se virou para ganhar alguns passos para a cobrança, foi aí que apareceu a esperteza do atacante Joãozinho que com um belo toque colocou a bola por cima da barreira e longe do alcance do goleiro Landaburu, que apenas observou a bola bater e escorrer as redes. 3 a 2 para o Maior de Minas, festa em Belo Horizonte e por todo território nacional. Depois do Santos, o Cruzeiro era o segundo time do Brasil a conquistar o maior torneio disputado no continente.
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