sábado, 9 de junho de 2018

Mouhamadou Leye - Um senegalês no futebol brasileiro

Por Victor de Andrade

Mouhamadou Leye atuando pelo Real Cubatense em 2017 (foto: Flavio Hopp)

Depois de 16 anos, quando surpreendeu o mundo e chegou nas quartas de final no Mundial realizado entre Japão e Coreia do Sul, o Senegal volta a disputar uma Copa do Mundo. Com jogadores de categoria, como Sadio Mané, que defende o Liverpool, o do país africano tem um representante no futebol brasileiro: o atacante Mouhamadou Leye.

Leye, que é chamado pelos amigos de Senegal, nasceu em M'Boro, em 7 de setembro de 1994 e começou a jogar em sua cidade, como lateral-direito. Depois, foi para Dakar, capital do país, onde defendeu o Sacre Couer. Em 2015, encarou o desafio de sair de sua terra natal para se aventurar no mundo do futebol.

Primeiro clube no Brasil foi o Caiçara, do Piauí
(foto: Tribuna do Nordeste)

Porém, ao invés de ir para a França, que é o caminho comum para os jogadores senegaleses, Leye preferiu outro destino. "O Brasil tem um futebol mais técnico e por isto escolhi vir para cá". Primeiro, ele jogou no Nordeste, onde defendeu o Caiçara, do Piauí, e o Galícia, da Bahia. Em 2016 foi para a Baixada Santista, onde jogou pelo Jabaquara e no ano passado defendeu o Real Cubatense, da mesma região.

Copa do Mundo - Todo fã de futebol fica apreensivo quando chega a época da Copa do Mundo, que acontece a cada quatro anos. Com Mouhamadou Leye não é diferente e tem um detalhe interessante: o primeiro Mundial que ele lembra é justamente o de 2002, o único até agora que Senegal disputou. "Eu tinha oito anos, e assistia aos jogos ao lado de meu pai, de quem sou muito amigo. Lembro que todos o moradores de nosso condomínio, em M'Boro, se reuniam para acompanhar as partidas. Os senegalenses são apaixonados por futebol e aquilo foi um marco para o país".

Diouf, que esteve na Copa de 2002, é um de seus ídolos

Leye recorda da estreia, na surpreendente vitória contra a França, no dia 31 de maio, por 1 a 0. "Foi incrível! Lembro que meu pai falava que os franceses eram os então atuais campeões do mundo e, além disso, havia o fato de eles terem colonizado o Senegal. Mas quando Papa Bouba Diop fez o gol, a festa foi enorme. Estávamos derrotando, no futebol, o país que fez guerras e escravidão em nossa terra estava levando o troco".

O atleta tem como alguns de seus ídolos os jogadores que estavam naquela seleção. "Gosto muito do El Hadji Diouf, um atacante habilidoso que pintava o cabelo, e o meia Khalilou Fadiga. Eles eram os principais atletas daquele time e foram importantes na bela campanha, que ficou entre os oito melhores do mundo".

Treino no Jabaquara, equipe que defendeu em 2016
(foto: Antônio Marcos/GloboEsporte.com)

Além de ver os jogos, o jogador lembra das comemorações. "Recordo que meu pai saia comigo nas ruas e gritava 'Senegal' e muitos faziam o mesmo. Só para se ter uma ideia de como o país é fã de futebol, os senegaleses, em sua maioria, são muçulmanos. Porém, na época da Copa, eles esqueciam de ir na mesquita no horário determinado para acompanhar a seleção do país ou comemorar as vitórias".

Mundial de 2018 - Apesar de ter ficado de fora das Copas de 2006, 2010 e 2014, Mouhamadou Leye está confiante no desempenho de Senegal na Rússia. "Nossa seleção atual é forte. O treinador é o Aliou Cissé, que foi jogador titular e capitão em 2002, respeitado por todos e temos um time bem montado".

Sadio Mané é o principal nome de Senegal atualmente

Alem disso, lembra Leye, o Senegal tem grandes jogadores atuando em alto nível no futebol mundial, como Sadio Mané, do Liverpool, Keita, que defendeu o Monaco, e Leroy Sané, do Manchester City. "Estou acompanhando e vejo nosso time muito bom. Além disso, percebo que os atletas senegaleses estão focados e todos estão torcendo para fazer novamente uma boa campanha".

Jogar em 2018 - Mouhamadou Leye, atualmente, está sem clube. Seu último jogo oficial foi pelo Real Cubatense, na Segunda Divisão Paulista, no ano passado. Neste ano, ele chegou a fazer parte do elenco do Rio Branco de Americana, na Série A-3, mas não foi utilizado pelo clube. "Estou mantendo a forma, fazendo a preparação física. Minha pretensão é atuar na Copa Paulista, que tem início no mês de agosto. Espero, em breve, voltar a atuar!", finalizou.
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