sábado, 16 de junho de 2018

Em 1974, em meio à Guerra Fria, a Alemanha enfrentando a... Alemanha!

Por Victor de Andrade

Beckenbauer e Bransch, os capitães dos times Ocidental e Oriental

O Mundo Geopolítico teve profundas transformações após a Segunda Guerra Mundial. Os vencedores aliados, liderados por Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética, dividiram o que ganharam dos inimigos, entre eles um país. A Alemanha foi repartida entre Ocidental, capitalista e apoiada, principalmente, por norte-americanos e ingleses, e a Oriental, comunista, com sustentação dos soviéticos.

Isto refletiu no esporte, já que a Alemanha sempre foi uma potência. Em boa parte das modalidades, a Oriental passou a ser muito forte, enquanto em outras, a Ocidental era melhor, como no caso do futebol. Campeã do mundial em 1954, os ocidentais sediaram a Copa do Mundo de 1974, que também teve a presença, pela única vez, dos orientais. E o destino quis que o sorteio botasse as duas seleções no mesmo Grupo, o A.

As duas Alemanhas se enfrentariam apenas na última rodada da chave. A Ocidental, que vinha de um vice em 1966 e um quarto em 1970, com nomes como Beckenbauer, Breitner e Müller, venceu na estreia o Chile, por 1 a 0, e depois bateu a Austrália por 3 a 0. Os orientais também bateram o time da terra dos cangurus, por 2 a 0, mas acabaram apenas empatando com o Chile, pelo placar de 1 a 1.

Em 22 de junho de 1974, as duas Alemanhas se enfrentariam no Volksparkstadion, em Hamburgo. Os ocidentais foram a campo já classificados desde a rodada anterior, enquanto os orientais souberam que estavam na fase seguinte momentos antes do jogo, já que o Chile havia apenas empatado com a Austrália (sim, os jogos de última rodada do mesmo grupo, na época, não eram no mesmo horário). Então, o embate serviria apenas para apontar o primeiro colocado da chave.

Todos esperavam um clima de guerra entre as seleções e que os orientais fossem jogadores violentos e sem caráter. O que se viu não foi isso. A partida foi muito disputada, mas limpa – e teve até uma troca de camisas depois do apito final, mas longe dos olhos do público.

O time da Alemanha Oriental surpreendeu e venceu por 1 a 0

No primeiro tempo, a Alemanha Ocidental teve duas chances incríveis. Primeiro, com Grabowski, que foi barrado pela agilidade do goleiro Croy. Depois, com Breitner, que acertou a trave. No segundo tempo, a Alemanha Oriental teve uma oportunidade espetacular, com Kreische que, sozinho na área, chutou para fora um cruzamento da esquerda.

Aos 23 minutos do segundo tempo, a história foi escrita. O alemão oriental Jürgen Sparwasser recebeu no meio de três defensores, entrou na área e chutou forte, no alto. O gol que abriu o placar no histórico confronto foi também o gol da vitória da Alemanha Oriental sobre os favoritos anfitriões alemães ocidentais na única partida da história entre as duas seleções.

Até hoje, é comum ouvir teorias da conspiração segundo as quais a equipe de Helmut Schön entregou o jogo para a Alemanha Oriental. Não por compaixão ou fraternidade, mas sim para cair em um grupo mais fácil na segunda fase da Copa do Mundo, fugindo da sensação Holanda e do então campeão mundial Brasil.

Com a vitória, a Alemanha Oriental ficou em primeiro lugar em sua chave e disputou uma vaga na final com holandeses e brasileiros, além da Argentina. Perdeu duas partidas, empatou uma e foi eliminada. A Alemanha Ocidental, por sua vez, enfrentou Polônia, Suécia e Iugoslávia. Ganhou os três jogos, chegou à final e foi campeã ao vencer a Holanda.
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