domingo, 17 de junho de 2018

Alemanha não joga bem na estreia, perde para o México e preocupa

Por Lucas Paes
Fotos: Getty Images/FIFA.com

Lozano comemora o merecido gol mexicano diante da Alemanha

Começo a escrever esta crônica com o jogo ainda não definido porque o alerta tem de ser escrito mesmo que o Manschaft busque o empate e até a virada. A Alemanha estreou muito abaixo do que se espera de um time que é o atual campeão mundial de futebol. O time nitidamente já não tem a mesma força e a mesma qualidade e frieza que ajudaram a conquistar o quarto título de Copa do Mundo no Maracanã há quatro anos atrás. 

Desde o começo se viu que a estreia dos alemães poderia dar em zebra. A primeira chegada do México foi logo no primeiro minuto em um contra ataque muito rápido que pegou a defesa germânica completamente desprevenida. Se o time mexicano tivesse um pouco mais de qualidade técnica o 1 a 0 teria vindo muito mais cedo do que veio. Mesmo assim, não dava para ficar surpreso diante da vantagem tricolor, que veio num gol bem bonito inclusive de Lozano, que infernizou a defesa adversária. 

Não se trata exatamente de domínio porque a Alemanha também criou chances, o primeiro tempo foi movimentadíssimo e o segundo foi de muita pressão alemã, mas não se via a movimentação, a troca de passes, a velocidade e a frieza característica do time alemão. E ao final do jogo, a vitória do México não surpreendeu, pois mesmo criando muitas chances, um caminhão cheio delas, a Alemanha não chegou nem perto de jogar bem no Luziniki. Moscou continua sendo um pesadelo para os germânicos. 

Khedira foi um dos que não fez boa partida

O México poderia sim ter feito um placar maior. Foram várias chances desperdiçadas por todos os jogadores da parte ofensiva, desde Vela até Chicharito Hernandéz. Do outro lado, Ochoa, gigante com a camisa de sua seleção, sendo um jogador muito maior em Copas do que é em clubes, fazia um partidaço e evitava as investidas alemãs. Não eram poucas, de fato, mas faltava (e muito), a organização, a movimentação e a paciência de outras eras mais gloriosas e nem tão distantes do Nationalelf.

Ao fim do jogo, os alertas estavam mais acesos do que nunca para a Seleção Alemã. O time foi, durante a maior parte do tempo, muito engessado. Não era a Alemanha das movimentações, das jogadas rápidas e dos passes certeiros de Kroos, que voltou a errar um passe depois de muito tempo em Copas. Algumas impressões ficaram nítidas, por exemplo, a Alemanha precisa sim da criatividade de Marco Reus, que entrou bem e ajudou na pressão final, onde o Mannschaft parecia mais perto do time que assombra até hoje o pesadelo dos brasileiros.

Enquanto Vela, Lozano e Chicharito infernizavam os defensores alemãs, deixando Hummels, Kimmich, Boateng e Plattenhardt (este último, principalmente) atordoados com os avanços mexicanos. Faltou, é claro, qualidade técnica aos tricolores para definir o jogo nas diversas chances criadas. Tal qualidade não faltaria em times como Espanha, Bélgica, Inglaterra, França e principalmente, no Brasil. 

Nem mesmo Kroos jogou bem hoje

Sim, principalmente na Seleção Brasileira. Pois o mais imediato reflexo deste resultado alemão é o fato de que possivelmente, se nada der errado, Brasil e Alemanha possivelmente duelarão logo nas oitavas de final. Diante do que mostrou o México hoje, Suécia e Coréia provavelmente não conseguirão parar o rápido e infernal ataque mexicano. Se nada der errado, o México poderá sim sair em primeiro no seu grupo e deixar germânicos e brasileiros se matarem.

O contra ataque é uma das armais mais fortes da Seleção Brasileira. Onde hoje Vela e Lozano infernizavam os laterais alemães, nas oitavas possivelmente teremos Neymar, Coutinho e Willian. Ao invés de Chicharito Hernandez, será Gabriel Jesus ou Roberto Firmino na definição, todos estes jogadores de garbo muito maior que os mexicanos, que não perderiam metade das chances que o México criou hoje, como aliás, Willian já mostrou recentemente em Berlin. 

A bola não queria entrar de jeito nenhum para a Alemanha

É claro que a Alemanha pode melhorar e até sair em primeiro, mas num possível confronto entre os dois nas oitavas, os Kaisers terão que fazer muito mais que hoje para poder eliminar o Brasil, se a Seleção Canarinho manter o futebol rápido e encantador que tem jogado sob a batuta de Adenor Bacchi, o Tite. Claro que tudo que estou escrevendo aqui pode ir por água a baixo caso o Brasil peque e faça uma estreia ruim contra a Suiça. Mas hoje, sem ver o Brasil jogar e vendo times como a Espanha apresentar o que apresentaram, arrisco dizer que o penta não irá para Berlin. 2018, talvez, de fato, seja apenas mais uma vez onde os alemães não triunfarão nas gélidas terras russas.
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