quarta-feira, 20 de junho de 2018

1986 – A expulsão mais rápida da história das Copas do Mundo

Por Victor de Andrade

A expulsão aconteceu com 56 segundos de jogo, a mais rápida das Copas

A escola uruguaia é famosa no futebol por ser técnica, inteligente e bastante ríspida. Ao mesmo tempo em que os Celestes são marcados por criarem jogadores da mais alta estirpe técnica como Gigghia, Recoba, Suarez e, porque não, Arrascaeta, também produzem jogadores caracterizados pela raça e pela carniçaria dentro de campo, como Lugano, por exemplo. Em 1986, no México, a raça uruguaia acabou levada a limites extremos, quando Batista protagonizou a expulsão mais rápida da história das Copas do Mundo. 

Num grupo com a excelente Dinamarca de Laudrup, a sempre chata Alemanha (na época, Ocidental) e a Escócia, o Uruguai chegou a última rodada do Grupo E daquele Mundial necessitando pelo menos do empate com os escoceses para se classificar como um dos melhores terceiros colocados. Depois de sofrer uma verdadeira demolição dos dinamarqueses e perderem por sonoros 6 a 1. Naquele distante 13 de Junho de 1986, num mundo onde o Queen era o sucesso mundial e Messi sequer havia nascido, num sol de meio dia na cidade de Nezahualcóyotl, Uruguai e Escócia entraram em campo para disputar o tudo, o nada e o mundo, como diria o título de uma música. 

Mas alguém esqueceu de avisar o meio-campista José Batista. Num jogo que já começou estranho, com um jogador escocês dando um passe literalmente para o Gasparzinho, já que ele jogou a bola, que era de sua seleção, direto para a lateral. O time celeste perdeu a bola em um erro de domínio na meia cancha e a redonda continuou sofrendo nos pés de dois times onde nitidamente faltava técnica (com exceção talvez a Francescoli, ilha de genialidade naquele jogo que se mostrava terrível). Até que em uma bola vinda da lateral, Batista acertou um carrinho-voadora em Strachan, não deixando duvidas em Joel Quinou, que o expulsou, com apenas 56 segundos de bola rolando e com muita justiça.

O jogo todo foi muito pegado

No resto do jogo, os outros cinco cartões amarelos mostraram o tom de uma partida que foi mais brigada do que jogada. Com o empate em 0 a 0, a Celeste Olimpica garantiu vaga nas oitavas de final. Os uruguaios se classificaram, indo defrontar os arquirrivais argentinos nas oitavas e não sendo páreo para Maradona e cia. A derrota foi por apenas um a zero, apesar da nítida superioridade do escrete Albiceleste, que aliás, seria levado (literalmente) pelas mãos de Maradona até a final e ao segundo título argentino, conquistado diante da Alemanha. 

O Uruguai cairia de novo nas oitavas em 1990, com o seu futebol vivendo um período não muito positivo. A Celeste Olímpica por sinal acabaria ficando de fora do mundial em 1994, fechando um ciclo negativo que culminaria em duas não classificações seguidas nos anos de 1994 e 1998, já com a geração de Recoba e cia. Que até voltaria em 2002. Porém, o protagonismo Celeste só voltaria em 2010. De 1986, ficou só mesmo a expulsão de Batista, uma memória que é até engraçada, no meio das tão gloriosas (e conturbadas) páginas do futebol uruguaio.
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