domingo, 1 de abril de 2018

O surpreendente Senegal da Copa do Mundo de 2002

Por Victor de Andrade

A Seleção Senegalesa foi a grande sensação da Copa do Mundo de 2002

Uma das 32 seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2018, o Senegal vai disputar o segundo Mundial de sua história. E se repetir a participação de sua estreia, vai dar muito trabalho na Rússia, já que em 2002, na Copa do Mundo realizada entre Japão e Coreia do Sul, os Leões de Taranga deram muito trabalho e chegaram até as quartas-de-final.

Sem ser um dos grandes times do futebol africano, o Senegal passou a surpreender à todos no continente quando conseguiram a vaga na Copa do Mundo, nas Eliminatórias disputadas até 2001. Além disso, um de seus melhores jogadores da época, El Hadji Diouf, foi escolhido o melhor jogador da África naquele ano. Para chamar ainda mais a atenção, já em janeiro de 2002, os senegaleses foram vice-campeões da Copa Africana das Nações, realizada em Mali, perdendo o título para Camarões nas penalidades.

Mesmo com todos estes predicados, a mídia considerava o Senegal a grande zebra do Grupo A da Copa do Mundo, que tinha seleções que já tinham marcado época na história do torneio. Os Leões de Taranga enfrentariam a França, que era a então atual campeã do mundo, a Dinamarca, que tinha chegado às quartas em 1998, e o Uruguai, que apesar de ter ficado de fora das duas Copas anteriores, era bi-campeão mundial.

Diouf era o grande nome dos senegaleses em 2002

A estreia de Senegal não poderia ser pior, já que enfrentaria a França na abertura da competição, no dia 31 de maio. Os "Le Bleus" haviam acabado com seus adversários nos quatro anos anteriores, ganhando a Copa do Mundo de 1998, em casa, a Euro 2000 e a Copa das Confederações de 2001. Parecia que seria um pesadelo para os africanos. Mas, na realidade, tudo aquilo virou um sonho que se tornou realidade.

A França foi para o jogo, realizado em Seul, sem o seu principal jogador, Zinedine Zidane, que se contundiu às vésperas da estreia. E surpreendendo à todos, o Senegal foi para cima dos franceses. Diouf, Fadiga e Diop comandavam as ações dos Leões e os franceses sentiram a pressão. Aos 30 minutos, Diouf foi até a linha de fundo e cruzou para Diop, que na segunda tentativa balançou as redes. Os "Le Bleus" foram pra cima no segundo tempo, mas não conseguiram marcar. O Senegal aprontava uma das maiores zebras das Copas.

Diop marcou o gol na surpreendente vitória contra a França

No segundo jogo, em Daegu, no dia 6 de junho, os senegaleses tinham pela frente a Dinamarca. Apesar de um time renovado, sem os irmãos Laudrup, os dinamarqueses ainda eram considerados fortes e saíram na frente com um gol de pênalti de Tomasson, aos 16 minutos. Porém aos 7' da segunda etapa, Salif Diao empatou o jogo e o Senegal foi para cima, tentando a virada. Mas os planos tiveram que ser mudados aos 35', quando o mesmo Diao foi expulso e o empate acabou sendo um bom resultado para o time da África.

No fechamento da primeira fase, o Senegal encararia o Uruguai, no dia 11 de junho, em Suwon, precisando de um empate para avançar ao mata-mata. Os uruguaios, vindo de uma derrota e um empate, necessitavam da vitória. E o Senegal fez um primeiro tempo primoroso: Fadiga, aos 20', de pênalti, e Diop, aos 26' e 38', abriram 3 a 0 para os africanos. Porém, todos sabem que com a Celeste não se pode brincar e na segunda etapa, Morales, Forlán e Recoba empataram o jogo. O Senegal segurou a igualdade e garantiu a classificação.

Vitória contra a Suécia veio na prorrogação

Como segundo colocado do Grupo A, o Senegal saiu da Coreia do Sul e foi para o Japão, onde enfrentaria a Suécia, primeira do Grupo F, em Oita, no dia 16 de junho. Os suecos abriram o marcador aos 11 minutos, com o experiente Larsson. Porém, Senegal empatou 37', com Henri Camara, que virou titular no decorrer das partidas. Sem mais nenhum gol no tempo normal, a partida foi para a prorrogação, onde no penúltimo minuto da primeira etapa, Camara, em um lance muito parecido com o tento de igualdade, balançou as redes novamente, fazendo o gol de ouro, e classificando os senegaleses.

Até ali, o Senegal tinha igualado a melhor campanha africana da história das Copas, que foi em 1990, quando Camarões chegou às quartas-de-final, sendo eliminado pela Inglaterra. Os senegaleses, na mesma fase em 2002, encarariam outra surpresa do torneio: a Turquia. Porém, por causa do futebol envolvente, muitos até consideravam os africanos como favoritos no confronto.

A Turquia eliminou o Senegal com o gol de ouro

Senegal e Turquia se encontraram em Osaka, no dia 22 de junho. Os turcos armaram um esquema para barrar o futebol envolvente dos senegaleses, algo que quase funcionou na estreia deles, contra o Brasil, onde perderam por 2 a 1, de virada, no fim do jogo. Mas naquele dia, funcionou direito e eles conseguiram travar as jogadas de Diouf e companhia. Assim, o tempo normal acabou com o placar de 0 a 0. Na prorrogação, mais precisamente aos 4 minutos, no mesmo gol de ouro que colocou Senegal nas quartas, Ílhan Mansiz fez o gol que eliminou os africanos do Mundial.

Mesmo com a queda nas quartas, o Senegal marcou como a surpresa da Copa do Mundo de 2002. Muitos até esperavam que os senegaleses fariam algo parecido com Camarões e Nigéria, que quase sempre marcam presença no torneio. Porém, eles só voltam neste ano, na Rússia. Vale lembrar que todos os convocados de 2002 já encerraram a carreira. Será que vão, no mínimo, repetir o feito? Será que serão os primeiros africanos a cavarem uma vaga na semifinal?  Só o tempo dirá!
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