domingo, 1 de abril de 2018

As artilharias de Washington, o Coração Valente

Por Victor de Andrade


Um jogador conhecido por seus gols e superação. Washington Stecanela Cerqueira, ou simplesmente Washington, o Coração Valente, foi artilheiro por praticamente todos os times pelo qual passou e por passar por doenças sérias e ainda continuar atuando, como a diabetes, que descobriu em 1997, e problemas cardíacos, quando estava na Turquia, em 2002.

Nascido em 1º de abril de 1975, Washington começou no futebol nas categorias de base do Brasília, onde ficou até 1990. Com 15 anos, ele teve uma mudança brusca e foi parar no Rio Grande do Sul. A princípio, ele ia para o Juventude, mas foi parar no Caxias. No Bepe, o centroavante estreou profissionalmente em 1993 e começou a colecionar gols.

Na sua passagem pelo Caxias, que foi entre 1993 e 1999, marcando 66 gols em 130 jogos, ele chamou a atenção de alguns clubes, mesmo não conseguindo ser artilheiro máximo de alguma competição. Com isto, chegou a ser emprestado para Internacional, em 1997, Grêmio, em 1998, e  em sua primeira passagem pela Ponte Preta, também em 1998. Porém, em nenhuma delas houve grande destaque.

Artilheiro do Paulista e Copa do Brasil de 2001 pela Ponte Preta

Entre estas indas e vindas do Caxias, o jogador descobriu ser diabético em 1997, onde iniciou tratamento mas continuou atuando normalmente. Em 1999, ele foi para o Paraná Clube, teve boas atuações, marcando 20 gol em 30 jogos, e sendo negociado com a Ponte Preta no meio de 2000. Ali, Washington teria uma grande guinada na carreira.

Na Nêga Véia, o centroavante já foi importante no time que chegou ao mata-mata da Copa João Havelange, onde chegou a brigar pela artilharia da competição. Mas aí veio o ano de 2001 e Washington tornou-se um dos principais goleadores do futebol brasileiro. Ele foi artilheiro do Paulistão, com 16 gols, e da Copa do Brasil, com 12 gols.

Suas atuações o fizeram chegar à Seleção Brasileira. Estreou entrando no segundo tempo do empate em 1 a 1 contra o Peru, no Morumbi, em 25 de abril de 2001, pelas Eliminatórias da Copa de 2002, sendo convocado por Emerson Leão. Foi ainda para a Copa das Confederações, quando marcou gol na vitória contra Camarões, por 2 a 0. Antes, ele ainda chegou a marcar um tento no amistoso preparatório para a competição, contra o Verdy Tokio. Em 2002, já com Felipão no comando do escrete canarinho, fez alguns jogos nos amistosos preparatórios para o Mundial, mas ficou de fora da lista final.

Recordista de gols em uma única edição do Brasileirão pelo Furacão

Mesmo não tendo ido à Copa do Mundo, seus gols e convocações acabaram chamando a atenção do Fenerbahçe e, assim, ele foi parar na Turquia. Iniciou bem por lá, marcado 17 gols em 30 jogos, mas aconteceria algo que mudaria o destino do atleta no esporte.

Seis anos após o diagnóstico de diabetes, Washington tinha 27 anos e defendia o Fenerbahçe quando, durante treinamentos, passou a sentir ardência no peito. "Treinei dois dias sentindo uma queimação no peito. Sábado jogamos, fiz gol, mas a queimação continuava. Domingo descansamos; no treino de segunda ela voltou e na terça apareceu uma dor no braço", relatou o atacante. Washington realizou uma série de testes ergométricos que mostraram anomalias no batimento cardíaco e, imediatamente, o jogador foi submetido a uma cirurgia de angioplastia para desobstruir uma de suas artérias coronárias, que estava praticamente entupida de colesterol.

A cirurgia consistiu na implantação de um stent — uma minúscula válvula de aço cirúrgico — na artéria, para dilatá-la, fazendo o sangue voltar a circular. O fato de o atacante ter entrado em campo sentindo as dores no peito representou um risco à sua vida. Nas palavras do cardiologista argentino Constantino Costantini: "Ele correu um grande risco. Estava prestes a ter uma parada do músculo cardíaco". Em outras palavras, Washington estava à beira de sofrer um infarto.

Goleador máximo do Japonês de 2006 e do Mundial de Clubes de 2007

Desligou-se do Fenerbahçe e retornou para o Brasil, onde, em 2003, acertou com o Atlético-PR, mas exames médicos realizados antes da assinatura com o clube detectaram indícios de reobstrução da artéria. Washington foi submetido a nova intervenção cirúrgica, onde dois novos stents foram implantados, esses revestidos de rapamicina, substância que age contra a reobstrução das artérias.

Recuperado e sendo avaliado constantemente, inclusive tendo que mandar relatórios dos remédios que tomava para a Comissão Anti-dopagem, Washington estreou no Atlético Paranaense apenas em 2004, onde ganhou o apelido de Coração Valente e foi importantíssimo na campanha do Furacão no Brasileiro daquele ano, onde perdeu o título na última rodada. O centroavante foi o artilheiro da competição com 34 gols, até hoje o recordista em uma única edição.

Após o Brasileirão, o Coração Valente foi para o futebol japonês, defender o Urawa Red Diamond. Na terra do sol nascente, Washington também deixou a sua marca, sendo artilheiro do Campeonato Nipônico de 2006, com 26 gols, e do Mundial de Clubes de Fifa do ano seguinte, com três gols.

No Flu, foi artilheiro do Brasileirão de 2008

Washington voltaria ao futebol brasileiro em 2008, onde foi para o Fluminense, sendo vice-campeão da Libertadores. Mas seu faro de gol lhe daria outra artilharia: a do Campeonato Brasileiro daquele ano, dividindo a ponta com Kleber Pereira, do Santos, e Keirrison, do Palmeiras, com 21 gol.

Depois de uma passagem com altos e baixos pelo São Paulo, entre 2009 e 2010, Washington voltaria ao Flu para o Brasileirão de 2010, onde foi campeão brasileiro pelo clube. Ele chegou a se apresentar para a pré-temporada de 2011 no Tricolor, mas não houve acerto para a renovação do contrato e o Coração Valente resolveu pendurar as chuteiras.

Washington, em toda a sua carreira, fez 411 gols em 642 jogos, uma marca considerável, dando mais de um gol a cada duas partidas. Porém, seu legado no futebol brasileiro foi a de superação e provar que se pode sim dar a volta por cima.
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