segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Lamartine Babo e os hinos dos clubes cariocas

Por Lucas Paes

  Lamartine Babo compôs hinos para onze clubes cariocas

Lamartine Babo era um famoso compositor carioca. Famoso por compor marchinhas de carnaval como “O teu cabelo não nega”, Lamartine tem relação intima com o futebol do Rio de Janeiro. Torcedor fanático do América (em 1960, após o título carioca, ele saiu desfilado fantasiado de diabo pelo Rio de Janeiro em comemoração), foi compositor de diversos hinos dos times cariocas que são até hoje os oficiais dos clubes. 

Com uma facilidade imensa na criação de versos e melodias, Babo começou escrevendo uma marchinha para o Flamengo, em 1945, que é até hoje considerada o hino não oficial do clube. Anos depois, Heber Boscoli, do programa “Tream da Alegria”, desafiou Lamartine a escrever hinos para os 11 principais clubes do Campeonato Carioca de futebol. 

Varias são as versões de como Lamartine chegou aos 11 hinos. A mais aceita é que ele foi fechado num apartamento com comida para seis dias numa geladeira, de onde só sairia quando os hinos estivessem prontos, e escreveu todas as restantes dez músicas. Primeiro dos clubes grandes, que na época eram os quatro famosos, Fluminense, Flamengo, que já tinha a sua, Botafogo e Vasco. Além do Bangu e o América. Depois, vieram os hinos dos times de menor expressão, mas não menos importantes (Olaria, Madureira, Bonsucesso, Canto do Rio e São Cristóvão). Cada hino era lançado em LPs referentes aos clubes. 

O hino do América, time de coração de Lamatine, é considerado por muitos o mais bonito do Brasil

Os hinos fizeram tamanho sucesso que acabaram sendo considerados oficiais dos clubes. Mesmo o do Flamengo, que é o hino popular e não exatamente o oficial, é mais conhecido que o oficial, à exemplo do que acontece no Santos com a marchinha “O Leão do Mar”. No caso do Mengão, a situação é ainda mais interessante, pois a torcida santista ainda costuma entoar o hino oficial, já a torcida flamenguista não canta o hino oficial do clube nas arquibancadas (Flamengo, Flamengo, Campeão de Terra e Mar), que é pouco conhecido pelo torcedor rubro-negro. De fato, uma das poucas vezes que a torcida rubro-negra fez menção ao hino oficial foi em um mosaico no Brasileirão de 2016.

Nem só de hinos de clubes viveu Lamartine, já que também compunha marchinhas de carnaval como a já citada “O teu cabelo não nega”. A chegada do Estado Novo de Vargas e a censura as sátiras de suas marchinhas acabou tirando a graça de alguma de suas criações, mas outras permaneceram na memória do povo e são cantadas até hoje. O compositor Braguinha certa vez fraseou que existiu um carnaval antes de Lamartine e outro depois dele. 

Lamartine faleceu em 1960, devido a um infarto, deixando seus versos para os clubes cariocas marcados para a eternidade. Em 1981, a Imperatriz Leopoldinense conquistou o carnaval com um enredo homenageando o compositor, numa homenagem ao mesmo tempo divertida e emocionante.
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