segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Heleno de Freitas atuando no Maracanã pelo America

Heleno, com a camisa do America, antes do apronto para a sua única partida no Maracanã

Um craque, mas uma bomba prestes a estourar! Se fosse resumir o que foi Heleno de Freitas, talvez o maior jogador brasileiro dos anos 40, a frase que abre este texto cabe muito bem. Muito por causa disto, seu final de carreira não foi perto do que ele merecia pelo o que apresentou dentro de campo. Aliás, sua última chance foi no America, em 1953, quando fez apenas um jogo, justamente na única vez em que atuou no Maracanã.

Heleno de Freitas, nascido em São João Nepomuceno, em Minas Gerais, no dia 12 de fevereiro de 1920, fez sucesso no Botafogo na década de 40, mostrando ser um craque. Porém, a má fase do clube carioca, que não conquistou títulos em sua passagem, e seu gênio o fizeram ser negociado com o Boca Juniors em 1948. Depois, atuou por Vasco da Gama, onde brigou com o técnico Flavio Costa e perdeu a chance de jogar a Copa do Mundo de 1950, e Junior Barranquilla, na Liga Pirata Colombiana, voltando ao Brasil em 1951.

Depois de uma passagem frustrada pelo Santos, onde arrumou briga com todo mundo, Heleno tinha uma meta: atuar no imponente Maracanã, que fora inaugurado em 1950. Porém, o jogador já apresentava de sua doença, a Sífilis, e seu gênio explosivo atingiu níveis de loucura. Mesmo assim, ainda em 1951, o America resolveu dar uma chance ao craque, que pensava que ainda atuaria como na época do Botafogo, uma vedete do futebol.

No treino na véspera, arrebentou

O America fez um plano para prepará-lo e colocá-lo em campo apenas quando ele estivesse em plenas condições. Mas havia alguns problemas: Heleno não queria treinar e, além disso, evitava tirar fotos com a camisa e companheiros de clube: ele achava que a equipe não estava à sua altura. Ele só estava por um motivo: jogar no Maracanã. Por tudo isto, a estreia de Heleno pelo time vermelho ficava cada vez mais difícil.

Porém, tudo isto foi por "água abaixo" quando na véspera de enfrentar o São Cristóvão, o Diabo estava com vários desfalques em sua linha de frente. Como a partida estava marcada para o Maracanã, no dia 4 de novembro, Heleno aceitou até a voltar a treinar e, assim, voltar a campo, tudo para atuar no imponente estádio. No apronto para a partida, ele arrebentou! Sim, parecia aquele craque que todos admiravam! Heleno parecia estar pronto.

A verdade é que naquele 4 de novembro, Heleno não mostrou nem 1% do que havia feito no treino do dia anterior. Ele entrou em campo e se deslumbrou com o tamanho e a imponência do Maracanã. Praticamente não tocou na bola, olhando para a estrutura do "maior do mundo". Parecia uma criança que havia ganho a maior presente de sua vida.

Heleno, agachado, no meio, no gramado do imponente estádio

A história de Heleno de Freitas atuando pelo America no Maracanã durou apenas 20 minutos. Olhando para aquele homem, dentro de campo, embasbacado, os companheiros de time passaram a cobrar empenho dele. Ao invés de começar a jogar de verdade, Heleno passou a ofender os jogadores de sua equipe e foi expulso. O America acabou sendo derrotado pelo São Cristóvão por 3 a 1.

Naquele momento, os irmãos de Heleno, que estavam nas arquibancadas do Maracanã, resolveram interná-lo, a loucura, em decorrência da sífilis, estava corroendo o craque e, naquele dia, foi o fim de Heleno como jogador de futebol. Internado, ele acabou falecendo em 8 de novembro de 1959, com apenas 39 anos, em decorrência da doença.
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