domingo, 17 de dezembro de 2017

As consequências do “quase” – o que o Botafogo vai levar de um ano frustrante

Por Diely Espíndola

O Botafogo na eliminação da Libertadores: se esperava mais do time Alvinegro em 2017

Nenhum time grande inicia o ano almejando pouco. Ainda que não haja grandes vislumbres de títulos e conquistas, o objetivo de todo clube é conquistar o máximo que for possível, e chegar o mais longe que conseguir. Talvez este tenha sido o berço do declínio sofrido pelo Botafogo este ano.

A temporada 2017 não foi fácil para o Alvinegro. Com um elenco limitadíssimo, departamento médico movimentado, e um técnico com poucas experiências no currículo, o Botafogo sabia que seria um ano de desafios. No entanto, a atmosfera em General Severiano era de otimismo: o ano já começava com a torcida superando as expectativas de adesões ao programa de sócios torcedores oferecido pelo clube e batendo recordes de público no Rio de Janeiro. 

Mística e supersticiosa como poucas, a torcida alvinegra se agarrava a qualquer sinal que poderia indicar que 2017 seria um ano de glórias. Talvez o desfecho de 2007, ano conhecido pelos alvinegros como “o ano que não terminou”, marcado por uma campanha que, apesar de vitoriosa e cheia de gols, não trouxe nenhum título ao Glorioso. Fato que muitas vezes foi creditado à falta de um goleiro eficaz na ocasião. Problema de que dessa vez, o Botafogo não sofreria.

Com Jefferson machucado, o Botafogo teve sua meta defendida à altura do ídolo por Gatito Fernandez, goleiro paraguaio que já chegou mostrando a que veio: em sua primeira partida decisiva pelo Glorioso, na decisão para a fase de grupos da Libertadores, Gatito pegou três pênaltis, e foi o herói da classificação. E nos jogos seguintes não foi diferente. Gatito fez uma campanha marcada por grandes defesas, pênaltis defendidos e uma regularidade que passava ao alvinegro a mesma segurança que Jefferson passava. E assim o Botafogo foi seguindo na libertadores.

Gatito Fernandes: um dos pontos positivos no ano

De pouco em pouco, sem grandes nomes, sem holofotes, e um tanto desacreditado, o Botafogo foi eliminando times já campeões da competição, um a um, e despertando não só nos torcedores, mas também na imprensa esportiva, a esperança de que 2017 poderia sim trazer grandes conquistas ao Glorioso.

Na Copa do Brasil o Botafogo também avançava, chegando às semi finais contra o Flamengo. E aqui caímos no que foi dito anteriormente: almejar pouco. 

O Botafogo iniciou a segunda partida da semi final almejando o empate. O histórico de defesas do adversário, e a confiança em Gatito, levaram o Botafogo a fazer uma partida apática, claramente na intenção de levar a decisão aos pênaltis. Porém, o resultado foi um time que não atacou, e como diz o velho ditado futebolístico, quem não faz, leva. E levou. O flamengo eliminou o Botafogo por 1x0, único gol das duas partidas. E aí começou a ruir a esperança alvinegra.

Menos de 15 dias depois, viria a decisão contra o Grêmio. Quartas de final da Libertadores. Título inédito na história alvinegra, e última esperança de levar alguma taça para General Severiano na temporada. E apesar de uma postura completamente diferente da Copa do Brasil, o Botafogo ainda foi eliminado. Dolorosamente, frustrantemente eliminado. Só restava ao alvinegro encerrar o campeonato Brasileiro com dignidade, e garantir pelo menos a classificação para a libertadores do ano seguinte.

Mas um time que ao ser eliminado das duas competições que disputado, foi ovacionado e confortado com palavras de “tudo bem, vocês se superaram”, se sente na obrigação de conquistar algo? Talvez não. E assim foi. A mentalidade de clube pequeno se apossou do Botafogo, que parecia não sentir mais que chegar longe nas competições, era o mínimo que um clube do tamanho de sua história deveria fazer. E apesar das oito vagas classificatórias para a Libertadores, o Glorioso amargou a décima posição na competição.

Roger: bom início, comoção e saída pela porta dos fundos

De fora da Libertadores de 2018, o Botafogo perde dinheiro proveniente da competição, perde cotas de TV, perde possíveis patrocínios. Perde renda de sócios torcedores. Sem dinheiro, o clube não sustenta mais os maiores salários do elenco, e a barca começa a ser preenchida. Contratações são mais difíceis. O maior nome levantado pelo clube até agora foi o de Rafael Moura, negociação que já foi por água a baixo. Nomes de peso parecem fora de cogitação dentro das limitações orçamentárias do clube, e a esperança se volta para a base e para jogadores das divisões inferiores. A próxima temporada promete ainda mais desafios e limitações do que a que se encerra, e o futuro do Botafogo parece incerto. 

Ao botafoguense, resta a esperança de que não seja mais um ano de quase, ou pior. Um ano de luta contra o rebaixamento.

Ao Botafogo, resta escolher entre dois caminhos: se conformar com “chegar longe”, e achar que apenas a superação é um grande feito, ou lutar por títulos expressivos e voltar ao lugar de honra e de peso do qual jamais deveria ter se permitido sair.
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