quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Copa América ida e volta - A Celeste Uruguaia campeã em 1983

Por Lucas Paes 

O Uruguai campeão na última Copa América no sistema ida e volta, em 1983

Torneio de seleções mais antigo do mundo, a Copa América começou a ser realizada em 1916, com sede na Argentina. Até então chamada de Campeonato Sul-Americano de Seleções, a competição era sempre disputada em um sede até a edição de 1967. Em 1975, depois de oito anos, a Conmebol reorganizou o torneio, que voltou a ser disputado com duas novidades: houve a mudança de nome, para Copa América, e também não haveria sede fixa. Os jogos seriam no sistema ida e volta. O formato seguiu assim até 1983. 

Tal mudança ocorreu devido à crise financeira vivida pela Conmebol. Foram disputadas três edições desta forma e O Curioso do Futebol faz uma série contando estas edições e chegamos à última delas, com o título uruguaio em 1983.

A equipe da Celeste Olímpica, comandada por Omar Borrás, tinha nomes de peso como Rodolfo Rodriguez, Fernando Morena e Enzo Francescoli. Some isso a uma base de jogadores dos na época fortíssimos Nacional e Peñarol e você tem um timaço. Porém, apesar disto, o Uruguai ficou de fora da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, e 1982, na Espanha, e a geração buscava a reabilitação no mundo do futebol.

No Grupo A, a Celeste vinha sobrando no grupo, que também tinha Chile e Venezuela. Porém, uma derrota em Santiago quase pôs tudo a perder. Porém, os jogos contra os venezuelanos em Caracas fizeram a diferença. O Chile apenas empatou e o Uruguai venceu, garantindo a vaga na semifinal. Aliás, a Vinho Tinto foi outra vez vítima da maior goleada da competição, perdendo de 5 a 0 para La Roja, no dia 8 de setembro, em Santiago. 

A final entre Uruguai e Brasil

No Grupo B, Brasil e Argentina (aliás, aqui vai um adendo: nas três edições da Copa América no sistema ida e volta, a Canarinho e a Albiceleste caíram na mesma chave) tramaram uma disputa acirrada pelo primeiro lugar. O Equador acabou até sendo importante na decisão, já que os dois empates com a Albiceleste complicaram os platenses. Empatados em pontos com os argentinos, cada um com cinco, o saldo de gols classificou o Brasil. 

No grupo C, a primeira posição ficou com os peruanos, que venceram os dois jogos em casa e seguraram empates fora contra Colombia e Bolívia. O Peru acabou com seis pontos, diante de quatro dos Cafeteros e apenas dois dos bolivianos. 

Em uma das semifinais, o confronto foi marcado entre Peru e Uruguai. No primeiro jogo, em Lima, os uruguaios levaram a melhor e venceram por 1 a 0, gol de Aguillera. No segundo embate, no Centenário, Malásquez até abriu o marcador para os peruanos, mas Cabrera empatou, levando a Celeste à final e vingando a desclassificação nas Eliminatórias para a Copa de 1982.

Do outro lado da chave, o Brasil, dirigido por Carlos Alberto Parreira, teve pela frente o Paraguai, que entrou direto na semifinal por ter sido último campeão da competição. E o time verde amarelo arrancou um empate em 1 a 1 no Defensores Del Chaco e o 0 a 0 no Parque do Sabiá, em Uberlândia, garantiu à Seleção Canarinho a vaga na decisão pelo gol fora de casa.

Um dos gols do Uruguai

Depois de finais entre Peru x Colômbia e Paraguai x Chile, finalmente a Copa América voltou a ter um grande clássico sul-americano na final. No primeiro jogo, realizado em 27 de outubro, no Centenário lotado, Diego e Francescoli fizeram 2 a 0 para os uruguaios, dando uma boa margem para o jogo de volta.

O jogo decisivo foi no dia 4 de novembro, na Fonte Nova, em Salvador. O Brasil tinha a ingrata tarefa de descontar a vantagem de dois gols da Celeste e o gol de Jorginho, aos 23 minutos, deu esperança aos torcedores que estavam nas arquibancadas. Porém, Aguillera, aos 32' do segundo tempo, calou os presentes no estádio e deu o título ao Uruguai, o 12º na Copa América.

Além de levar a taça para casa, o Uruguai, mostrando que foi realmente a melhor equipe do torneio, teve um dos artilheiros, Aguilera, junto à Burruchaga, da Argentina, e ao brasileiro Roberto Dinamite, além de ter o melhor jogador da Copa: Enzo Francescoli. 

Quatro anos depois, a Copa América voltou a ter sede fixa, na Argentina. Porém, o regulamento era parecido. Claro que os jogos eram em turno único (até pelo fato de a competição ser disputada em um único país, eliminou a necessidade de se ter duas partidas), mas eram três grupos de três equipes, com o campeão da edição anterior entrando direto na semifinal e a taça, ao final, foi outra vez para mãos uruguaias. Desde então, nunca mais voltamos e provavelmente não voltaremos a ter Copa América em formato ida e volta.
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