segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Zezé Moreira – 109 anos do Mestre dos Mestres

Por Lucas Paes

Zezé Moreira no Cruzeiro, em 1976

Em 16 de Outubro de 1908, nascia em Miracema Alfredo Moreira Júnior, mais conhecido como Zezé Moreira. Irmão de Aymoré e Ayrton Moreira, que também foram treinadores, Zezé ficou conhecido como mestre dos mestres, sendo ídolo principalmente no Cruzeiro, onde construiu um time que marcou época com a camisa estrelada.

Como jogador, teve passagens por Flamengo, Botafogo, Palmeiras e América (RJ). Com fama de violento e ríspido, rebatia dizendo que também teve cicatrizes na época de boleiro. Foi porém como treinador que ele acabou ficando marcado como inovador, já que adotou um sistema de marcação que viraria referência não só no Brasil como no mundo inteiro.

No banco de reservas, começou no Botafogo, onde terminou um jejum de 13 anos sem taças vencendo o Carioca de 1948. Depois, no Fluminense, também foi campeão estadual. No meio de sua passagem nas Laranjeiras, conquistou o Pan-Americano de 1952 com a Seleção Brasileira. Naquele mesmo ano, na volta ao Flu, ganhou a Copa Rio. Após a má campanha do irmão Aymoré no Sul-Americano de 1953, foi chamado pela CBD para comandar o Brasil na Copa do Mundo de 1954.

Foto da famosa "chuteirada" contra a Hungria, em 1954

Questionado pelos métodos de treinamentos pesados, Zezé tinha fama de retranqueiro e foi muito críticado naquela Copa por adotar a marcação em zona. Diferente, o sistema ainda não era muito usado e compreendido na época, mas tinha suas vantagens, ao evitar que um jogador de defesa fixasse a marcação em um de ataque muito melhor que ele (algo que ocorreu no Maracanazzo). A idéia era deixar o sistema defensivo mais sólido. 

Porém, a eliminação brasileira para a Hungria de Puskas acabou por minar qualquer reconhecimento ao técnico. No dia da derrota pra os Magiares, acabou envolvido em uma confusão, onde foi acusado de atacar com uma chuteira o treinador adversário, Gustav Sebes, reagindo a uma cusparada de um jogador húngaro.

Apesar das criticas e das dúvidas, o "Mestre dos mestres" seguiu com a carreira e conquistava títulos por onde passava. Nas duas passagens pelo tricolor carioca, acabou marcando um jogador com sua metodologia. Telê Santana virou admirador e teria influências do estilo de Zezé na montagem de seus imensamente vitoriosos esquadrões.

Esteve mais de uma vez na comissão técnica do Brasil

Ele não se limitou ao sucesso em terras brasucas. Em 1963, foi ao Uruguai, onde acabaria com o título uruguaio comandando o Nacional, repetiria a dose em 1969. Seu título mais impactante na casamata, porém, viria já no final de sua carreira, quando ele esteve no Cruzeiro: a Libertadores de 1976, um troféu que rechaçou a fama de retranqueiro, já que a Raposa marcou 46 gols na competição, número absurdo até para os padrões atuais.

Naquele ano, o time mineiro ganhou o direito de disputar o torneio sul-americano devido ao vice campeonato do Brasileirão no ano anterior. Contando com jogadores como Nelinho, Piazza e Jairzinho, aquela equipe criou a fama da La Bestia Negra e encantou a América do Sul. Zezé Moreira acabou marcado para sempre na memória afetiva do torcedor cruzeirense, montando uma das equipes mais brilhantes da história do futebol brasileiro.

Reportagem sobre a final da Libertadores de 1976

Os Celestes acabaram fazendo goleadas durante todo o torneio, incluindo uma no primeiro jogo da final, diante do River Plate. Também escreveu placares como um 7 à 1 diante do Alianza Lima, do Peru, um 4 x 1 para cima do Olimpia e um jogaço contra o Internacional que terminou em 5 a 4 para os mineiros. 

Seu último clube como treinador foi o Canto do Rio, em 1981. Apesar disso, fez parte da comissão técnica da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986. Também esteve na comissão técnica em 1982, com Telê Santana e em todas as Copas entre 1958 e 1970. Faleceu em 10 de Abril 1998, devido a falência respiratória, no Rio de Janeiro.
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