quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Na Bolívia o futebol é jogado nas alturas, literalmente, para o sufoco dos adversários

Por Lula Terras

Estádio Hernando Siles, em La Paz

Um dos tabus que ainda se mantém vivo no futebol, apesar da ciência já ter evoluindo muito é a interferência que as grandes altitudes provocam no organismo dos atletas das equipes que enfrentam os times locais. A maioria das reações provocadas pela altitude no corpo é causada pelo fenômeno da hipóxia, que é a falta de oxigênio no organismo, situação que poderia ser neutralizada, caso os atletas ficassem cerca de 30 dias, no local, se aclimatando com a nova altitude. Esse recurso é praticamente impraticável, devido à logística ser muito custosa, e para amenizar, algumas alternativas são utilizadas pelos clubes visitantes. A mais utilizada é chegar, alguns instantes antes da partida, já que as reações mais agudas se manifestam, cerca de 120 minutos, depois de o corpo chegar nesta altitude.

Esse problema ganha mais destaque, geralmente durante a Copa América, quando as demais seleções participantes se vêm obrigadas a jogar em La Paz, na altitude de 3.660 metros acima do mar, para enfrentar a Bolívia, pais sem muita tradição no futebol mundial, e que conta com apenas três participações em Copas do Mundo, em 1930, no Uruguai; 1950, no Brasil, e na de 1994, nos Estados Unidos.

Também, no Peru, existe problema semelhante, onde o Club Sportivo Cienciano, enfrenta seus adversários em competições continentais, como a Libertadores da América e Copa Sulamericana, na cidade de Cuzco, com seus 3.400 metros acima do mar.

Estudos confirmam que, os esforços desprendidos por atletas, não acostumados com grandes alturas, acabam provocando efeitos negativos, em várias partes do corpo, como no cérebro, coração, pulmão, músculos e até no sangue, onde a falta de oxigênio aumenta o número de glóbulos vermelhos, para até 60%, do volume do sangue, tornando-o mais espesso. Com isso, ocorreram inúmeros registros de atletas desmaiarem em campo. Tem sido comum, também, ver as equipes visitantes, com vários tubos de oxigênio, para atender seus atletas para recuperar as forças e continuar jogando.

Numa tentativa de acabar com o problema, o comitê executivo da Fifa decidiu, em 2007, proibir jogos internacionais de futebol, em cidades com altura acima de 2.500 metros acima do mar. Após campanha liderada pelo presidente boliviano, Evo Morales, a entidade máxima da modalidade acabou voltando atrás na decisão. Enfim, a saga das equipes e seleções de enfrentar bolivianos e peruanos nas alturas vai continuar por muito tempo, vamos torcer então, para que a ciência apresente melhores resultados e os atletas não sofram tanto, no exercício de sua profissão.
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