terça-feira, 1 de agosto de 2017

No futebol de hoje, Milton Buzetto seria um treinador valorizado

Por Lula Terras

Milton Buzetto era conhecido como o "Rei da Retranca" (foto: Revista Placar)

Em sua reta final do 1° Turno, o Campeonato Brasileiro já tem seu campeão informal: o Corinthians, que vem segurando uma invencibilidade desde a primeira rodada, com seu futebol baseado na defesa forte e contra-ataques bem ensaiados, pelo treinador, Fábio Carille. Discípulo de Tite, atual treinador da Seleção Brasileira, Carille é considerado pela grande mídia, como a grande revelação do ano.

Esse fato vem sendo divulgado, quase à exaustão pelos brilhantes jornalistas esportivos, que consideram um grande feito. Até uma estatística foi apresentada na manhã de segunda-feira, dia 31, durante programa Bom Dia São Paulo, para mostrar que não tem para mais ninguém neste ano.

Vale lembrar que este sistema de jogo, embora tenha surgido, com destaque no continente europeu, para neutralizar o futebol brasileiro, reconhecido como o "País do Futebol", por priorizar o talento dos atletas, tivemos no Brasil um treinador, que ganhou fama, nas décadas de 60 e 70, ao impor nos times que dirigia um sistema que ficou conhecido como retranca.

Trata-se do ex-atleta e ex-treinador, Milton Buzetto que, felizmente ainda vive e mora no Interior de São Paulo, com seus quase 80 anos, a ser completado em 14 de novembro. Caso estivesse na ativa, certamente, Milton Buzetto seria uma grande estrela no futebol brasileiro, situação bem diferente de sua época, quando a imprensa e torcedores de clubes grandes torciam o nariz para seus feitos.

Embora tenha atuado, como atleta e treinador em várias equipes brasileiras, foi no CA Juventus, da capital, que conseguiu maior identificação, por ter vivido lá, por 17 longos anos, sendo 10 como jogador, e outros sete, como treinador. Embora o apelido de Moleque Travesso que o Juventus ganhou na década 30, foi nas décadas de 60 e 70, que o apelido ganhou mais força, justamente pelas mãos de Buzetto, por surpreender as grandes equipes brasileiras naquele período, com seu sistema retranqueiro.

Em entrevista concedida já há, algum tempo, Buzetto apontou como inesquecível, a vitória de seu Juventus, contra o Corinthians, por 1 a 0, no dia 13 de março de 1971, resultado, considerado como a grande zebra da Loteria Esportiva, naquele período, e que teve, apenas um ganhador naquela rodada.

Para mim, mesmo com esta mudança de perfil, eu continuo amante do futebol bem jogado, e valorizo o talento, ao invés da disciplina tática, que é tão apregoada nesses dias. Confesso que, nas vezes que vejo uma partida de futebol, vou na esperança de presenciar o ressurgimento do melhor futebol e garanto que este encantamento, que nasceu em mim, vai morrer comigo.
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Um comentário:

  1. Bacana resgatar personagens antigos da histórias, mas vamos lá aos pontos táticos da coisa.

    1- O Futebol que se jogava nos anos 60 e 70 era literalmente OUTRO ESPORTE, não tem como cravar que o treinador se daria bem nos dias de hoje por ser considerado defensivista em relação ao futebol que se jogava na época.

    2- "Vale lembrar que este sistema de jogo, embora tenha surgido, com destaque no continente europeu, para neutralizar o futebol brasileiro"
    é o que?
    As evoluções táticas realmente são reações para neutralizar equipes que estão ganhando, mas o que tem a ver o Brasil com isso?

    O Catenaccio Italiano dos anos 60, primeira forma de defensivismo foi criado por Helenio Herrera pra neutralizar clubes ofensivos nas competições europeias, Clubes Ingleses e Espanhois na época eram muito rápidos, com foco total no ataque e o Herrera criou um sistema pra contra atacar essa tendencia, Brasileiro tem mania de se achar o centro do universo do futebol pela quantidade de copas do mundo que tem, mas as revoluções táticas, métodos de treino, entre outras coisas surgiram na Europa, tanto que ainda hoje poucos por aqui aprenderam que futebol não é só 'jogar bola', e continuam idolatrando peladeiros sem disciplina sem posicionamento.

    3- O Sistema de Tite e Carille é diferente da maioria dos sistemas Brasileiros, aqui ainda se usa muita marcação individual, toca no craque que resolve, guarda o garoto habilidoso pra entrar no segundo tempo e driblar todo mundo... enquanto eles seguem a tendencia do futebol mundial, marcação por zona, pressão,duas linhas de 4, contra ataque....

    Sistemas de jogos são inúmeros,mas o Brasil JÁ NAQUELA ÉPOCA era um país futebolisticamente atrasado, centrado só no que tem aqui dentro,não atoa hoje colhe, ou melhor, não colhe nada porque não plantou, vive escorado em glorias antigas, é uma arrogancia por ter mais copas do mundo que esqueceram de evoluir, essa crença de que talento resolve tudo, vem do berço, drible, etc, etc, só faz o futebol brasileiro ficar mais pra tras em relação ao europeu e até ao dos proprios vizinhos do mar del plata.

    Basta procurar a quantidade de treinadores Argentinos em clubes de primeira divisão na europa, e a quantidade de brasileiros... os que já foram, fracassaram e viraram piada

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