segunda-feira, 17 de julho de 2017

Liverpool 2005 - O Milagre de Istambul

Por Lucas Paes


O título europeu de 2005 foi a última grande conquista dos Reds

Recentemente, o Curioso do Futebol fez uma matéria sobre a virada do Manchester United para cima do Bayern em 1999. No texto de hoje, o milagre lembrado é outra vez de um time inglês, desta vez do Liverpool, arquirrival dos Red Devils e clube inglês com maior número de títulos internacionais. Em 2005, Liverpool e Milan travaram o duelo que é considerado por muitos a maior final de Liga dos Campeões de todos os tempos. 

A história do título do Liverpool, que não teve apenas a final como um "milagre", começou na temporada anterior, com a classificação para a Liga dos Campeões vindo após o quarto lugar na Premier League. Na primeira fase classificatória, a equipe da terra dos Beatles pegou o Grazer, da Áustria, vencendo por 2 a 0 no primeiro jogo, disputado fora de casa. Na volta porém, uma preocupante derrota em Anfield acendeu o alerta nos Reds.

Na primeira fase, o Liverpool pegou um grupo que tinha o Deportivo La Coruña, o Mônaco e o Olympiakos. A estréia foi com vitória diante dos monegascos por 2 a 0. Depois, derrota para o Olympiakos no Pireu e empate com o La Coruña em Anfield. No returno dos grupos, após um triunfo contra os espanhóis fora de casa e uma derrota para os franceses, os Reds precisariam vencer o Olympiakos no Anfield por dois gols de diferença para passar da fase de grupos.

O jogaço diante do Olympiakos.

A classificação para o mata-mata quase não aconteceu. Rivaldo colocou os gregos a frente e tornou a missão quase impossível. Mas os gols de Sinama e Mellor deixaram os mandantes a uma bola na rede da classificação. Já no finalzinho, um torpedo de Gerrard classificou o Liverpool para a fase de mata-mata.

Nas oitavas-de-final, os Reds eliminaram o Bayer Leverkusen, com duas vitórias por 3 a 1. Nas quartas, a vítima foi a Juventus de Del Piero, Trezeguet, Ibrahimovic e grande elenco, após uma vitória por 2 a 1 no Anfield e um empate em Turim. Nas semis, a classificação sobre o Chelsea com um polêmico gol de Luis Garcia (a bola não entrou), este jogo seria só o incio de uma rivalidade que agitaria a Europa nos anos seguintes.

Enfim, 25 de Maio de 2005, Istambul e o Milan de Kaká, Shevchenko, Seedorf e cia, que entre outros feitos tinha eliminado a arquirrival Internazionale nas quartas. Com um time melhor e com o favoritismo, os Rossoneros sairam a frente logo aos 15 segundos, numa belíssima cobrança de falta de Pirlo, que colocou a bola na cabeça de Maldini, o eterno capitão milanista marcou o primeiro gol da decisão.  

Jogadores do Milan comemoram o gol de Maldini 
(Foto: Getty Images)

Buscando o empate, os Reds partiram para cima e tiveram sua primeira boa chance em uma cabeçada de Hyppia, onde Dida fez boa defesa. Depois, Shevchenko teve um gol anulado por impedimento. Já no finalzinho da primeira etapa, o Milan ampliou a vantagem duas vezes: primeiro, aos 39', em um rápido contra ataque, Shevchenko deu belo passe e Crespo marcou, cinco minutos depois, em outro contra ataque, Kaká deu lançamento espetacular para Crespo, que encobriu Dudek e marcou o terceiro.

Com a imensa vantagem no placar, parte da torcida milanista já iniciava as comemorações do título. Do outro lado, numa bonita demonstração de apoio, os torcedores ingleses gritavam a plenos pulmões o hino "You'll Never Walk Alone". Mesmo entre os mais fiéis torcedores do Liverpool, seria difícil encontrar alguém que acreditasse que o time ainda tinha chances.

O coro dos torcedores pareceu inflamar os Reds, que voltaram pressionando no segundo tempo e quase marcaram com Xabi Alonso. Pouco depois, porém, num descuido, uma falta cometida em um rápido contra ataque do Milan quase rendeu o quarto gol, mas Dudek fez uma defesaça, após o chute de Shevchenko. 


A torcida do Liverpool em Istambul (Foto: David Rawcliffe)

A partir dos 9 minutos, um furacão vermelho devastou a organização milanista. Primeiro, Riise precisou tentar duas vezes até encontrar a cabeça de Gerrard, o capitão marcou o primeiro gol dos Reds. Dois minutos depois, Smicer chutou de longe e Dida falhou. Apavorados, os milanistas se fecharam e viram um rápido contra ataque se tornar uma chance clara de Gerrard, que foi empurrado por Gattuso, pênalti.

Não foi o capitão do Liverpool quem foi para a cobrança, o espanhol Xabi Alonso chamou a responsabilidade. A cobrança não foi boa e Dida defendeu, mas o camisa 14 dos Reds estava atento no rebote e mandou a bola para as redes. Inacreditavelmente, estava tudo igual em Istambul, em cinco minutos, o jogo foi de definido para completamente aberto.

Logo depois, Riise soltou um torpedo de pé esquerdo e obrigou Dida a fazer uma defesaça para evitar a virada. Acordando aos poucos, o Diavolo voltou a atacar, e o autor do gol de empate salvou um gol certo de Shevchenko em cima da linha. Voltando a atacar, a equipe italiana seguiu desperdiçando chances com Kaká e Stam.

 Gols, melhores momentos e pênaltis.

Na prorrogação, a pressão continuou sendo dos italianos. Na etapa final do tempo extra, Dudek fez duas defesas milagrosas em duas tentativas de Shevchenko. Apesar de todas as finalizações milanistas, o jogo foi mesmo para a loteria dos pênaltis.

Nas cobranças da marca da cal, o Milan começou com Serginho, que chutou para fora. Na primeira do Liverpool, Hamann marcou. Na segunda milanista, Dudek defendeu o chute de Pirlo. Cisse marcou o segundo para os Reds. Na terceira chance milanista, Tommasson marcou e Dida defendeu a batida de Riise, trazendo os Rossoneri de volta para a partida. Depois da defesa de Dida, tanto Kaká quanto Smicer acertaram os penais para ambos os lados. Herói milanista no título de 2003, o ucraniano Shevchekno teve sua cobrança defendida por Dudek e o título foi para Liverpool.

A festa vermelha tomou conta das ruas da cidade dos Beatles e do estádio em Istambul. Era o quinto título europeu do Liverpool, após uma longa espera de 21 anos. Dois anos depois, os Reds e os Rossoneros voltaram a se enfrentar em Atenas, mas dessa vez a vitória seria milanista, em noite iluminada de Inzaghi. O título de 2005 foi a última grande conquista vermelha, já que o pentacampeão europeu passou por uma crise no final da década e ainda tenta recuperar os bons tempos. 

Shevchenko lamenta o pênalti perdido (Foto: Getty Images)

FICHA TÉCNICA:
Milan 3 x 3 Liverpool 
Nos pênaltis, Milan 2 x 3 Liverpool

Data: 25 de Maio de 2005
Local: Estádio Olímpico Ataturk - Istambul/Turquia
Árbitro: Manuel Mejuto Gonzáles (Espanha)
Assistentes: Oscar Martínez Samaniego e Clemente Ayete Plou (Espanha)

Cartões Amarelos
Liverpool:
Carragher e Baros
Gols:
Milan:
Maldini, a 1', Crespo aos 39' e aos 44' do primeiro tempo
Liverpool: Gerrard aos 9', Smicer aos 11' e Xabi Alonso aos 16' do segundo tempo

Milan: Dida; Cafu, Jaap Stam, Alessandro Nesta e Paolo Maldini; Gennaro Gattuso (Rui Costa), Andrea Pirlo, Clarence Seedorf (Serginho) e Kaka; Hernan Crespo (Tomasson) e Andriy Shevchenko - Técnico: Carlo Ancelotti

Liverpool: Jerzy Dudek; Steve Finnan (Hamman), Jamie Carragher, Sami Hyypia e Djimi Traore; Xabi Alonso, Steven Gerrard, John Arne Riise e Luis Garcia; Harry Kewell (Smicer) e Milan Baros (Cisse) - Técnico: Rafa Benitez
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