Mais um crime que entristece o futebol e está fadado ao esquecimento

Por Lula Terras

Torcedor sendo carregado após uma briga. Há muita coisa que deve ser repensada

Mais uma vez, a violência mancha de sangue o já combalido futebol brasileiro, com a morte de um torcedor e ferimentos graves em outros, no domingo, dia 12, provocados por criminosos que circulavam de carro, nas proximidades do Estádio Nilton Santos, o Engenhão, onde jogariam, pouco depois, Botafogo e Flamengo, pelo Campeonato Carioca.

Assim como tem ocorrido em outros fatos como esses, a imprensa divulga por um período, as autoridades policiais prometem empenho na identificação dos criminosos e as demais autoridades constituídas aproveitam para treinar seus discursos de campanha. Esse empenho todo segue até que caia no esquecimento, ou seja, substituído por outro fato, de igual peso.

Triste isso, triste mesmo, por constatar que, passado esse período, esse crime passará a ser mais um dado nas estatísticas policiais sobre a violência no futebol brasileiro. E, o que é pior, acaba ganhando mais força a esdrúxula tese da presença de torcida única nos estádios, que é mais cômoda para os policiais que, teoricamente teriam menos trabalho para controlar aqueles, que eles chamam de briguentos, e também para o poder público, que prefere que a tese de uma sociedade falida seja comprovada do que garantir o direito do torcedor ir ao estádio torcer para o seu time (e dizemos o torcedor. O criminoso, é claro, deve ser preso e condenado).

Só um lembrete para esses teóricos: esse crime aconteceu fora no Estádio, então, para mim a tese de torcida única nos estádios nos clássicos não pega. Só para se ter uma ideia de quão tola é esta tese e estão forçando isso é que, ao menos em São Paulo, estão pensando em levar a ideia de clássico com torcida única para os confrontos em cidades menores, o que chega a ser o cúmulo do absurdo.

Fora isso, devemos ressaltar que o futebol, já não vive seus melhores momentos, tanto na qualidade técnica de nossos atletas, que é prioridade secundária para os treinadores, que insistem em priorizar a educação tática de seus grupos. Também sofre nas mãos de maus dirigentes e empresários vorazes, que não abrem mão do lucro fácil.

Aí fica a pergunta à todos esses setores citados no texto. Com esses dados expostos, que estão afastando o público dos estádios, a olhos vistos, é só ver as estatísticas dos jogos, o que mais falta para que medidas sérias e honestas sejam tomadas? O que seria o melhor: prender os culpados ou proibir o torcedor que nada fez de ir ao estádio do adversário apoiar o seu time? O que precisa para que a gente volte a ter orgulho do futebol brasileiro?
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