terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Rock & Futebol – Pepinho Macia

Pepinho Macia na época em que dirigia o Sub-20 do Santos FC (foto: assessoria Santos FC)

Depois de alguns meses, a série Rock & Futebol volta em O Curioso do Futebol com, provavelmente, a pessoa que mais se identifica com os dois assuntos juntos: Alexandre Macia, o Pepinho.

Filho de um dos maiores jogadores e treinadores da história do futebol brasileiro, o ponta esquerda Pepe, que fez história no Santos FC e foi bicampeão mundial com a Seleção Brasileira, Pepinho ficou muito conhecido no meio do rock/metal da Baixada Santista e São Paulo ainda na década de 80, pois promovia excursões de Santos para os shows na Capital Paulista, organizou shows, apresentou programa em rádio e teve uma das melhores lojas do estilo de todo o país: a Metal Rock, que ficava no bairro do Gonzaga, em Santos.

Na segunda metade da década de 90, Pepinho tomou um outro rumo: virou treinador de futebol e também teve sucesso. Chegou a ser assistente de seu pai em alguns clubes, com destaque para a campanha da Portuguesa Santista semifinalista do Paulistão 2003, e depois fez belíssimo trabalho dirigindo as equipes de base do Santos FC, com destaque para os títulos da Copa do Brasil de 2013 e Copa São Paulo de 2014, ambos no sub-20.

Tarso (Carnal Desire) e Pepinho, em frente à loja no Gonzaga
(foto: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia)

Batemos um papo com este grande cara, que você pode conferir abaixo:

O Curioso do Futebol - Pepinho Macia, primeiramente obrigado por estar nos atendendo. Antes de mais nada, além de você ser filho do Pepe, um dos maiores jogadores da história do futebol, qual foi a sua relação com o esporte na infância e adolescência? Você chegou a jogar nas categorias de base de algum clube?

Pepinho Macia - Olá Victor! Prazer falar com você! Meu contato com o futebol começou praticamente no berço. Quando nasci, meu pai ainda era jogador de alto nível daquele Santos mágico da década de 60. Depois, na década de 70, ele seguiu como Treinador e o futebol sempre esteve incutido na minha vida, infância e adolescência. Eu joguei por cinco anos na base do Santos e um ano na Portuguesa Santista 

OCDF - E a paixão pelo rock. Quando e como começou?

PM - A paixão pelo Rock começou mesmo na adolescência, final dos anos 70, com amigos de rua, sem influências de ninguém da família. Coisa minha mesmo, amor a primeira vista!! 

OCDF - Quando foi que você montou a Metal Rock? De onde veio a ideia?

PM - A Metal Rock Discos foi fundada em 1983, graças ao incentivo de amigos que frequentavam minha casa quase diariamente pra curtir um som. Nessa época, eu já estava cultivando uma bela coleção de discos, que hoje beira os 30 mil itens!

Com o Viper, no inicio da década de 90
(foto: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia)

OCDF - E o programa de rádio. Como começou?

PM - O Hard n'Heavy surgiu ainda nos anos 80, na extinta 95 FM. Nessa época pós Rock in Rio I, o Rock/Metal estava em alta e começava a ter espaço nas rádios. Foram cinco anos na 95 FM e mais dois na 98 FM, ambas emissoras da Baixada Santista. A audiência era incrível! Primeiro lugar da Rádio!

OCDF - Além disso, você também promovia shows. Quais bandas você organizou shows?

PM - O final dos anos 80 e início dos 90 foram de muito trabalho! O Rock estava no ápice de popularidade mundial. Nessa época, além da loja, a gente tinha o programa na Rádio, as Excursões para os Shows que rolavam em São Paulo, e que até hoje continuam, o selo que laçou três álbuns e os shows em Santos.

A gente trouxe várias vezes para Santos bandas como Viper, Ratos de Porão, Korzus, Sepultura, Dorsal Atlântica, Angra, Dr. Sin, entre muitos outros. Depois, nos anos 90, vieram os shows gringos e a gente entrou de cabeça nas produções. Trouxemos pra Santos alguns shows incríveis que a gente conta pra galera mais nova e eles ficam boquiabertos ao saber que já tocaram em Santos bandas como Saxon, King Diamond, Mercyful Fate, Gamma Ray, Bioharzard, Exodus, Napalm Death, NOFX, Millencollin, Shelter, Rotting Christ, Madball, entre outros (N.R.: muitos desses com a presença deste entrevistador).

OCDF - Nesta época, mesmo sendo um “profissional do rock”, você acompanhava o futebol? Tinha interesse em trabalhar com o esporte naquela época?

PM - Nessa época nunca deixei de acompanhar a carreira do meu pai como treinador vitorioso que sempre foi e, paralelo a isso tudo, a gente tinha envolvimento com o futebol de várzea de Santos. Tínhamos um time que ganhava tudo! E eu já acumulava a função de jogador e treinador.

Com o pai, em casa (foto: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia)

OCDF - Quem o conhece sabe que você tem um ‘olho clínico’ para ver qual jogador tem futuro e quase sempre acerta, mesmo na época em que você se dedicava 100% ao rock. Quando veio a ideia de trabalhar com futebol?

PM - Modéstia à parte, realmente tenho facilidade em apontar jogadores que acabam despontando futuramente, foi assim durante os quase oito anos trabalhando nas categorias de base do Santos. Em 1996, eu fechei a Metal Rock, pois era a época da chegada da internet e o desinteresse pela compra de CDs e LPs era grande. Então, pra não dar murro em ponta de faca, resolvi encerrar as atividades da loja. Nessa época, meu interesse por seguir carreira no futebol havia aumentado muito, já tinha feito alguns cursos de técnico de futebol e meu pai me incentivou a ir por esse caminho. Ele achava que eu levava jeito pra coisa.

OCDF - Antes de chegar ao Santos FC, você passou por quais clubes? Em quais deles você chegou a dirigir a equipe profissional e em quais você foi assistente técnico de seu pai, o Pepe?

PM - Pouca gente sabe, mas quando fui trabalhar no Santos eu já havia trabalhado em 14 equipes! Não era um paraquedista, pois já tinha certa experiência. Meu primeiro clube foi o Independente de Limeira, onde comecei em 1998, como técnico do Sub-17, depois Sub-20 e auxiliar do Profissional. Depois vieram muitos outros: fui técnico do time Profissional do Lemense, Velo Clube, São Vicente, Independente de Limeira, Juventude-MT e Balneário Camboriú. Em outros clubes, atuei como técnico da base ou auxiliar do Profissional, como Paulista de Jundiaí, Ferroviária e Bragantino. Com meu pai, trabalhei em três clubes, todos com muito sucesso. Portuguesa Santista, onde além de tirarmos de um rebaixamento quase inevitável, no ano seguinte fizemos a maior campanha da Briosa em um Paulistão, no Guarani de Campinas, no Brasileirão, e no Al Ahli, do Qatar, onde o nosso principal jogador era o Guardiola, hoje um dos técnicos tops do futebol mundial.

OCDF - Um capítulo à parte. Você foi assistente técnico do Pepe na Portuguesa Santista, assumindo o cargo em 2002, quando o clube lutava contra o rebaixamento. Ainda dirigiu o sub-20 do clube no mesmo ano e fez parte da comissão técnica na bela campanha de 2003. Como foi trabalhar no clube?

PM - Na Portuguesa Santista foi uma coisa de amar o que faz mesmo, de ter carinho pelo Clube. Pegamos a equipe em 2002 em último lugar, há cinco pontos do penúltimo lugar faltando cinco rodadas, onde tudo indicava o rebaixamento, mas conseguimos juntamente com os jogadores e comissão uma reação incrível e a Briosa não caiu. No ano seguinte, montamos o time do zero e conseguimos encaixar uma equipe forte. Quando os grandes abriram os olhos, a gente estava na semifinal jogando por dois empates contra o São Paulo de Kaká e cia. Ganhamos do Santos, que havia acabado de ser Campeão Brasileiro, por 2 a 0 e eles não viram a cor da bola. Foi lindo!

Passando orientações ao volante Lucas Otávio
(foto: Assessoria Santos FC)

OCDF - Quando você chegou ao Santos FC? Quem foi que te levou ao clube e como foi a recepção? Em algum momento você chegou a sentir a pressão por ser filho do Pepe?

PM - No Santos, quem me levou foi o Marcelo Teixeira. Claro que sempre houve desconfiança por ser filho do Pepe, sabia que teria que carregar para sempre essa desconfiança e pressão. Sabia que só quando a oportunidade aparecesse eu poderia apagar essa imagem e a oportunidade veio.

OCDF - Você teve belos momentos no Sub-20 do Santos FC, conquistando a Copa do Brasil de 2013 e a Copa São Paulo de 2014, ganhando todos os jogos. O que você lembra desta etapa?

PM - Sim, foram anos incríveis quando tive a chance de tomar conta do Sub-20 do Santos. Antes, nós já havíamos tido êxito sendo campeões da Copinha de 2013, como auxiliar técnico do Claudinei Oliveira, que de forma brilhante comandou a equipe ao título (antes disso, três títulos de Campeão Paulista já estavam no bolso nas categorias de base). Quando o Claudinei assumiu o comando do Profissional, eu acabei assumindo o Sub-20. Minha estreia foi no Paulistão da Categoria, um Santos 4 a 2 no São Vicente. Foram dois anos e meio no Sub-20 regados de muito êxito! Diversos títulos como a Copa do Brasil, Mundialito da África do Sul, em uma semifinal contra o Boca Juniors e final contra o Benfica, mas o mais incrível foi o título da Copa São Paulo de Juniores de 2014. Foram oito jogos, oito vitórias, 24 gols marcados e apenas dois sofridos! Uma das maiores campanhas da história! E o mais importante de tudo: dezenas de jogadores revelados atuando no time de cima. O Santos chegou a entrar em campo  com dos 18 relacionados, 12 trabalharam com a gente! 

OCDF - Ao final da primeira fase do Paulista Sub-20 de 2015, você saiu do comando técnico da equipe. Houve convites para treinar outras equipes? Há algo em vista?

PM - Em 2015, houve mudanças no gerenciamento da base e total incompatibilidade de ideias e o melhor foi sair, infelizmente. De lá pra cá, bem... prefiro não comentar. Tive algumas conversas, mas nada se concretizou. Recentemente, estive na China por duas semanas a convite do Governo local, mas não acertei nada ainda por não ser uma função que estou acostumado. Quero seguir como técnico de futebol, pois sei que sou bom e já provei isso. Continuo sem clube no momento.

No comando de Pepinho, o Santos FC conquistou a Copa SP de Juniores de 2014

OCDF - Mesmo trabalhando com o futebol, você nunca deixou o rock de lado, inclusive continuando a promover shows e excursões, mesmo que de modo menos intenso que nos anos 80 e 90. Como foi conciliar as duas atividades?

PM - Sim, na época que era auxiliar era mais tranquilo, mas quando assumi o posto de treinador ficou difícil e parei com a produção de shows em Santos. Atualmente voltei com as excursões, pois tenho que pagar minhas contas e nada como fazer algo que você gosta. Quando eu ganhei tudo no Santos, o pessoal achava legal o técnico roqueiro. Depois que a campanha não foi tão boa, diziam que não queria saber de nada, só do Rock. Isso é ridículo! Sempre fui 100% empenhado e concentrado em meu trabalho no Santos e nos outros clubes por onde passei e uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas futebol é assim .

OCDF - O Curioso do Futebol agradece a sua atenção e deixa o espaço para você acrescentar algo.

PM - Queria te agradecer pelo espaço! Grande abraço e aproveitar para parabenizar a Briosa, diretoria e comissão técnica que levaram à Portuguesa ao título e acesso a Série A-3. Valeu!!

Se você quiser conhecer mais o trabalho do Pepinho Macia, há duas páginas no Facebook onde fala da parte de futebol, onde mostra os seus trabalhos e novidades, e do rock, onde anuncia as excursões. Entrem e curtam!
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