Papai Noel, quero um presente: a volta do velho e maravilhoso futebol brasileiro

Por Lula Terras

Sabemos que você, Papai Noel, adora jogar futebol

Estamos na véspera do Natal e, como diz a tradição, Papai Noel está aí para atender a todos os pedidos de seus fiéis seguidores. Como guardo na lembrança a fase áurea do futebol brasileiro, tomo a liberdade de fazer um pedido especial ao bom velhinho: tem como trazer de volta aquele futebol de antigamente, quando o talento sobrepunha a força física e aos irritantes ferrolhos que nos foi imposto por treinadores europeus, e agora é imitado, de forma incompetente, pelos treineiros do lado de cá?

Até entendo, Papai Noel, que os mais jovens não tiveram a oportunidade de ver pessoalmente os grandes craques, aqueles que faziam jus a palavra, mostrar seu talento pelos gramados, mas, acho um pecado que o futebol continue sendo o que ele é hoje, da busca por resultados, custe o que custar. Não é justo!

Seleção Brasileira de 1970. Timaço!

Para o senhor ter uma ideia, por viver na Lapônia, que fica na Finlândia, talvez não saiba de um detalhe (apesar de saber muito bem que o senhor adora bater uma bolinha, mesmo em tempos onde a neve toma conta do lugar onde vive), que acredito ser importante. Um dos treinadores mais badalados no mundo, hoje em dia, o espanhol Pep Guardiola, nunca escondeu que seu trabalho é inspirado no futebol arte brasileiro.

Lembro que no Mundial de Clubes de 2011, quando o Barcelona venceu o Santos, na final, por 4 a 0, perguntado sobre como ele havia montado aquele esquema de toque de bola que envolveu o Alvinegro, ele disse o seguinte: "Fiz exatamente o que via quando pequeno a Seleção Brasileira de 1982 jogar. Era a habilidade, toque de bola e movimentação a todo momento. Meu pai me ensinou que o futebol deveria ser assim e apliquei isto ao meu conceito".

É claro que não iremos poder ver mais nos campos craques na estirpe de Leônidas da Silva, Domingos da Guia, Heleno de Freitas, Zizinho, Julinho Botelho, Pelé, Garrincha, Pepe, Rivellino, Gerson, Tostão, Jairzinho, Reinaldo, Zico e até alguns mais recentes, que já sofreram com o esquema tático retrancado, mas conseguiam se sobressair com o talento, como Romário, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Mas sim, dá para trazer o espírito do futebol brasileiro de volta.

O time de 1982 encantou o mundo mesmo não ganhando o caneco

Apesar da escassez, temos craques. Neymar, Philippe Coutinho e Gabriel Jesus são grandes exemplos de que o talento pode ainda florescer por estas terras. É claro que tem que mexer na estrutura das categorias de base e voltar com aquele futebol na rua ou nos campinhos, que era onde surgiam as promessas.

Então, Papai Noel, caso, o senhor continue sem entender o que estou pedindo, vai uma sugestão que, creio irá interferir em sua forma de ver o futebol. Procure assistir vídeos de atuações da seleção brasileira nas Copas de 58, 62, 70 e 82 e verá que tenho razão de pedir isso. Prometo, meu bom velhinho, caso atenda este pedido, não pedir mais nada, nos próximos anos. FELIZ NATAL para todos!
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