quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A goleada que iniciou a conquista do Tetra

A Seleção Brasileira entrando em campo de mãos dadas teve início no jogo contra a Bolívia

Nesta quinta-feira, dia 6 de outubro, o Brasil encara a Bolívia em mais uma rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo Rússia 2016, em Natal, no Rio Grande do Norte. O Curioso do Futebol recorda um confronto entre as duas seleções pelo Qualificatório para o Mundial de 1994, quando a Seleção Brasileira goleou os bolivianos, por 6 a 0, em um show de bola no Mundão do Arruda, em Recife, que foi muito importante para a conquista do Tetracampeonato.

O Brasil não vinha bem naquelas Eliminatórias. O primeiro turno, jogado todo fora de casa, acumulava resultados ruins e apresentações fracas, com o 0 a 0 contra o Equador, a derrota para a Bolívia por 2 a 0, em La Paz (a primeira na história da Seleção em um qualificatório para Copa do Mundo), vitória nada convincente de 5 a 1 sobre a Venezuela (a Vino Tinto era um saco de pancadas), empate em 1 a 1 com o Uruguai no Centenário.

Na abertura do segundo turno, embaixo de muitas vaias da torcida no Morumbi, que pedia a volta de Telê Santana, que fazia um belo trabalho no São Paulo, à Seleção, o Brasil venceu o Equador por 2 a 0, mas sem apresentar um bom jogo. A imprensa já pedia a demissão do técnico Carlos Alberto Parreira, que insistia em um esquema defensivo e também em não convocar o craque Romário, que estava voando no Barcelona.

Bebeto passando pela defesa boliviana

Para piorar, no dia 29 de agosto de 1993, o Brasil encararia novamente a Bolívia, o grande algoz da Seleção e que, até aquele momento, fazia uma campanha irretocável, vencendo todos os cinco jogos até então, sendo quatro em casa e um fora. Os bolivianos contavam com dois fatores importantíssimos: a, talvez, melhor geração de sua história, contando com os grandes jogadores Marco 'El Diablo' Etcheverry e Erwin 'Platini' Sanchez e a conhecida altitude de La Paz.

Mas tudo mudaria de figura naquele 29 de agosto. Logo de cara, os recifenses receberam a Seleção com muita festa, ao contrário do jogo em São Paulo. Aquilo parece que uniu o grupo de jogadores, que sentiu-se prestigiado e tirou forças de onde não havia aparecido antes. A postura mudou e foi vista antes do apito inicial: os 11 titulares entraram no gramado do Mundão do Arruda em fila e de mãos dadas, algo que não acontecia. Segundo os próprios atletas, a decisão foi tomada naquele momento, para mostrar que havia união. O gesto foi repetido em todos os jogos da Seleção até a final da Copa de 1998!

Logo nos primeiros minutos, os mais de 70 mil torcedores presentes mostraram que estava ali para empurrar a Seleção Brasileira, que fez um primeiro tempo quase perfeito. O relógio marcava 13 minutos do primeiro tempo quando a felicidade engasgada explodiu. Bebeto fez a jogada, bateu de canhota, o goleiro Carlos Trucco deu rebote, e Raí empurrou a bola para dentro. A agonia virou festa. De cabeça, Muller ampliou o marcador aos 19. Uma Bolívia aturdida, que nem de longe parecia aquela que liderava com folga o Grupo B das Eliminatórias, mal teve tempo de respirar e, três minutos depois, Bebeto bateu de chapa, por cima de Trucco.

Ricardo Rocha ganha na dividida com a defesa

Uma chuva desavisada lavou a alma brasileira, no momento em que Branco, após escanteio cobrado por Zinho, aos 35, anotou o quarto. Um minuto antes do término da etapa inicial, Ricardo Gomes ainda teve tempo para fazer o quinto, em tiro de canto batido por Bebeto. Metade do jogo bastou para aquele time de amarelo voltar a ser Brasil. Na saída para o intervalo, a expressão denunciava uma alegria esquecida nos porões da história. As arquibancadas pulsavam.

O segundo tempo nem precisava ter existido. A Bolívia voltou do intervalo entregue, mostrando que não tinha forças para esboçar qualquer tipo de reação. só Serviu apenas para Raí roubar a bola, lançar Muller e ver Bebeto, aos 13 minutos, encerrar o massacre canarinho por 6 a 0. Nem mesmo a expulsão de Dunga por um chute desleal nas costas de Carlos Borja tirou o brilho da goleada brasileira.

A partir daquele momento, a Seleção Brasileira deu uma grande reviravolta. De questionada, passou a vencer suas partidas, conseguiu a classificação para a Copa do Mundo de 1994 após uma vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai, na volta de Romário ao time (os dois gols foram dele) e o Brasil entrou no Mundial como favorito e conquistou o Tetracampeonato nos Estados Unidos. Já a Bolívia, depois desta partida, caiu muito de produção, grande parte em função de no segundo turno ter feito apenas um jogo na altitude, mas, mesmo assim, desbancou o Uruguai e foi para a Copa como segundo lugar no Grupo, sendo eliminada no Mundial anda na primeira fase.

Confira os gols da partida

Ficha Técnica

BRASIL 6 x 0 BOLÍVIA 

Data: 29 de agosto de 1993
Local: Estádio José do Rêgo Maciel “Mundão do Arruda” - Recife-PE
Competição: Eliminatórias da Copa do Mundo 1994.
Público: 74.090 espectadores.
Árbitro: Oscar Velásquez (Paraguai)
Assistentes: Venancio Zárate Vásquez (Paraguai) e Demesio Toledo Romero (Paraguai).

Cartões Amarelos
Brasil: Bebeto, e Dunga
Bolívia: Sandy e Peña

Cartão Vermelho
Brasil: Dunga, aos 78.

Gols
Brasil: Raí, aos 12'; Müller (cabeça), aos 19'; Bebeto, aos 23'; Branco (cabeça), aos 37' e; Ricardo Gomes (cabeça), aos 44' do primeiro tempo. Bebeto, aos 14' do segundo tempo.

BRASIL: Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Branco; Mauro Silva, Dunga, Raí e Zinho (Palhinha); Bebeto (Evair) e Müller - Treinador: Carlos Alberto Gomes Parreira.

BOLÍVIA: Trucco; Rimba, Quinteros, Sandy e Cristaldo; Borja, Melgar, Baldivieso e Etcheverry (Juan Peña); Sánchez e Ramallo (Alvaro Peña) - Treinador: Xavier Francisco Azkargorta.
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