quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Atlético Junior de Barranquilla nunca se vendió!

Faixa da torcida do Junior, com as caricaturas de Gonzalo Rodríguez Gacha, o Mexicano,
Pablo Escobar e Gilberto Rodríguez Orejuela, exaltando o fato dos rivais terem sido
bancados por traficantes

Quem acompanha os jogos no Estádio Metropolitano Roberto Melendez, onde o time colombiano Atlético Junior, de Barranquilla, manda seus jogos, percebe que na arquibancada há uma grande bandeira com um desenho três indivíduos vestindo as camisas dos rivais Millonarios, América de Cali e Atlético Nacional, além da frase "Junior nunca se vendió". O que seria isso? É uma provocação que vamos explicar abaixo.

Entre o final da década de 1970 e o início dos anos 90, uma atividade econômica ilegal influenciava vários setores da sociedade colombiana: o tráfico de drogas. Os 'empresários' do "ouro branco", a cocaína, investiam pesado em diversas atividades, para mascarar a atividade criminosa e também para a famosa lavagem de dinheiro. E o Futebol não ficava atrás.

O primeiro a entrar de cabeça no futebol foi Gilberto Rodríguez Orejuela, um dos chefões do Cartel de Cali, que investiu o dinheiro sujo no América de sua cidade. O time, que nunca havia sido campeão colombiano até 1978, conquistou o nacional por oito vezes entre 1979 e 1993, contando com um incrível pentacampeonato. No mesmo período, o clube também foi à final por três vezes consecutiva (entre 1985 e 1987), mas não conseguiu levantar a taça continental.

O Junior campeão de 1993, com Valderrama

O traficante Gonzalo Rodríguez Gacha, o Mexicano, sócio do Cartel de Medellin, cansado de ver o Millonarios de Bogotá perder os títulos colombianos para o América, resolver entrar no negócio do futebol e bancar o seu time do coração. Com a grana da cocaína, o Millonarios conquistou o bicampeonato nacional em 1988 e 1989.

Porém, o traficante colombiano mais famoso, Pablo Emílio Escobar Gaviria, também não ficou de fora. Grande chefe do Cartel de Medellin, ele investia nos dois times da cidade: o Independiente (que diziam ser o seu time de coração) e, principalmente, no Atlético Nacional (que tinha a maior torcida e é o time de seu filho, Juan Pablo). O Independiente não chegou a ser campeão na era Escobar, mas o Atlético Nacional conquistou o campeonato colombiano em 1981 e 1991, além de conquistar o maior sonho: a Copa Libertadores de 1989.

Em meio a esse futebol da cocaína, o Atlético Junior não entrou no esquema do dinheiro do tráfico de drogas e sem o poderio econômico, ficou mais difícil bater de frente contra os seus rivais. Campeão colombiano em 1980, a equipe de Barranquilla voltou a comemorar um título nacional em 1993, justamente no ano em que Pablo Escobar viu seu império começar a ruir e ser morto em dezembro.

Torcida do Junior cantando música sobre o fato

Como se mantiveram "limpos" no período em que o tráfico de drogas mandava no futebol colombiano (há notícias de compra de árbitros, ameaças e até a morte do árbitro Álvaro Ortega, em Medellin, que acabou parando o campeonato de 1989), a torcida do time de Barranquilla se vangloria em não ter recebido o dinheiro sujo, por isso eles se orgulham de dizer que o "Junior nunca se vendeu" ou "Junior nunca se vendió" em espanhol
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