quinta-feira, 21 de julho de 2016

Série A-2 1996 - 20 anos da volta da Briosa à elite do Paulistão

O elenco que conseguiu o acesso em 1996

Além da grande campanha que a Portuguesa Santista nesta temporada, o torcedor Rubro Verde tem mais um belo motivo para comemorar nesta quinta-feira, dia 21 de julho. Nesta data completa-se 20 anos da confirmação do acesso da Briosa da Série A-2 para a elite do futebol paulista, algo que não acontecia desde 1978.

A verdade é que naquele início de 1996, não eram muitos que acreditavam no sucesso da Portuguesa Santista. Depois da reformulação das divisões do futebol de São Paulo, no final de 1993 (que prejudicou demais uma outra equipe de Santos, o Jabaquara) o time do Estádio Ulrico Mursa disputou a Série A-3 em 1994, conseguindo o acesso. Porém, o ano seguinte foi de dificuldades. A equipe sempre ficou entre os últimos na A-2 e só escapou do rebaixamento na última rodada, depois de uma boa recuperação.

Para 1996, a diretoria estava com dificuldades. No aniversário da cidade de Santos (26 de janeiro), a Briosa, ainda sem os reforços, fez um amistoso com o Jabaquara, na preliminar de Santos FC e Grêmio, e empatou em 1 a 1, mostrando que o time precisaria, e muito, de jogadores de qualidade. A partir deste momento, o clube começou a se planejar.

A aposta foi montar uma equipe caseira. Os jogadores contratados eram da Baixada Santista ou que já tinham passado por clubes da região. E foi assim que vieram o goleiro Claudinei, o zagueiro Otacílio, os volantes Calazans e Beto e o atacante Dinei. Porém, como a Série A-2 precisa de cancha, foram contratados diversos atletas experientes, mas sempre com a filosofia de serem 'da casa': os zagueiros Fernando e Toninho Carlos, os laterais Balu e Paulo Robson e os meias Márcio Fernandes e Célio, além de Davi. O elenco também contava com os jovens Marinho e Rodrigo (que depois ganhou a alcunha de Beckham), que 'estouraram' em 1997. No final, o único titular da equipe que não tinha ligação com a Baixada era o centroavante Carlinhos.

Com este time, a Briosa estreou no dia 25 de fevereiro contra o São Carlense em casa, conseguindo uma vitória de 1 a 0. Aos poucos, os triunfos foram vindo: 3 a 0 no Bandeirante de Birigui, 1 a 0 no XV de Piracicaba e 1 a 0 no Paulista. Estes resultados colocaram a Portuguesa na liderança do certame, sendo seguido pelo Ituano e Bragantino.

Equipe que foi a campo no jogo contra o Ituano

Aliás, na sexta rodada veio a primeira derrota, justamente para o Ituano, por 1 a 0. Porém, os bons resultados continuavam: vitória de 1 a 0 contra a Ponte Preta, 2 a 1 no Bragantino, 1 a 0 no Santo André e 2 a 1 no Rio Preto. A duas rodadas do fim do primeiro turno, a Briosa bateu o Paraguaçuense, em Ulrico Mursa, por 2 a 1 e garantiu o título da primeira parte do campeonato. Isto já colocava a Portuguesa Santista no quadrangular decisivo, que daria três vagas para a Série A-1 de 1997. A Briosa fez 32 pontos em 15 jogos, com 10 vitórias, dois empates e três derrotas.

No segundo turno, com a vaga nas finais já garantida, o time relaxou e fez uma péssima campanha. Isto acabou tendo sequelas e o técnico Nenê foi demitido (indo assumir a categoria de base do Santos FC). Para o seu lugar foi chamado Serginho Chulapa, que havia livrado a Briosa do rebaixamento no ano anterior. Vendo que o segundo turno já não tinha mais jeito (a equipe foi a lanterna na segunda parte, com apenas 9 pontos, com uma vitória, seis empates e oito derrotas), o novo treinador resolveu botar o time reserva, preparando os titulares para a fase final (decisão que depois mostrou-se acertada).

O quadrangular final reuniu Portuguesa Santista (campeã do primeiro turno), Ituano (vice do primeiro turno e melhor campanha da competição), Inter de Limeira (primeira do segundo turno) e São José (vice do segundo). Times tradicionais do futebol paulista e que já haviam jogado várias vezes a primeira divisão estadual. Mesmo com três vagas para quatro equipes, não seria uma tarefa fácil.

E logo de cara deu para perceber que o acesso seria complicado. Na estreia, em Ulrico Mursa, a Briosa não passou de um empate em 1 a 1 com a Inter de Limeira. Já  São José, em casa, bateu o Ituano por 2 a 0. Na segunda rodada, a Portuguesa, contra o Ituano, em Itu, empatou com o mesmo placar. São José e Internacional ficaram no 0 a 0.

Na terceira rodada, a Briosa recebeu o São José. Porém, outro empate em 1 a 1, o que não deixou a torcida feliz. No outro jogo, a Inter de Limeira venceu o Ituano por 2 a 0. Ao final do primeiro turno do quadrangular final, Inter e São José tinham 5 pontos, Briosa 3 e Ituano apenas 1 ponto. Todos ainda tinham chances. E foi no segundo turno em que a Portuguesa Santista deslanchou.

José Ignacio, Manoel Ruas, Joaquim Lourenço de Carvalho,
Carlos Alberto, Luciano Menezes dos Anjos e Nelson Barbosa:
a diretoria do clube em 1996 (Acervo Pessoal: Walter Dias)

No dia 17 de julho, a Portuguesa Santista foi até São José dos Campos enfrentar o time da casa. O primeiro tempo não foi nada bom para a equipe Rubro Verde, já que a Águia do Vale fez 1 a 0, com Basílio. Mas como o próprio hino diz "a mais Briosa é a Portuguesa Santista" e a Briosa empatou no início do segundo tempo. Paulo Robson cobrou escanteio e Carlinhos, o centroavante que era contestado pela torcida, marcou de cabeça.

Porém, a Briosa precisava da vitória e veio um lance de gênio. O zagueiro Fernando, ídolo das torcidas de Vasco da Gama e Flamengo, mas que iniciou a sua carreira em Ulrico Mursa, pegou a bola no meio e foi avançando, tabelou com Carlinhos, deu um lindo drible no primeiro marcador, passou pelo segundo e dividiu com o goleiro Charles antes de a bola balançar as redes: Portuguesa Santista 2 a 1. A vitória deixou a Briosa perto do acesso!

No dia 21 de julho, um domingo chuvoso, o Estádio Ulrico Mursa estava lotado para a partida entre Portuguesa Santista e Ituano. Uma vitória dava o tão sonhado acesso à Briosa. Todo agasalhado, por ter tido problemas de saúde durante a semana, Serginho Chulapa quase nem conseguia falar do banco de reservas. Aliás, os médicos recomendaram que ele não dirigisse a equipe, o que foi negado pelo ex-centroavante.

Partida nervosa, já que o Ituano precisava da vitória, e que deu calafrios no torcedor Rubro Verde logo no início: Fernando, contundido, foi substituído pelo jovem Otacílio. As duas equipes se estudavam e arriscavam pouco. A torcida tentava empurrar a Portuguesa. Aos poucos, a Briosa foi dominando a partida, criando chances, mas o primeiro tempo terminou com o placar de 0 a 0.

Na segunda etapa, logo no início, um susto para os torcedores: em uma bola recuada, o goleiro Claudinei furou e quase o Ituano abriu o marcador. Porém, a Briosa continuou pressionando e o gol era uma questão de tempo. Beto deu um belo passe de calcanhar para Balu, o lateral cruzou, mas Dudé, dentro da área, cortou a bola com a mão: pênalti! O experiente Célio foi para a cobrança, mas o goleiro Nilton defendeu, aumentando ainda mais o desespero dos torcedores.

Vídeo com os jogos finais

Mas aquele domingo chuvoso era da Portuguesa Santista. Davi cobrou escanteio pela direita, a bola pingou antes do primeiro pau, a zaga não cortou e a redonda ia passando por todo mundo. Porém, o jovem Otacílio, aquele mesmo que substituiu Fernando no início do jogo, cabeceou a 'pelota' para o fundo das redes. Portuguesa Santista 1 a 0! Festa no Estádio Ulrico Mursa!

No final, o Ituano foi para cima, tentando o gol de empate, mas o goleiro Claudinei pegou tudo! Com o apito final, ninguém se conteve no estádio e foi uma grande festa! Todos estavam felizes com a volta da Portuguesa Santista à primeira divisão de São Paulo.

Esta história só não teve um final ainda mais feliz porque sete dias depois, mesmo jogando pelo empate, a Briosa perdeu o titulo ao ser derrotada pela Inter, em Limeira, por 4 a 0. Porém, o mais importante, que era a volta à Série A-1 já estava garantida! Realmente, aquele dia 21 de julho de 1996 foi inesquecível para os torcedores da mais Briosa de Ulrico Mursa.
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