quarta-feira, 9 de março de 2016

Grandes surpresas da Uefa Champions League - Celtic de 1967

Por Lucas Paes *

Os campeões europeus da temporada 1966/67

Hoje em dia, a Champions League é marcada por, via de regra, ter os mesmos times chegando às semifinais quase sempre, como Real Madrid, Bayern e Barcelona. Porém, houve épocas em que o torneio admitia apenas os campeões nacionais e isso permitiu algumas surpresas durante a história. Nesta série, falaremos sobre algumas delas, começando pelo escocês Celtic, o primeiro time do Reino Unido campeão Europeu, em 1967.

O time montado pelos Celtas não era fraco: conquistou um pentacampeonato escocês em sequência, além de diversos títulos em esfera nacional. Mas ninguém esperava que chegasse tão longe na Copa dos Campeões e muito menos que batesse um dos grandes times da época: a Internazionale de Helenio Herrera, também conhecida como “A Grande Inter”.

O time que ficaria conhecido como “Leões de Lisboa” foi essencialmente montado em casa, com jovens valores das categorias de base do alviverde escocês. Uma aposta arriscada em uma época em que o time estava há 10 anos sem ganhar o campeonato local.

Confronto com o Nantes

Curiosamente, Jack Stein, o treinador responsável por montar o que se tornaria o maior time da história do Celtic, era protestante e aqui cabe uma explicação: O Celtic é conhecido por possuir uma torcida católica. Este é um dos ingredientes que apimenta o Old Firm, clássico contra o Glasgow Rangers, clube de religião protestante. O clássico constitui em uma das maiores rivalidades do mundo.

O time foi montado com jogadores nascidos num raio de 30 milhas em volta da cidade de Glasgow e, por ser formado essencialmente por jogadores jovens, demorou à encontrar um padrão de jogo. Stein primava pelo jogo ofensivo e veloz, na direção contrária do Catennacio interista, baseado numa defesa forte e em lampejos de seus craques. Depois de algum tempo o time começou a dar resultado.

Na temporada de 1964/1965 vieram as conquistas da Copa da Escócia e da Copa Glasgow. Na temporada seguinte, o Celtic voltou a vencer a Copa Nacional e também conquistou a Liga, com um ataque que marcou 106 gols em 34 jogos (27v, 3e, 4d), conquistando assim a vaga para a Copa dos Campeões. Na Recopa Européia, o time foi parado nas semifinais pelo Liverpool.

Semifinal contra o Dukla Praga

A temporada de 1966/1967 seria a mais inesquecível e lendária da história do clube. O título escocês veio com outra campanha avassaladora: 26 vitórias, seis empates e duas derrotas, com 111 gols (!) marcados e 33 sofridos. A Copa da Liga foi conquistada com um gol salvador de Lennox e a Copa da Escócia veio com vitória por 2 a 0 sobre o Aberdeen.

A Champions League (Copa dos Campeões da Europa na época) tinha um formato diferente do atual, com o mata-mata acontecendo desde o começo da competição(algo como o que ocorre na Copa Sul-Americana). O Celtic estreou naquela edição batendo o Zurique por 2 a 0, em Glasgow, e depois por 3 a 0, na Suiça, fazendo 5 a 0 no agregado. Aquele era apenas o começo da jornada.

Na fase seguinte, os Celtas voltaram a vencer as duas partidas, desta vez contra o Nantes da França, fazendo 6 a 2 no agregado (3 a 1 nos dois jogos). Nas quartas de final, duelo complicado contra o Vojvodna da Iugoslávia (hoje Sérvia): 1 a 0 para os Iugoslavos na ida, em Vojvodna, e 2 a 0 para o Celtic, em Glasgow, com gol da classificação aos 45 minutos marcado por McNeill.

Vídeo da grande final

Nas semifinais, o Celtic pegou o Dukla Praga, da atual República Tcheca (Tchecoslováquia na época). A equipe iniciou a etapa vencendo por 3 a 1 na Escócia e empatando por 0 a 0 fora de casa, chegando assim à final contra a Internazionale, em Lisboa.

A Inter chegou a final como ampla favorita, já que tinha ganhado duas das três edições anteriores da competição. Porém, a Inter tentava se redimir das perdas do Campeonato Italiano e da Copa Itália na temporada. Já o Celtic chegava como zebra, mas poderia, com o título da Copa dos Campeões, ser campeão de todos os campeonatos que disputou.

O embate também colocava frente a frente duas filosofias totalmente contrárias: a Inter era conhecida pela forte defesa e por ter o treinador mais bem pago do Planeta na época, Helenio Herrera. Enquanto isso, o Celtic era um time rápido, ofensivo e goleador. Stein declarou na época que o time naquela final atacaria como nunca havia feito antes.

Comemoração após o apito final

Porém, o que se viu no jogo foi a Inter atacando duas vezes no começo e conseguindo abrir o placar com o brasileiro Mazzola, de pênalti, com apenas seis minutos jogados. A partir disso, a Inter recuou e o Celtic passou a controlar a partida. Porém, sem conseguir ser muito eficiente em quebrar a muralha defensiva da Inter.

Somente no segundo tempo o Celtic conseguiria furar o bloqueio defensivo interista. Primeiro com um chutaço de Gemmel e, depois, aos 39 minutos da etapa final, Chalmers desviou chute de Murdoch e marcou para dar a vitória aos Escoceses por 2 a 1. A muralha da Internazionale havia sido destruída pelos Leões de Lisboa.

Na Copa Intercontinental, o Celtic acabou perdendo o título à duras penas para o Racing de Avellaneda, com vitória por 1 a 0 em Glasgow, derrota por 2 a 1 em Avellaneda. No terceiro e decisivo jogo, nova derrota por 1 a 0 em Montevidéu.

O time também foi finalista na temporada 1969/1970

O Celtic chegaria de novo à final da Copa dos Campeões em 1970, mas perderia para o Feyenoord, que começava a mostrar a força do “futebol total” holandês. Naquele ano ficou marcado o fato de nas semifinais o time registrar o recorde histórico de público numa competição europeia, quando 136 mil pessoas viram a vitória sobre o Leeds United nas semifinais por 2 a 1.

* Lucas Paes é estudante de jornalismo e torce para o Santos FC.
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