quinta-feira, 17 de março de 2016

Grandes surpresas da Champions League - O Nottingham Forest bicampeão

Por Lucas Paes*

A equipe bi-campeã europeia

Dando sequência à série sobre as surpresas da Uefa Champions League, chegamos ao Nottigham Forest bi-campeão europeu nas temporadas 1978/1979 e 1979/1980. Em questão de tamanho, o time foi, provavelmente, a maior zebra da história da Liga dos Campeões, pois ao contrário de times como o Steua Bucaresti (que veremos mais a frente), o Forest conquistou dois títulos continentais na seqüência e, até hoje, só ganhou uma taça na sua liga doméstica. É, realmente, algo surpreendente.

Ninguém esperava que o Forest chegasse tão longe. Os ingleses começaram a montar seu time histórico com a chegada do treinador Brian Clough. Ele já havia chegado com o Derby, arquirrival do Forest, à semifinal da Copa dos Campeões e foi para Nottigham com a missão de colocar o time na primeira divisão inglesa. A missão foi conseguida na temporada 1976/1977, com o terceiro lugar na Segunda Divisão (atrás do Wolverhampton e, vejam só, do Chelsea). Mas as aspirações para a temporada de 1977/1978 eram de luta contra o descenso e nada mais.

Só que o Forest faria mais, faria muito mais do que brigar contra o descenso. Com uma campanha avassaladora, foram 25 vitórias (incluindo um 4 a 0 sobre o United em Old Trafford), 14 empates e apenas 3 derrotas em 42 jogos, a equipe garantiu uma vantagem de sete pontos sobre o Liverpool, vice campeão, e levantou a taça do Campeonato Inglês. O sonho estava apenas começando para o Forest, que também ganhou a Copa da Liga e a Supercopa naquele ano com nomes de destaque, como Peter Shilton e Viv Anderson.

O técnico Brian Clough

A temporada seguinte traria ao Forest um desafio ainda maior: o da Liga dos Campeões (Copa dos Campeões da Europa, na época), enfrentando logo de cara o atual bi-campeão Liverpool. Ninguém esperava que o Forest durasse na competição pois, naquela época, a Champions era eliminatória durante toda a competição.

Na estreia, o Forest enfrentou o Liverpool no City Ground e, para surpresa geral, venceu por 2 a 0, com gols de Birtles e Barret. Na segunda partida, o empate por 0 a 0 em Anfield daria inicio à maior surpresa da história da competição.

Na fase seguinte, o Forest pegou o AEK Atenas e não tomou conhecimento dos gregos. Vitórias por 2 a 1 (McGovern, Birtles; Konstatinou para os gregos), em Atenas, e 5 a 1 no City Ground (Needham, Woodcock, Anderson e Birtles, duas vezes) garantiram o time nas quartas de final, onde o adversário seria o Grasshoper da Suiça.

Levantando a taça continental

Na primeira partida contra os suíços, vitória por 4 a 1 no City Ground (Birtles, Robertson, Gemmill e Lloyd; Sulser para os suíços) e empate por 1 a 1 na Suiça (O’Neill para o Forrest e Sulser, de novo, para os suiços). Já a semifinal reservaria um encontro contra o Colônia, da então Alemanha Ocidental, e o empate por 3 a 3 no City Ground (Birtles, Bowyer, Robertson; Van Gool, Muller e Okudera para os alemães) levou muita gente a pensar que o sonho do Forrest acabaria ali.

Pois o sonho não acabou. Com gol de Bowyer, o Forest venceu o Colônia e foi enfrentar na final o Malmö, da Suécia, outra grande surpresa da história da competição. E o gol do título veio de um estreante, devido as regras da UEFA, Francis, que havia chegado ao Forrest em dezembro, só pode jogar a final. O destino reservou o gol decisivo a ele e a história estava escrita.

O time ainda ganhou a Copa da Liga Inglesa e a Supercopa da UEFA, diante do Barcelona da Espanha. O titulo do Campeonato Inglês voltou para o Liverpool, mas a conquista continental garantiu ao Forest mais uma disputa de Liga dos Campeões. O bi campeonato era considerado fantasia na época. Pois a fantasia se tornaria real.

Semifinal contra o Ajax

Na temporada de 1979/1980, o Forest estreou na competição diante do Oster, da Suécia, no City Ground e venceu por 2 a 0 (Bowyer marcou os tentos). Na volta, o empate por 1 a 1 (Woodcock; Nordgren para os suecos) mantinha o sonho do bi vivo e a segunda fase reservava um confronto contra os romenos do Arges Pistesti.

No primeiro jogo, em casa, o Forest abriu vantagem com outro 2 a 0 (Woodcock, Birtles) e depois ganhou também fora de casa por 2 a 1 (Bowyer, Birtles; Barbulescu para os Romenos). As quartas reservariam a primeira derrota do time na história da Liga dos Campeões, contra o Dynamo Berlin, da Alemanha Oriental.

No primeiro jogo, os alemães fizeram 1 a 0 em pleno City Ground, com um gol de Riediger. O resultado obrigaria o Forest a vencer em plena Berlim Oriental, uma tarefa que o Forest faria com incrível facilidade. Francis, o mesmo autor do gol do titulo europeu do ano anterior, deu show e marcou duas vezes, Robertson marcou outro de pênalti e os ingleses venciam por 3 a 0 antes do intervalo. O gol de Terletzki não foi suficiente para tirar os ingleses das semifinais, e ai viria problema grande: o Ajax, berço do carrossel holandês.

Final contra o Hamburgo

Nas semifinais o Forest começou vencendo por 2 a 0 no City Ground (Francis, Robertson). A derrota por 1 a 0 em Amsterdã (Lerby) não foi suficiente para tirar a vaga da equipe de Nottingham na segunda final seguida da Copa dos Campeões. O adversário seria o Hamburgo da Alemanha, do craque Felix Magath, que seria campeão pouco tempo depois.

Pois o segundo titulo seguido veio com um gol de Robertson, aos 20 minutos de jogo. O Forest garantiu o segundo titulo da Copa dos Campeões da Europa e fechou um ciclo de glórias jamais repetido na história do clube. Uma história que o futebol europeu nunca mais esquecerá (quem sabe algo parecido possa estar sendo construído pelo Leicester? Só o tempo irá dizer).

Na temporada seguinte, o sonho do tri acabou logo na primeira fase com duas derrotas para o CSKA Sofia. Porém, o time de Clough jamais será esquecido. O treinador foi eternizado por uma estátua na cidade de Nottingham e o time foi eternizado na história do futebol, junto como alguns de seus jogadores, como Peter Shilton, o goleiro que mais jogou pela seleção inglesa, e Liv Anderson, o primeiro jogador negro da seleção da terra da rainha.

* Lucas Paes é estudante de jornalismo e torce para o Santos FC.
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