quarta-feira, 16 de março de 2016

As surpresas da Copa do Brasil

O Maracanã viu o Santo André conquistar a Copa do Brasil de 2004

A Copa do Brasil, competição na qual a edição de 2016 começa nesta quarta-feira, dia 16, é considerada a competição mais democrática do país, pois conta com ao menos uma equipe de cada estado brasileiro. O torneio proporciona confrontos raros, como por exemplo o embate entre os dois Santos, o tradicional paulista contra o amapaense, e algumas zebras.

Foi a Copa do Brasil que apresentou os campeões mais improváveis e algumas equipes que chegaram longe na competição que ninguém esperava. Para mostrar que na Copa do Brasil o sonho pode, sim, virar realidade, vamos lembrar clubes e trajetórias que entraram para a história da competição e que marcaram o seu nome para sempre no torneio.

A primeira grande surpresa da competição aconteceu em 1991. Naquele ano, o Criciúma, que já havia sido semifinalista no ano anterior, foi uma equipe imbatível em casa, copeiro ao extremo, cheio de vontade e com jogadores capazes de decidir uma partida na base da raça e também da técnica. Comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o Tigre tinha como principais jogadores os meio-campistas Roberto Cavalo, Gélson e Grizzo e os atacantes Jairo Lenzi e Soares. Antes de chegar à final, Felipão e seus atletas eliminaram Ubiratan, Atlético Mineiro, Goiás e Remo, na semifinal.

Felipão era o treinador do Criciúma em 1991

Na decisão, a equipe catarinense teve o Grêmio pela frente, com todo o favoritismo para o clube gaúcho. Em um Olímpico lotado, Vilmar abriu o placar no primeiro tempo e segurou o resultado até os minutos finais, quando o Tricolor gaúcho empatou em uma cobrança de pênalti de Maurício. Na volta, com a vantagem de ter marcado um gol fora de casa, o Criciúma precisava apenas de um empate sem gols para ser campeão. E foi isso que aconteceu: 0 a 0 e título histórico para o Tigre.

Em 1994 tivemos uma semifinal inusitada. O capixaba Linhares (confira aqui texto sobre a campanha da equipe) eliminou Fluminense, São José-AP e Comercial-MS para encarar o Ceará na semifinal, que havia eliminado Campinense, Palmeiras e Internacional. Os cearenses levaram a melhor no embate, mas perderam o título para o Grêmio.

Em 1998, era a vez de um time do Sul do Brasil fazer bonito. Na primeira fase daquele ano, contra o Guará, o Juventude ainda era comandado por Geninho. Depois, quem assumiu foi Valmir Louruz, que foi o técnico campeão. E a trajetória do clube de Caxias do Sul foi longe de ser fácil. Fluminense, Corinthians, Bahia e Internacional, todos campeões brasileiros, ficaram pelo caminho. Sendo que, em alguns destes confrontos, alguns resultados inesquecíveis. Como o 6 a 0 sobre o Fluminense na segunda fase e a vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians fora de casa nas oitavas de final.

Juventude campeão em 1999 na última final no Brasil com mais de 100 mil torcedores

A classificação nas quartas de final só veio após vencer o Bahia nos pênaltis. E o que dizer sobre o inesquecível 4 a 0 sobre o Internacional, em pleno Beira-Rio, que garantiu a classificação para a final?

No jogo de ida da decisão, com 20 mil torcedores transformando o Alfredo Jaconi em um verdadeiro caldeirão, o Juve venceu o Botafogo por 2 a 1, com Fernando e Márcio Mexerica marcando para os gaúchos, e o tetracampeão mundial Bebeto descontando para os cariocas. Na volta, em um Maracanã com mais de 100 mil pessoas, os atletas do Juventude seguraram o 0 a 0 na raça, com direito a uma atuação de gala do goleiro do Emerson. Título e muita festa no interior do Rio Grande do Sul.

Em 2002, foi a vez do Brasiliense aprontar. A equipe candanga estreou eliminando o Vasco acriano e foi passando por Náutico, Confiança, Fluminense e Atlético Mineiro, até chegar a final contra o Corinthians. Na decisão, o Timão não deixou a zebra aparecer e conquistou a taça.

15 de Campo Bom eliminou o Vasco e foi semifinalista em 2004

Outra surpresa aconteceu em 2004. Mais uma vez o Maracanã foi o palco da final, mais uma vez o estádio mais importante do mundo estava lotado e mais uma vez a festa foi da parte visitante das arquibancadas. O Santo André tinha um técnico promissor: Péricles Chamusca. E o comandante possuía um material de qualidade. Se não fosse pelas grandes atuações do goleiro Júlio César, dos meias Ramalho, Élvis e Romerito e dos atacantes Sandro Gaúcho e Osmar, o Ramalhão não teria ido tão longe. Se não fosse pelo entrosamento entre treinador e atletas, o Santo André não teria eliminado Novo Horizonte, Atlético Mineiro, Guarani, Palmeiras e 15 de Novembro até chegar à final contra o Flamengo.

Aliás, o confronto com o 15 de Campo Bom, nas semifinais, foi um dos mais improváveis da história da Copa do Brasil. O time gaúcho, que era treinado pelo ainda desconhecido nacionalmente Mano Menezes, eliminou Portuguesa Santista (com presença deste jornalista no empate em 2 a 2 em Ulrico Mursa), Vasco da Gama, Americano de Campos, e Palmas. Na semi, os gaúchos venceram o Ramalhão, no Pacaembu, por 4 a 3. No jogo de volta, no Rio Grande do Sul, o Santo André venceu por 3 a 1 e chegou à final, onde enfrentou o Flamengo.

Na primeira partida, em São Paulo, apesar de o Ramalhão ser o mandante, quem tinha a maioria nas arquibancadas do Palestra Itália era o clube carioca. Mas isso não assustava Chamusca e seus comandados. Jogaram bem e não venceram por detalhe. Roger abriu o placar para o Flamengo, e Osmar e Romerito viraram a partida. Os cariocas só chegaram à igualdade no final, com um improvável gol de falta de Athirson: 2 a 2.

Jogadores do Santo André levantam a taça

No segundo jogo, em um Maracanã lotado, a festa foi toda armada para o time da casa. Mas esqueceram de avisar ao Santo André. O clube paulista não deixou o Flamengo atacar, jogou com inteligência tática e com dois gols no segundo tempo decretou o título e a festa histórica no Rio de Janeiro. Sandro Gaúcho e Élvis balançaram a noite naquela fantástica noite de quarta-feira: 2 a 0.

A última peripécia aconteceu em 2005. No ano seguinte, mais um clube do interior de São Paulo foi fazer a festa no Rio de Janeiro. Mas desta vez tudo seria diferente: o campeão, o vice e o palco da final. O Paulista teve uma campanha de time grande, eliminando Juventude, Botafogo, Internacional, Figueirense e Cruzeiro. O Galo já havia sido vice-campeão paulista no ano anterior, mas poucos acreditavam que ele poderia fazer uma campanha tão sensacional na Copa do Brasil.

Alguns jogadores do elenco se destacaram e se firmaram no cenário do nosso futebol. O goleiro Victor, o zagueiro Réver, o volante Cristian e os atacantes Léo e Marcio Mossoró eram alguns nomes da equipe, que tinha Vagner Mancini como técnico.

Paulista de Jundiaí campeão em 2005

Na primeira partida da final, diante do Fluminense, uma vitória por 2 a 0 (gols de Mossoró e Léo) no Estádio Jaime Cintra deu uma grande vantagem para o Paulista. Na segunda partida, em São Januário, na Cidade Maravilhosa, Mancini e seus comandados seguraram uma pressão enorme do Flu, que era comandado por Abel Braga, e se sagraram campeões com o placar em 0 a 0.
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