sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Um gol de barriga e o título carioca de 1995 do Flu

O gol de barriga

O Campeonato Carioca de 1995 foi um dos estaduais mais badalados daquele ano. E isso devia-se muito ao Flamengo: o clube comemorava o seu centenário e o presidente Kleber Leite fez uma engenharia muito complicada para contratar o melhor jogador do mundo naquele momento: Romário, que ao lado do jovem Sávio, formaria um ataque que chamaria a atenção de todos.

Os outros times do Rio de Janeiro também foram atrás de reforços. O Vasco, que era tricampeão estadual, também reforçou a equipe e o Botafogo, que já tinha Túlio Maravilha, começou a montar o elenco que foi campeão brasileiro no segundo semestre de 1995.


Com pouco dinheiro para contratações, o Fluminense era apontado pelos especialistas como o grande que iniciaria 1995 com menos chances de título, podendo até ficar atrás de um dos pequenos ao fim da competição. O Flu trouxe poucos atletas, alguns até desconhecidos. O único grande nome foi Renato Gaúcho, que não estava em boa fase. O craque jogou pouco pelo Atlético Mineiro no ano anterior e diziam na época que o Tricolor acabou 'fazendo um favor' para o Galo.

O campeões cariocas de 1995

"Quando cheguei ao Fluminense, encontrei um elenco desanimado e desacreditado. A torcida cobrava, porque o time não era campeão há nove anos, e a imprensa também estava batendo muito no grupo. Eu vim para o Fluminense para ser campeão, não para passear. Deixei isso claro", lembrou Renato em entrevista ao portal Terra.


Quando o campeonato iniciou, a vida do Fluminense não foi fácil. Logo na estreia, derrota para o Madureira e, ao longo da competição, o Tricolor via os três rivais se distanciarem na tabela, chegando a ficar nove pontos atrás da liderança. Com muito esforço, o Tricolor conseguiu chegar ao octogonal decisivo. Porém por ganhar fases anteriores, o Flamengo chegou à fase final com três pontos de bônus. Botafogo e o América com um. Já Fluminense, Vasco, Volta Redonda, Bangu e Entrerriense começaram zerados.

E foi nesta fase que o Fluminense reverteu o quadro. Com apenas uma derrota em 13 jogos, o Tricolor chegou na última rodada com chances de ser campeão. O adversário era o Flamengo, no confronto direto. O Flu, com 30 pontos, precisava vencer para ficar com o título, já o Fla, com 32, sendo três de bônus, só o empate bastava para levantar o caneco.

Renato Gaúcho correu para o abraço

Apesar das estrelas e a liderança, o técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo, era questionado, já que o time perdeu alguns pontos bobos durante a competição. Já Joel Santana estava firme no cargo, já que com um elenco reduzido e com alguns nomes desconhecidos, chegou com chances de título no final.

A partida foi eletrizante. O primeiro tempo foi todo do Flu, que abriu 2 a 0, com gols de Renato Gaúcho e Leonardo. Porém, o time rubro-negro reagiu e igualou o placar com Romário e Fabinho. Após o empate, o lateral tricolor Lira quase pôs tudo a perder, dando uma entrada criminosa em Fabinho e levando o cartão vermelho.
"Depois que o Lira foi expulso, confesso que a confiança diminuiu um pouco. Mas não deixei o time se abater e dei uma animada no pessoal. Nessas horas, o líder tem que entrar em ação", contou Renato Gaúcho.

Aos 42 do segundo tempo, veio a jogada histórica. Com nove em campo, o Fluminense calou a torcida rival, que já ensaiava a comemoração do título. "Depois da expulsão do Lira, disse para o Djair que o único jeito de ganharmos o jogo era eu ficar aberto na ponta, para tocarem para mim. E foi assim que saiu o gol. A bola veio do Ronald, driblei o Charles duas vezes, e o fim da história todo mundo já sabe", detalhou Ailton.

Comemoração do título

Mas a bomba do meia Ailton, após fazer carnaval na zaga do Flamengo, ainda teve um desvio fundamental para beijar as redes do goleiro rubro-negro Roger. Antes de entrar para a história, a bola bateu na barriga de Renato. 

"Esse gol foi o mais esquisito e o mais importante da minha vida. Não tem como esquecê-lo. Aonde eu vou, os tricolores me agradecem, pedem fotos com a mão na barriga... E os rubro-negros me cobram. É até engraçado, fiz o primeiro gol naquela final, mas ninguém fala sobre isso. Participei da jogada do segundo gol também, mas ninguém lembra. Fica parecendo que aquele jogo foi 1 a 0, e não 3 a 2", concluiu Renato Gaúcho. E o Fluminense saía da fila de 10 anos sem títulos.

Melhores momentos da partida

Ficha Técnica

FLUMINENSE 3 x 2 FLAMENGO

Data: 25 de junho de 1995
Local: Maracanã
Público: 120.418 (112.285 pagantes)
Renda: R$ 1.621.850,00

Árbitro: Leo Feldman
Cartões amarelos: Rogerinho, Renato Gaúcho, Marcos Adriano, Jorge Luiz, Branco e Charles Guerreiro.
Cartões vermelhos: Sorlei e Marquinhos (aos 73'), Lima (aos 84') e Lira (aos 88').

Gols: 1° tempo: Flu 2 a 0, Renato Gaúcho (30') e Leonardo (42'). 2º tempo: Romário (71'), Fabinho (77') e Aílton (86').

Fluminense: Welerson; Ronald, Lima, Sorlei e Lira; Márcio Costa, Aílton, Djair e Rogerinho (Ézio); Renato Gaúcho e Leonardo (Cadu) - Técnico: Joel Santana.

Flamengo: Roger; Marcos Adriano (Rodrigo), Gelson, Jorge Luiz e Branco; Charles Guerreiro, Fabinho, Marquinhos e William (Mazinho); Romário e Sávio - Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Obs: Embora o último gol do Fluminense tenha sido de Renato Gaúcho, o árbitro colocou na súmula Aílton. Fonte: O Dia.
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