sábado, 23 de janeiro de 2016

Copa Libertadores de 1979 - a primeira do Olimpia

Jogadores do Olimpia comemorando a conquista

Desde 1960, quando a Copa Libertadores da América foi criada, até 1978, apenas equipes de Argentina, Brasil e Uruguai haviam conquistado o título da competição. O primeiro clube de outro país filiado à Confederação Sulamericana de Futebol (CONMEBOL) a quebrar a escrita foi o Olimpia, do Paraguai, em 1979.

Porém, a construção deste título começou muito antes, mais precisamente no ano de 1974. Com a eleição do presidente Osvaldo Domínguez Dibb, a equipe alvinegra começaria a montar um time histórico e notabilizado pelo alto grau de competitividade.

Uma geração de talentos formada pelo goleiro Almeida, pelos defensores Solalinde, Paredes e Sosa, os meio-campistas Talavera, Kiese, Di Bartolomeo e Torres, além dos atacantes Isasi, Céspedes, Aquino e Villalba deram ao Olimpia a força que faltava para acabar de vez com aquela sufocante hegemonia argentina, uruguaia e brasileira na Copa Libertadores.

Pôster dos campeões

Mas o segredo não foi investir apenas em jogadores. O presidente Dibb (magnata e dono de várias empresas no Paraguai) trouxe para o clube, em 1978, o técnico Luís Cubilla, ex-jogador que fez história no Peñarol e que conhecia como ninguém os desafios que envolviam a disputa da competição justamente por ter vencido o torneio três vezes (duas pelo Peñarol, em 1960 – em cima do Olimpia, 1961 e 1971).

A estruturação do elenco começou a dar resultado ainda em 1978. Com um time competitivo montado por Cubilla, forte tanto na defesa como no ataque, o Olimpia conquistou o Campeonato Paraguaio, ainda tendo Enrique Villalba como artilheiro da competição com 10 gols. Com a conquista, o Olimpia garantiu vaga na Libertadores do ano seguinte.

O sorteio indicou que as equipes paraguaias (ao lado do Olimpia, o Sol de America era o outro representante do país) enfrentariam, na primeira fase, os bolivianos Bolivar e Jorge Wilstermann. Na primeira partida, em 23 de março de 1979, o alvinegro venceu o confronto caseiro contra o Sol de America por 2 a 1. Seria a largada para um marco na história do clube.

Na primeira partida, no Defensores Del Chaco

O Olimpia não teve muitas dificuldades para passar pelo Grupo 2 da primeira fase da competição continental. Foram cinco vitórias e apenas uma derrota, um 2 a 1 para o Bolivar, na Bolívia. O time paraguaio marcou 13 gols e sofreu apenas cinco.

Na fase semifinal, que era formada por dois grupos de três times cada, o Olimpia encararia o brasilerio Guarani de Campinas, que havia surpreendido o Brasil, no ano anterior, com seu time de jovens talentosos, como Careca, Zenon e Renato, e o chileno Palestino.

O Olimpia estreou nesta fase da competição ganhando do Guarani, em Assunção, por 2 a 1, no dia 4 de maio. O time paraguaio ainda venceria o Palestino nas duas oportunidades (2 a 0, no Chile, e 3 a 0, em casa) e a classificação para a final foi carimbada com um empate em 1 a 1 contra o time brasileiro, no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas.

Na volta olímpica

O Olimpia estava na final da Libertadores, repetindo o que havia feito na primeira edição da competição, em 1960, quando perdeu o título para o Peñarol. O adversário dos paraguaios seria o temível Boca Juniors, que havia conquistado a taça no ano anterior.

A primeira partida foi no Estádio Defensores Del Chaco, em Assunção, em 22 de julho. Mais de 60 mil torcedores empurraram os alvinegros e logo aos dois minutos, Aquino abriu o placar para o Olimpia. Aos 27´, Piazza ampliou de falta, após um frango homérico de Gatti, e sacramentou a vitória por 2 a 0.

Cinco dias depois, as duas equipes voltavam a se encontrar, desta vez na mítica La Bombonera, em Buenos Aires. A provocação da torcida local em cima dos jogadores do Olimpia era grande. Os argentinos confiavam na vitória, que forçaria um terceiro jogo em Montevidéu.

Melhores momentos da campanha

Porém, o Olimpia foi gigante! O time se mostrou valente, forte e extremamente lúcido para garantir o empate sem gols nos 90 minutos e conseguir um feito que apenas o Santos de Pelé havia conseguido desde então: ser campeão da Copa Libertadores dentro de La Bombonera. Acabava ali, naquele dia 27 de julho de 1979, a hegemonia do trio de ferro Argentina, Brasil e Uruguai. O Club Olimpia era pela primeira vez campeão da América.

Aquele time ainda continuaria marcando época. Foi base da Seleção Paraguaia campeã da Copa América em 1979. No mesmo ano, o time conquistaria a Copa Intercontinental, batendo o Malmö, da Suécia. Ainda conquistaria os títulos nacionais de 1979 e 1980, completando o tricampeonato.

O Olimpia ainda conquistaria a Copa Libertadores em mais duas oportunidades (1990 e 2002), mas a primeira vez da conquista continua inesquecível.
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