sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Negócio da China: até quando Brasil?

* por Lucas Paes

Jadson está sendo negociado com um clube chinês

O Corinthians acaba de perder Jadson, ao lado de Renato Augusto, um dos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro, para um time da segunda divisão chinesa. Lucas Lima acaba de receber proposta tentadora de um time da China. No meio do ano, o Santos perdeu Robinho para um time da China. O Cruzeiro perdeu Ricardo Goulart também para um time da China. A pergunta que não quer calar é: até quando?

Até quando o Brasil seguirá perdendo jogadores para mercados alternativos? Mercados com times que, com todo o respeito, não possuem um dedo da tradição de camisas da envergadura de Cruzeiro, Santos, Corinthians, Palmeiras, enfim... “Até quando Brasil colônia?” inclusive em algo em que teoricamente somos melhores que boa parte do mundo?

Não é possível que os clubes sigam aceitando tanta coisa que tem acontecido no nosso futebol. A goleada de 7 a 1 para a Alemanha parece apenas um estopim de algo que está claro há muito tempo: não sabemos ganhar dinheiro com o nosso campeonato.

Ricardo Goulart foi o melhor do Brasileirão 2014 e, em seguida, vendido par a China

Isso não depende de sermos uma economia gigante. Nada disso, depende de saber vender a marca do seu time! Os grandes brasileiros têm toda a potência para se tornarem conhecidos no mundo, como Real Madrid ou um Barcelona da vida. No mundo árabe, nos Estados Unidos, na China, Austrália e outras regiões do planeta, partidas destes times lotam estádios enormes. Mas por que ao invés de um Liverpool botando 95 mil em Melbourne, não poderia ser o São Paulo ou o Flamengo? O que esses times têm de tão menor que o Liverpool, por exemplo?

O Campeonato Brasileiro, ainda que tente se modernizar, segue preso a antigos vícios. Um exemplo é o monopólio da Rede Globo, que é prejudicial enquanto essa não vende de forma correta nosso futebol para estes mercados emergentes. A falta de espaço no calendário, onde a critica passa a ser à toda a América do Sul, também causa isso. Na época do mata-mata ainda, era possível ver equipes brasileiras jogarem torneios internacionais, mas hoje isso é impossível.

Não se trata de bradar pela forma de competição antiga mas sim de se organizar, de saber vender os enormes clubes que temos nesse país. Qualquer pessoa com a cabeça no lugar devia achar inadmissível que o Villareal fosse mais conhecido na Ásia do que o Santos de Pelé, por exemplo, ou então que o Palmeiras, que o Vasco. Pode escolher qualquer grande clube brasilerio! O fato é que não é normal continuarmos com essa mentalidade mesquinha, besta e sem sentido que temos no nosso futebol.

Robinho esteve na Copa América e logo depois foi jogar no futebol chinês

O mundo se modernizou, o bonde vai passando e o Brasil parece não saber se adaptar. A Seleção hoje fraqueja e os clubes falam de gestão moderna mas seguem presos a um modelo falido em nome do medo de revolucionar. Quando a revolução acontece, cada um parece querer ser mais que o outro, pois não há pensamento coletivo. O clube dos 13 foi dinamitado por causa de uma taça das bolinhas e , principalmente, por interesses individuais nas cotas de televisão.

Enquanto isso, nós torcedores assistimos o mundo passar, vendo nossos clubes brigarem por migalhas e parecerem cada vez mais separados, pois não conseguem criar uma ideia coletiva de Liga, que pode trazer à todos. Porém, só pensam no seu cantinho e não se importam com o futebol brasileiro em geral. Vamos seguir com essa mentalidade e ver times do tamanho do Corinthians perderem jogadores para clubes da segunda divisão chinesa ou vamos mudar algo? Infelizmente, um país onde Eurico Miranda preside um time não parece querer mudar nada. Até quando Brasil?!?!?!

* Lucas Paes é estudante de jornalismo e colaborador de O Curioso do Futebol.
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