terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Não foi uma festa de despedida, foi uma prova de amor

* por Douglas Teixeira

Foi a despedida do mito são-paulino

Como qualquer relação, a que se dá entre torcedor e clube de futebol é feita de altos e baixos. Por isso, é preciso que a paixão esteja sempre viva para que a relação seja sólida. O amor por um clube pode surgir por hereditariedade, por encantamento ou por identificação. Mas ele se consolida de fato quando o torcedor vê em campo jogadores que dignificam o nome de seu clube, que não medem esforços para vencer e que deixam a alma em campo.

Foi em 1992, quando vi pela primeira vez o São Paulo de Telê Santana jogar, que me encantei. Não demorou para o encantamento virar paixão. E a identificação veio quando percebi que aquele era um clube diferente. Era um clube de vanguarda, audacioso e ambicioso. Além de vencer seus principais rivais, ele queria alçar voos mais altos, enfrentar os adversários mais fortes e ser reconhecido mundialmente.

Assim meu coração se tornou tricolor. Vendo Telê Santana, Zetti, Ronaldão, Ronaldo Luiz, Gilmar, Victor, Cafu, Pintado, Dinho, Doriva, Toninho Cerezo, Raí, Leonardo, Juninho, Muller, Palhinha e tantos outros. Um esquadrão que, merecidamente, conquistou a América e o mundo por duas vezes consecutivas.

A partida realizou o sonho dos tricolores

Os anos foram passando, o São Paulo venceu campeonatos estaduais, interestadual e também viveu um período sem títulos, mas sempre se manteve como um clube de ponta, desportivamente e administrativamente. Era respeitado em qualquer lugar do mundo e honrava sua história dentro de campo, ao passo que via surgir aquele que viria a se tornar o seu maior ídolo: Rogério Ceni. Goleiro de técnica apurada, à frente de seu tempo, que conquistaria vários títulos e que viria a quebrar inúmeros recordes. Dentre eles, o de maior goleiro artilheiro da história do futebol mundial. Um autêntico são-paulino, dentro e fora de campo.

Em 2005, o tricolor tornou-se o primeiro clube brasileiro a erguer a Libertadores da América pela terceira vez e chegar ao topo do mundo também pela terceira vez. Rogério Ceni, Lugano, Junior, Cicinho, Mineiro, Josué, Danilo, Souza, Luizão, Amoroso, Aloisio e outros tantos faziam parte de um time que não era como o esquadrão de Telê Santana, mas tinha força e alma. Aquela equipe ilustrava bem o que era “jogar com o coração na ponta da chuteira”. Isso era suficiente para manter viva a paixão de qualquer torcedor, independente de títulos.

Em cada gol, um efeito especial

O São Paulo ainda conquistaria três campeonatos brasileiros consecutivos em 2006, 2007 e 2008 e alguns novos ídolos surgiriam naquele período. O principal deles, sem dúvida, foi Muricy Ramalho. O antigo assistente de Telê Santana e ex-jogador do clube voltou ao Morumbi após quase dez anos para levar o clube ao hexacampeonato brasileiro. Sua postura à frente do time é capaz de manter viva a paixão de qualquer torcedor.

Nos últimos três anos, apesar do crescimento patrimonial e alguns frutos colhidos de seu futebol de base, o São Paulo conviveu com crises dentro e fora de campo. Algo inimaginável para um clube que sempre foi exemplo. Os rivais cresceram, se reinventaram, e o tricolor, como sabiamente disse Rogério Ceni, parou no tempo.

Zetti cobrando pênalti

Desde 2012, depois da final patética da Copa Sul-Americana, o que se vê no São Paulo são jogadores sem identificação com o clube, que não têm respeito pela camisa que vestem e nenhuma ambição. Além disso, as goleadas sofridas para rivais, as brigas entre dirigentes, os escândalos de corrupção envolvendo o presidente e as trocas constantes de técnicos abalaram a relação clube-torcida. E o que mais agrava a situação é o fato de o torcedor comum quase nada poder fazer diante disso. Sem direito de participar da vida política do clube, que tem um sistema arcaico e nada democrático, ele se vê cada vez menos envolvido.

Mas a mística do clube é tão grande que, mesmo diante da crise institucionalizada, ainda há motivos para manter viva a paixão. A reunião de dezenas de mitos da história tricolor, na despedida do grande mito Rogério Ceni, foi a maior prova de amor que o São Paulo Futebol Clube poderia oferecer a seu torcedor em anos de relação estremecida.

Comemoração do gol de pênalti do Zetti

A torcida que viu, dentre outros momentos emocionantes, Zetti marcar um gol de pênalti e Raí repetir, num quase gol, a cobrança de falta que originou o tento contra o Barcelona em 1992, retribuiu com uma festa à altura. Tremulou bandeiras, acendeu sinalizadores, entoou cantos de reverência ao clube e a seus ídolos. Foi uma festa impossível de ser repetida em jogos oficiais realizados em todo o Estado de São Paulo. Infelizmente!

Assim eu resumo o que aconteceu na noite do último dia 11 de dezembro. Seria impossível descrever fielmente a série de sentimentos que a festa de despedida de Rogério Ceni provocou. Ver em campo as duas equipes que colocaram o São Paulo no topo do mundo por três vezes certamente fez o coração de todo são-paulino bater mais forte. Eu estive lá. Aquela foi minha Copa do Mundo. Depois de muito tempo, me vi representado.

A torcida abrilhantou ainda mais o espetáculo

Gritar os nomes de Raí, Zetti, Cafu, Rogério Ceni, Pintado, Dinho, Telê Santana, Muricy Ramalho, Lugano e até de Doriva, merecidamente lembrado durante a partida festiva, foi suficiente para que, por uma noite, todos os tricolores recordassem o passado não tão distante e esquecessem as mazelas vividas nos últimos anos.

São-paulino, nos momentos difíceis, lembre-se do que aconteceu na noite do dia 11 de dezembro de 2015. Aquela festa foi uma prova de amor a você. Ao rememorar aquele momento, certamente, você se apaixonará um pouco mais por este gigante chamado São Paulo Futebol Clube.

Todos jogadores agradeceram a presença dos torcedores

* Douglas de Araujo Teixeira é jornalista, professor e dono de um coração luso-tricolor. Um coração que bate pelo São Paulo Futebol Clube e pela Associação Atlética Portuguesa, a Portuguesa Santista.
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Um comentário:

  1. Bom desde meus 6,7 anos de idade eu tenho um grande sonho, que é conhecer o Rogério Ceni. Tenho 22 anos e acompanho-o desde sempre, a parti dos meus 6, 7 anos de idade, eu virei goleiro por causa dele, por cada defesa dele, por cada gol marcado, isso aumentava mais ainda meu carinho e admiração por ele.
    E sempre que estou em campo jogando, me sinto como se eu fosse o próprio R.ceni ,e tento me esforçar ao Maximo para um dia ficar tão bom quanto ele .
    Um momento muito marcante dele para mim foi na final do Mundial 2005 - São Paulo X Liverpool , no lance da falta do Gerrard .
    Todos sabiam da capacidade do Gerrard em faltas, e que ele podia fazer qualquer coisa daquela distancia, mais o que eles (Liverpool) não esperavam que tinha do outro lado, não era um simples goleiro, mas sim o R.ceni , o M1to .
    Bom e foi lá o Gerrard caprichou na cobrança, bom nessa hora o lance foi em câmera lenta , e logo em seguida , eu escuto na voz do Galvão Bueno - ROGERRRIOO CENI , meu coração foi parar na garganta de tanta emoção .
    E agora após cada defesa, cada gol, cada incentivo antes da partida, isso aumenta cada vez mais a minha força de vontade e meu carinho, por querer conhecer ele .
    Nesse ano de 2012, perto da renovação dele, fiquei muito angustiado pensando:
    - poxa será que ele vai renovar ou não? Será que eu vou conseguir realizar meu sonho?
    Assim como de costume entrei na internet, e li: Rogério Ceni renova contrato com o São Paulo até o fim de 2013.
    Falei pronto essa é a minha chance de conhecer ele, e conhecer todo o elenco do São Paulo Futebol Clube. E poder vê também se ele pode me aprovar como goleiro, se ele pode me dar algumas dicas, se eu devo seguir meu sonho de ser jogador profissional (Goleiro), apesar dos meus pais não apostarem tanto nisso, e poder aprender muitas coisas com a pessoa dele.
    Bom não sei se eu cheguei a ti contar do meu sonho de verdade , que eu tenho desde de os meus 5 , 6 anos , que é ser jogador de futebol.
    Tenho esse sonho e luto por ele sempre e sempre , não desisti desse sonho mesmo tendo uma idade (22 anos) posso ser velho pra tentar começar algo .
    Deixa eu ti contar uma coisa, a parti dos meus 7 anos , eu comecei a fazer escolhinha de futebol , e foi no Gisela que tudo começou ,posso dizer que foi lá exatamente que eu dei meus primeiros passos no futebol , não foi exatamente com os pés , foi com as mãos ,sim com a mãos . Vendo pela TV fiquei fascinado quando criança vendo as lindas defesas do meu maior ídolo Rogério ceni , e sempre fiquei dizendo pra mim mesmo : um dia eu vou chegar aonde ele esta e vou fazer história .
    Passei por diversos clubes, Gisela, Tamoyo, São José, Santa Maria, Abrev, Circolo Italiano.
    Em todas as passagens por esses clubes eu aprendi muitas coisas, conquistei muitas amizades, e o mais importante sempre me esforçando ao Maximo para realizar o que eu mais quero.
    Eu não desisto do meu sonho e quero muito lutar até o final para conseguir realizar meu sonho.
    Faço o que for preciso para poder realizar meu sonho, se você puder me ajudar, eu ficaria totalmente agradecido.
    Agradeço desde já
    Grato
    Giovanni Caldo

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