quinta-feira, 16 de julho de 2015

Botafogo campeão e a volta olímpica da caravela

A equipe campeã de 1990

O Campeonato Carioca de 1990 teve um dos episódios mais marcantes da história da competição. O regulamento original dizia que os campeões da Taça Guanabara e Taça Rio fariam uma espécie de semifinal única e o vencedor do confronto enfrentaria o time de melhor campanha na soma dos dois turnos. O ganhador desta partida seria o campeão estadual. Este regulamento lembra muito o do atual Campeonato Uruguaio.

No primeiro turno, a Taça Guanabara, o Vasco da Gama foi o campeão. No segundo turno, a Taça Rio, o vencedor foi o Fluminense. Porém, o time de melhor campanha na soma das duas etapas foi o Botafogo, que era o atual campeão estadual. O Fogão havia perdido apenas uma partida em toda a competição, para o América de Três Rios, por 1 a 0, no interior do estado.

Após a última rodada do segundo turno, finalizada no dia 29 de abril, o campeonato entrou em recesso por conta da disputa da Copa do Mundo, e as finais foram marcadas quase três meses depois, nos dias 22 e 29 de julho.

Enquanto o Vasco dava a
volta olímpica com a caravela...

Durante o período de paralisação, foi convocado um arbitral na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), para discutir a alteração no regulamento da competição. A proposta de alteração, apesar de ter sido apoiada pela maioria dos clubes, necessitava de unanimidade em uma votação para que fosse homologada. O novo regulamento prejudicaria os interesses do Botafogo na fase final, já que o time precisaria ganhar no tempo normal e na prorrogação para ser o campeão. O clube, obviamente, não concedeu a unanimidade, manifestando-se contrariamente à alteração sugerida.

Os dirigentes vascaínos, assim como o próprio presidente da Ferj, entenderam que, como a maioria foi a favor da mudança, isto já era condição suficiente para aprovar a alteração do regulamento.

No dia 22 de julho, o Vasco derrotou o Fluminense por 1 a 0 e garantiu sua vaga na final. Uma semana depois, Botafogo e Vasco entraram no Maracanã para decidir o título. Os vascaínos, apoiados pela Ferj, defendiam que, caso o Botafogo derrotasse o Vasco, necessitaria ainda disputar uma prorrogação para definir o vencedor do campeonato. Por outro lado, o Botafogo, seguindo o regulamento original, discursava que bastaria vencer a partida no tempo normal para que fosse proclamado o campeão estadual de 1990.

O jogo truncado foi visto por 35 mil pessoas no Maracanã, público pequeno para o “Maior do Mundo” naquela época, principalmente em uma final, O Botafogo conseguiu a vitória com um gol aos 34 do segundo tempo, com Carlos Alberto Dias.

... o Botafogo comemorava o título no vestiário

Após o árbitro finalizar o jogo no tempo normal, os jogadores botafoguenses se recusaram a disputar a prorrogação. Pegaram o troféu, levantaram, comemorando o título e foram para o vestiário. Já os vascaínos esperaram 15 minutos e, alegaram o abandono de campo do Botafogo e se autoploclamaram campeões.

Para comemorar o título, os jogadores do Vasco pegaram uma maquete de uma caravela de um torcedor e deram a volta olímpica.

Alguns meses depois, a Federação de Futebol do Rio de Janeiro foi obrigada a entregar a proclamar o Botafogo campeão, após o título ser confirmado através de decisão judicial e a volta olímpica da caravela virou motivo de chacota entre os fãs de futebol do Rio de Janeiro.


Vídeo do jogo completo

Ficha Técnica

BOTAFOGO 1x0 VASCO DA GAMA

Competição: Campeonato Carioca / Estadual (decisão)
Data: 29 de julho de 1990
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Renda: Cr$ 10.795.500,00
Público: 35.083 pagantes
Árbitro: Cláudio Garcia
Gol: Carlos Alberto Dias 79'

Botafogo: Ricardo Cruz; Paulo Roberto, Wilson Gottardo, Gonçalves e Renato Martins; Carlos Alberto Santos, Luisinho e Djair (Gustavo); Donizete, Valdeir e Carlos Alberto Dias - Técnico: Joel Martins da Fonseca.

Vasco da Gama: Acácio, Luiz Carlos Winck, Célio Silva, Quiñonez e Mazinho; Zé do Carmo, Marco Antônio Boiadeiro e Bismarck; Tita, Sorato e William (Roberto Dinamite) - Técnico: Alcir Portella.
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