sábado, 13 de junho de 2015

México 1 x 0 Camarões - Vitória mexicana na capital potiguar

Muita chuva em Natal no momento da partida

* por Evandson Morais

Copa do Mundo no Brasil era um sonho que sempre tive. Quando este sonho se tornou realidade, pensei imediatamente em aproveitar ao máximo tudo o que ia acontecer. Claro, ia também precisar juntar grana para ir aos jogos e me manter, ao mesmo tempo, vivo e bêbado durante todo o período da competição. Confesso que em alguns momentos até passei desses limites (risos). 

Comprei todos os meus ingressos, entre eles o México e Camarões, assim que abriram as vendas para estudante, através do site da Fifa. Se não me engano, adquiri os quatro ingressos para jogos em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde moro, por R$ 120,00. Tem amigos que até hoje não acreditam nisso!

Mesmo sem saber quais seriam as partidas naquele momento, eu sabia que iria em todos os jogos, até porque era bem claro para mim que, ao menos, uma grande seleção viria para cá. Mesmo que não fosse assim, acredito que não ia tirar a minha vontade da mesma forma.

Jogo com início às 13 horas e parecia o entardecer

A Arena das Dunas tem uma grande vantagem em relação à maioria dos estádios que foram construídos para a Copa. A sua localização é exatamente no coração de Natal, próximo às avenidas principais e com muitas linhas de ônibus. Eu moro em uma área distante do estádio, mas decidi passar o período da Copa na casa da minha namorada, que é praticamente vizinha ao estádio. Na verdade, eu estava temendo as manifestações em dias de jogos que pudessem atrapalhar a minha ida aos jogos, uma vez que o sistema rodoviário da cidade ameaçava paralisações nos dias das partidas.

Para chegar ao estádio, a única dificuldade foi passar pelo isolamento que a polícia fazia do local em relação ao transito, o que ocasionava engarrafamentos próximos as áreas que a polícia isolava. Assim, os torcedores ficavam presos dentro dos ônibus até a parada destinada ao Estádio. Mas, mesmo assim, cheguei a tempo de assistir a meu primeiro jogo no Mundial.

Câmera com lente embaçada devido por causa da chuva

México e Camarões foi o segundo jogo do torneio. Acordei meio ressacado após a estreia da Seleção Brasileira, porém muito empolgado para ir ao jogo. Natal é conhecida por ser a cidade do sol, mas naquele dia caiu um diluvio na cidade que poucas vezes vi igual. No caminho ao estádio eu pensava o quanto isso ia prejudicar a partida, já que tanto México quanto Camarões são seleções que buscam o jogo com a bola no pé, em velocidade, tocando rápido.

Para a minha surpresa, o temporal não atrapalhou em nada. A bola rolava tranquilo no gramado e o México estava muito bem postado em campo e ia no embalo da onda mexicana, que invadiu a cidade. A tricolor era muito mais organizada, com o Rafa Marquez fazendo sempre a saída de bola e quase sempre com sucesso lançamentos longos para as pontas. Enquanto isso, Camarões sofria com a falta de um armador, Eto'o muitas vezes ia fazer a função no meio, quando a bola chegava ao ataque ele não estava lá.

Após erros da arbitragem clamorosos, que anularam 2 gols dos mexicanos, a equipe da Concacaf fez o gol da vitória em um rebote do Itandje, na parte final da partida. Com isso, o 1 a 0 foi mais do que justo.

O grito da torcida mexicana que ficou famoso na Copa

O clima da Copa do Mundo é sensacional, diferente de tudo que eu já vivi dentro de estádios de futebol e até com o esporte em si. O clima era incrível, gente de todo lugar trocando experiências e se comunicando através da linguagem do futebol na mais absoluta paz. As ruas cheias de gente esperando o jogo começar, se divertindo. Muito irado!

Conversei com várias pessoas, mas quem mais me marcou foi um senhor mexicano que veio até onde eu estava, após o fim da partida, e puxou conversa, querendo saber mais sobre o ABC após me ver com a camisa do clube. Ele disse que era a camisa que tinha mais visto na cidade. Aproveitei e disse que o ABC era o mesmo o maior da cidade. Reconheci de cara sua beca do Cruz Azul e assim conversamos um bocado também sobre a “maquina cementera”.

Assistir a um jogo de Copa é tipo quando a gente é criança e imagina estar dentro de um desenho animado, participando das ações como se você fosse o herói da história. Parece que você está indo, novamente ao primeiro jogo de futebol de sua vida. A sensação é a mesma. Para mim, acho que ficou bem claro que após rodar por tanto tempo em vários países, a copa achou a sua casa.


 * Evandson Eduardo de Morais Fernandes, 26 anos, mora em Natal e torce para o ABC. Evandson é estudante e designer gráfico. Seus trabalhos podem ser vistos no site https://www.behance.net/eemf88.
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