domingo, 7 de junho de 2015

Lara, o craque imortal

Lara defendeu a meta gremista por 16 temporadas

Há poucos jogadores na história do futebol brasileiro tão identificados com um clube como Eurico Lara. O goleiro do Grêmio nas décadas de 20 e 30 tem seu nome na letra do hino oficial da agremiação.

Nascido em Uruguaiana-RS, Lara defendeu as cores do Grêmio por 16 temporadas. Graças à suas grandes atuações na fase do futebol amador e sua moral, o goleiro é um dos símbolos do futebol gaúcho e uma verdadeira lenda dos mais de 100 anos de história do Tricolor Gaúcho.ol amador e sua moral, o goleiro a do hino oficial da agremiação.

Lara começou a jogar futebol no time do exército de sua cidade natal. Dizia-se, na época, que na cidade fronteiriça existia um arqueiro que, quando jogava, o time não perdia. Não demorou muito para que as informações sobre o atleta chegassem aos ouvidos dos dirigentes gremistas, os quais imediatamente deslocaram olheiros para a região. Sem demonstrar interesse em atuar como jogador de futebol em Porto Alegre, Eurico Lara acabou sendo transferido de sua terra natal para uma corporação da capital graças a pessoas influentes dentro do Grêmio. Chegando a tenente do Exército, Lara acompanhou as forças revolucionárias que, em 1930, escreveram uma página importante para a história do país.

Sem abandonar a farda, chegou ao Grêmio em 1920 culminando com a conquista do Campeonato da Cidade de Porto Alegre. Dois anos depois, além de defender a seleção do Exército que venceu o campeonato entre as classes armadas, começou a construir sua reputação como goleiro no centro do país, depois de defender, com destaque, a esquadra gaúcha no Torneio Preparatório visando a escolha da seleção brasileira que disputaria o Sul-Americano.

Seu nome está no hino do Grêmio

Lara fechou o gol em uma partida realizada no estádio Parque Antártica entre gaúchos e paulistas. Os donos da casa venceram por 4 a 2 mas, no final, o goleiro do Sul foi ovacionado por uma multidão que invadiu o gramado para cumprimentá-lo. Afinal, não era qualquer um que conseguia defender mais de 20 chutes desferidos pelo atacante Friendereich, o maior nome do futebol brasileiro naquela época. Apesar de tudo, e para surpresa de todos, o gremista não foi chamado para a seleção.

Em setembro de 1935, já doente do coração e com ordem dos médicos para não mais atuar, Lara decidiu entrar em campo para a decisão do Campeonato Farroupilha onde o Grêmio precisava vencer o Internacional para levar o troféu. Foi uma de suas maiores atuações com a camisa do Grêmio perante uma torcida maravilhada e sabedora do esforço realizado pelo atleta para poder participar da partida. Vitória do Grêmio por 2 a 0 e, como de costume, Eurico Lara carregado nos braços do povo.

Esse mesmo povo que lotava as dependências do Estádio da Baixada saiu às ruas, no dia 06 de novembro, dois meses depois do Gre-Nal Farroupilha, para chorar a perda de um dos maiores desportistas do país. O enterro de Lara parou Porto Alegre e o atleta entrou para sempre na história do Grêmio e no coração de quem teve o prazer de vê-lo atuar.

Lara conquistou pelo Grêmio os campeonatos municipais de 1920, 21, 22, 23, 25, 26, 30, 31, 32, 33 e 35; e os campeonatos estaduais de 1921, 22, 26, 31 e 32. Em 1953, o compositor Lupicínio Rodrigues, ao fazer o hino oficial do Grêmio, resolveu homenagear o grande goleiro: “Lara, o Craque Imortal. Soube o seu nome elevar. Hoje, com o mesmo ideal. Nós saberemos te honrar”.

Raro vídeo que mostra Lara

* Com informações do site oficial do Grêmio www.gremio.net.
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