sexta-feira, 19 de junho de 2015

Japão 0 x 0 Grécia - Jogo sem gols em Natal

Muita disputa de bola, mas jogo de poucas emoções

* por Paulo Torres

Quando a Copa de 2014 foi confirmada para o Brasil, em 2007, me animei bastante. Eu havia ido à Copa de 2006, na Alemanha, e trabalhado como voluntário nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, e ver toda aquela festa voltando a acontecer na minha cidade seria algo incrível! E mesmo com tantos jogos, consegui aproveitar as viagens também para fazer turismo em cidades que eu ainda não conhecia.

Quando vi que Natal e Recife receberiam jogos da Copa em dias consecutivos, já me programei para assisti-los, aproveitando uma única viagem para conhecer essas duas capitais nordestinas. Comprei os ingressos antes do sorteio dos grupos, sem saber quais times jogariam por lá, e ainda em 2013 eu já tinha as passagens compradas (com milhas).

Japoneses marcaram presença em Natal

Viajei a Natal logo após ter assistido Bélgica x Argélia no Mineirão. Cheguei na capital potiguar na madrugada da véspera do jogo, aterrissando em um aeroporto recém-inaugurado onde tudo funcionava de forma bem precária. Hospedei-me num albergue em Ponta Negra, de onde teria fácil acesso à Arena das Dunas, não mais que uns 20 minutos de ônibus. No dia livre que tive, fiz um passeio de bugre à Genipabu, no qual eu era o único turista entre 12 que falava português - e os três bugreiros não sabiam nem mesmo arranhar um "good morning". Fui então fazendo de tradutor para os gringos, em sua maioria americanos, com dois canadenses e um neozelandês no meio do grupo. Acho que consegui fazê-los entender pelo menos o que é uma "caipirinha de acerola".

No dia do jogo, após uma manhã preguiçosa nas areias da Ponta Negra e um camarão ao molho de cajá no almoço (no restaurante, um ônibus de gregos se esbaldava com camarões e caipirinhas enquanto viam Colômibia x Costa Rica na TV), fui ao estádio com antecedência suficiente pra assistir Inglaterra x Uruguai nos telões da FanZone. Ao mesmo tempo em que asisstia Luís Suárez virar o jogo, ficava ali tirando fotos com torcedores fantasiados e batendo papo sobre futebol com os muitos torcedores estrangeiros ali presentes - chamava atenção a quantidade de americanos, ingleses e mexicanos - e brasileiros com camisas de seus times: além de ABC e América, havia Fortaleza, Ceará, Potiguar, Baraúnas, Botafogo-PB...

Jogo sem gol, mas com expulsão

Fiquei bem próximo ao campo, na arquibancada inferior na lateral do campo. Talvez essa visão privilegiada tenha me dado uma boa impressão desse 0x0 que muitos criticaram. De perto, via bem a intensidade com que a partida foi disputada. Não havia bola perdida, e ambos times marcavam muito por pressão todo o tempo, não dando espaço para o jogador que recebia a bola. Os gregos tiveram Katsouranis expulso no fim do primeiro tempo, e terminaram o jogo completamente esgotados. Ainda assim criaram algumas chances de gol, parando sempre no eterno goleiro Kawaguchi. A melhor chance e gol foi desperdiçada pelo japonês Okubo, que chutou por cima após receber dentro da pequena área um cruzamento que já havia passado pelo goleiro grego. A numerosa torcida japonesa se concentrava exatamente atrás daquele gol, e ainda assim aplaudiu seus jogadores ao fim do jogo.

Após a partida, a saída do estádio foi um pouco complicada - a Arena das Dunas fica entre avenidas de trânsito pesado, e os ônibus para retornar à Ponta Negra demoravam bastante a sair. Apesar desse pequeno contratempo, consegui pegar o ônibus que me levaria a Recife para assistir Itália x Costa Rica no dia seguinte. E meus dois dias de Copa do Mundo em Natal me deixaram com muita vontade de retornar à cidade em outra oportunidade!


* Paulo Torres (o primeiro da esquerda para a direita), 36 anos, engenheiro e mora em Belo Horizonte. Atleticano, Torres também frequenta os jogos do América em BH, pois é um grande fã de futebol e esportes em geral e já contando os dias para as Olimpíadas de 2016. Seu Twitter é o @paulotf.


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Partida sem gols na Arena das Dunas


* por Edvandson Eduardo

Três dias depois de Estados Unidos e Gana, lá estava eu indo novamente para a Arena das Dunas para assistir a mais um jogo de Copa do Mundo. Vinha em uma empolgação danada, aproveitando tudo o que eu tinha direito dessa grande festa envolvendo gente de todos os lugares do mundo.

Entrei no clima da Copa completamente. Já nem ligava mais problemas de trânsito perto do estádio e fazia o caminho em direção à Arena das Dunas no automático. E, nesse momento, curtia tudo que rolava ao redor. Nesse dia, 19 de junho, estava indo assistir a Grécia e Japão, minha partida de número três no mundial.

Entrei no estádio, encontrei meus lugares e esperei a ‘peleja’ começar. Foi um jogo muito duro. Já esperava isso pelo lado do time grego, como bem sabemos. Porém, do Japão eu esperava muitas chances perdidas pelos seus atacantes, como aconteceu, mas acreditava que Honda ou Kagawa pudessem fazer algo e dar a vitória aos nipônicos. Eles até que apareceram, mas não conseguiram fazer gols.

Torcida estava animada

A Grécia perdeu um jogador expulso ainda no primeiro tempo, mas marcava forte e saía rápido no contra ataque. Já o Japão insistia em cruzar a bola para a área grega de maneira infantil, tendo em vista a diferença da baixa estatura de seus atacantes contra os gigantes da defesa grega.

O Japão tinha a posse de bola, mas com pouca criatividade. As chances claras de gol foram quase todas da Grécia. Inclusive teve um lance louco do Samaras, que viu o goleiro japonês adiantado e tentou fazer um gol do meio de campo. Se marcasse, seria mais um a ter feito o gol que o Pelé não fez na Copa de 1970 (risos).

No final, o jogo terminou sem gols e, apesar da posse de bola japonesa, a Grécia era quem merecia ter saído de Natal com os três pontos. Foram eles que levaram mais perigo, finalizando mais.

Na hora da saída, foi perceptível a educação dos japoneses

Após o apito final, não pude deixar de reparar na educação japonesa. Todos eles recolheram o lixo que eles fizeram nas arquibancadas. Nem no mundo imaginário perfeito pensei que isso pudesse acontecer. Não é a toa que eles são considerados como a civilização mais avançada do mundo. Estão de parabéns.

Foi mais um jogo legal e, mesmo sem gols, me diverti muito. Eu ainda teria mais um capítulo nesta Copa. Por isso, ainda iria curtir mais.






* Evandson Eduardo de Morais Fernandes, 26 anos, mora em Natal e torce para o ABC. Evandson é estudante e designer gráfico. Seus trabalhos podem ser vistos no site https://www.behance.net/eemf88.
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