domingo, 14 de junho de 2015

Inglaterra 1 x 2 Itália - Clássico do futebol europeu em plena Amazônia

Balotelli deixou o seu na partida

* Por Leandro Zancra

Quando fiquei sabendo que o Brasil iria sediar a Copa de 2014, no primeiro momento eu fui contra, pois considerava muito dinheiro a ser gasto. Mas mudei de ideia, fiquei a favor do Mundial, pois o valor gasto na realização do evento não é nada perto do que os políticos roubam.

Outro sentimento que me fez mudar de ideia foi por eu ter ido à Copa de 2010, na África do Sul. Logo em seguida, fui morar na Europa, onde tive a oportunidade de assistir in loco a Eurocopa de 2012. Isso só fez aumentar a vontade de ver uma copa no meu país.

Porém, eu estava trabalhando fora do país na época do sorteio para compra do primeiro lote de ingressos. Não fiquei nem sabendo que havia começado e perdi o prazo de inscrição para brasileiros. Por sorte, meses depois saiu um sorteio para europeus e, como tenho passaporte italiano, consegui me inscrever para conseguir comprar um ingresso. Como o sistema só me permitia fazer inscrição em jogos da Itália, consegui comprar ingresso para o jogo da Azzurra contra a Inglaterra.

Ingleses em um barco no Rio Negro

Chegou a época da Copa. Eu estava em São Paulo e precisava me deslocar até Manaus, local da partida. A viagem, feita no dia 12 de junho, foi horrível. Fui com dois amigos, ambos ingleses de avião, pois essa é a única maneira de chegar até o local. A passagem de avião foi cara. Aliás, já é caro normalmente e nessa época abusaram dos preços das passagens, sem contar o aumento do valor da taxa de embarque. Mas, mesmo assim, fomos até lá encarando cinco horas dentro de um avião.

Chegamos antes do dia do jogo para curtir a cidade. Os ingleses dominaram Manaus inteira. Nosso hostel estava tomado por eles. As ruas, praças, bares também. Tinha inglês bebendo cerveja em todo o canto daquele lugar (risos). Os passeios que fazemos era sempre ao lado deles. Acredito que essa foi a melhor parte, até mesmo melhor que o próprio jogo. O contato com eles, as provocações, as bebedeiras e etc.

Chegou o dia do jogo, dia 14 de junho. O clima estava bem legal, uma mistura de brasileiros, povão, que nunca tinha visto um jogo grande. Eles pareciam ir ao delírio. Muitos paravam os ingleses e italianos para tirar foto e ter uma recordação. Durante o dia todo, os bares ao redor do estádio, estavam lotados de ingleses e brasileiros, que pareciam disputar quem bebia mais (risos).

Os ingleses estavam em todas as partes de Manaus

Os ingleses, já bêbados, disputavam, agora com os poucos italianos, quem iria xavecar e conquistar mais as mulheres brasileiras. Nesta hora confesso que ria demais! Dentro do estádio, o clima continuava o mesmo, sempre com muitas fotos.

A torcida inglesa ficou praticamente toda atrás de um dos gols, isso deu um visual bonito, com muitas bandeiras inglesas estavam penduradas por todos os lados. Depois do jogo, que acabou por volta das 22 horas, a festa do lado de fora foi grande. Apesar do resultado desfavorável aos ingleses, eles não desanimaram. Não sei se era por estarem bêbados ou com vontade de continuar bebendo a noite toda (risos).

Já a partida foi tecnicamente foi chata. Por incrível que pareça, eram duas seleções fracas, mas eu já esperava isso. A Inglaterra vinha de duas Copas seguidas com futebol aquém do esperado e a Itália vinha de um Mundial ridículo em 2010, onde não conseguiu nenhuma vitória em um grupo de times fracos.

A Arena ficou bonita com as torcidas lotando todos os lugares

O forte do jogo foi a emoção. Por serem dois times fracos e europeus, a rivalidade e a raça foram grandes. Nenhum deles queria perder. A grande presença dos ingleses também ajudou a melhorar o jogo, pelo menos as arquibancadas estavam bem animadas.

Conversei com muitas pessoas, principalmente ingleses que estavam no hostel em que me hospedei. Saíamos todos os dias para beber. Além disso, eu troquei uma bandeira do Corinthians por outra da Inglaterra escrita Charlton FC.

Realmente, a sensação foi a melhor possível, não tem como descrever. Eu já havia estado na Copa de 2010 e foi incrível. Agora, ver uma Copa, na minha casa, no meu país é bom de mais. 

O clima de amizade era sensacional, pois todos queriam curtir aquele momento, com a mistura de brasileiros com estrangeiros. Para mim, é importante destacar a importância de ter cerveja no estádio, pois ajuda a animar a festa e também a fazer contato com as pessoas (risos). 


* Leandro Zancra, 30 anos, é construtor, divide sua vida entre São Paulo e Barcelona e torce para Corinthians e o Barça. Também escreve uma coluna chamada Futebol na Estrada no site Por Baixo das Pernas.
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