segunda-feira, 29 de junho de 2015

Holanda 2 x 1 México - Final de jogo de tirar o fôlego em Fortaleza

Lance do pênalti em Robben

* por Luca Laprovitera

Lembro bem até hoje do anúncio que confirma o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. Era outubro de 2007 e este fato me contagiou uma enorme alegria. Foram sete anos de espera e tudo que eu sonhava desde o início era poder participar de alguma forma e mal eu sabia que iria participar sim. E o maior sonho daquele garoto de então 18 anos em 2007 seria realizado.

Eu nunca imaginei que precisaria de ingressos para assistir os jogos. Durante a Copa do Mundo, eu trabalhei para a Host Broadcast Services (HBS), que é uma empresa que presta serviço para a FIFA e é responsável pelas transmissões para as redes de rádios e televisões. Eu era Commentary Assistant (na tradução literal, assistente comentarista) e minha função era testar, montar e auxiliar nos equipamentos de transmissão para as emissoras. Além disso, como gosto muito de futebol, acabava ajudando alguns jornalistas, dando informações sobre jogadores e ajudando no pré-jogo.

Moro em Fortaleza e minha casa não é muito longe da Arena Castelão. Indo de carro, por conta de uma avenida que fica ao lado de onde moro, leva cerca 15 minutos sem trânsito. Eu e outros funcionários da HBS íamos sempre juntos, porque eu recebia um ticket para estacionar em um dos bolsões dedicados aos funcionários e imprensa. Como era muita gente e ficava muito engarrafado, eu sempre tinha que entrar em becos que até hoje não sei como conseguia sair. Só sei que sempre chegava bem e a tempo.

Fortaleza foi a sede da crueldade na Copa do Mundo. O Uruguai perdeu para a zebra costarriquenha; o Brasil ficou no zero contra o México, em dia de Ochoa inspirado; depois veio o tropeço da Alemanha contra Gana e a quebra do recorde do Ronaldo pelo Klose; Costa do Marfim sendo eliminada pela Grécia no último minuto; e do em um pruel com o Ma e a quebra do recorde do Ronaldo pelo Klose; Costa do Marfim sendo eliminada pela a Colômbia sendo eliminada pelo Brasil que perdia Neymar, por contusão, e Thiago Silva, pelo segundo cartão amarelo, e indo enfrentar a Alemanha em Belo Horizonte. E nesta última crueldade, todos nós sabemos o final.

Holanda 2, México 1, realizado em 29 de junho, foi um dos melhores jogos da Copa, como também mais um momento de crueldade na Arena Castelão. A Holanda, obviamente, era favorita, mas o México tinha minha simpatia. O primeiro tempo foi de pressão da seleção europeia, mas os mexicanos tiveram boas chances. Era uma partida rápida e vistosa de se ver.

Um pouco antes das equipes entrarem em campo

O México saiu na frente aos três minutos do segundo tempo, em um erro da defesa holandesa. De Vrij cortou mal e Blind deu espaço para Giovanni dos Santos abrir o placar. A torcida, que estava torcendo pelos irmãos latinos, foi a loucura. Até aquele momento, era a América Latina nas quartas.

Mas na Copa existem fantasmas e o do México era o maior, pois tinham sido cinco Copas caindo nas Oitavas-De-Final: em 1994 para a Bulgária nos pênaltis, em 1998 para a Alemanha de virada com gol aos 41 minutos do 2º tempo, em 2002 para os rivais norte americanos, e em 2006 e 2010 para a Argentina, a primeira na prorrogação e a segunda sendo goleados com gol duvidoso que mudaria o jogo.

Em 2014 não poderia ser diferente. Na minha frente estavam duas emissoras, a Azteca, com o ex-goleiro Jorge Campos, e a Telemundo, com o ex-atacante Cuauhtémoc Blanco. Campos estava nervoso, abraçava e beijava os companheiros de transmissão até que em bola cruzada na área, aos 43 mi que mudaria o jogo. ngressos para assistir nutos, a ‘redonda’ sobra para Wesley Sneijder empatar. Blanco fica desolado, Campos se desespera. Seria para eles tudo de novo? Seria o México novamente eliminado de forma traumática?

Os mexicanos ficaram nervosos em campo. Rafa Márquez caiu na armadilha de Arjen Robben, que se jogou ao primeiro bote do zagueiro de 35 anos e o árbitro marcou pênalti. Um jogador experiente como ele, com quatro Copas nas costas, não pode vacilar em um lance como este.

O desespero dos mexicanos era evidente. Campos se ajoelha no chão e Blanco segura as lágrimas até que, ao gol de Huntelaar, o desespero bate e alguns jornalistas abandonam a transmissão antes mesmo do jogo terminar. Blanco se cala e chora solitário sentado no banco, se recusa a continuar a transmissão da Telemundo. Já Campos se desespera, chora, grita, joga seu equipamento no chão e seus companheiros xingam em pleno ar. Mais uma vez traumática seria a eliminação do México. Mas essa, sem dúvidas, a mais dolorosa. 

Torcida holandesa comemorou a vitória

O clima dentro do estádio era amigável. Entre os europeus, os holandeses provavelmente estavam entre os mais simpáticos. Por outro lado, os mexicanos eram vibrantes, eram da casa, seu grito “Puto” a cada tiro de meta cobrado, em homenagem à música com o mesmo nome, da banda 'Molotov,' deixava os brasileiros presentes torcendo para eles. Era um clima sem rivalidade, de otimismo e felicidade, que ao fim, ficou na alegria radiante dos holandeses e na tristeza dos mexicanos.

Tive uma conversa inesquecível com Jorge Campos. Após o segundo gol da Holanda, alertei via rádio aos meus colegas sobre o descontrole de alguns jornalistas mexicanos que estariam jogando os equipamentos no chão e poderiam danificá-los e Campos estava na minha frente e entre os descontrolados. Depois do jogo, o ex-goleiro me parou. Ele sempre teve minha admiração, talvez não pela bola jogada e sim pela figura lendária que se tornou. Foi um papo descontraído de mais de cinco minutos sobre o México e os traumas, com um pedido de desculpas sem jeito do mexicano, claramente aceito. O papo terminou com a frase que os mexicanos mais repetem: “jugamos como nunca, perdiemos como siempre”.

A sensação de ver um jogo de Copa do Mundo é fascinante. O meu primeiro jogo na Copa, Uruguai e Costa Rica, foi algo inexplicável, lindo. Evel, lindo. o jogo na Copa, Uruguai e Costa Rica, foi algo inexplic o Holanda e México também aproveitei muito, pois sabia que seria o meu último em estádio. A cada minuto eu esperava para demorar mais, mas ao mesmo tempo queria ver o jogo. A Copa do Mundo é um sentimento meio ‘hipócrita’ de viver tudo e querer saber o final, mas sem querer chegar até lá. 


* Luca Laprovitera de Lima, 25 anos, é jornalista, mora na capital cearense e torce para o Fortaleza. Luca é responsável pelo site Opinião Sport Clube.
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