quarta-feira, 24 de junho de 2015

Grécia 2 x 1 Costa do Marfim - Com os versos de sua torcida, os gregos classificam

Gregos comemoram o feito inédito em Copas

* por Estevan Azevedo

Quando o amigo Victor me convidou para contribuir com esse projeto, fiquei muito surpreso com seu pedido. Não com o pedido da contribuição em si, mas das partidas sobre as quais eu escreveria. Quem escolheu foi ele, mas se ele tivesse me dado tal liberdade, acho que a escolha cairia sobre os mesmos jogos. Não sei se as histórias são interessantes pra quem lê, mas certamente foram pra quem as viveu.

Depois da festa chilena em Cuiabá, e da correria pra não perder o jogo de Manaus, a epopeia que foi pra sair de Porto Alegre e chegar em Fortaleza. Se em Manaus o voo chegava pouco antes da partida, para Fortaleza o voo decolava logo depois. Acompanhei o genial Argélia 4x2 Coreia do Sul com os amigos e colegas de blog, Fernando e Emerson, e devido a um trânsito monstro, de fazer inveja a qualquer paulistano, somente por um milagre eu conseguiria chegar a tempo ao aeroporto para não perder meu voo para a capital cearense. Guardo-me o direito de não contara aqui o milagre, em respeito aos leitores ateus, que sei que são muitos. Mas o milagre aconteceu.

Torcedores mandando um presente de grego para Drogba

Cheguei em Fortaleza na madrugada de segunda-feira, fiquei em um apart hotel, e a animação por ter conseguido chegar era tanta que nem fui direto pra cama: aproveitei pra lavar minhas roupas, após 10 dias de estrada (aérea).

O jogo de terça à noite marcaria o início de minha participação na rodada decisiva da primeira fase, depois de 3 jogos da primeira rodada e 3 da segunda. Em campo, Grécia e Costa do Marfim brigariam pela segunda vaga de um grupo em que a Colômbia fez água. De olho no resultado do Japão contra essa mesma Colômbia, as seleções vibravam com a possibilidade de avançar a uma inédita oitava-de-final de Copa do Mundo e, ainda mais, inédita quarta-de-final, vez que teriam pela frente, a surpreendente Costa Rica, sem muita tradição.

Ambas as equipes tiveram diversas chances

Ao contrário do sofrimento que passei na Copa das Confederações, quando até em garupa de bicicleta andei, sob um sol de quase 40 graus, a chegada ao Castelão foi bem tranquila desta vez, pegando um ônibus na avenida de trás do Hotel, sem pagar nada! Presente da prefeitura local aos torcedores. O busão ainda furou o bloqueio FIFA, deixando os passageiros pertinho do belíssimo estádio.

Em campo, marfinenses calçaram seu mais confortável salto 15 e, à medida que o placar anunciava mais um passeio dos colombianos, sabiam que o empate os favorecia.  A Grécia, uma das seleções mais mentirosas da história do futebol mundial, abriu o placar com Samaris, pouco depois de ter substituído seu goleiro, que saiu de campo machucado.

Os africanos, mesmo em desvantagem, tocavam a bola como quem tem a certeza de que pode fazer o que quer, à hora que quiser. E sua confiança aumentou quando Bony empatou a peleja.

Os deuses do Olimpo, porém, não aceitariam a postura dos elefantes e castigariam uma das mais fortes seleções da África Negra a disputar Copa do Mundo. Já nos acréscimos do segundo tempo, os gregos tiveram um pênalti a seu favor e Samaras (da dupla Samaris e Samaras) não perdeu a oportunidade de decretar a vitória helênica. Infelizmente, na dúvida entre fazer uma foto para meu blog, ou um filme para o registro histórico, perdi o gol e fiquei com a comemoração:

Comemoração do gol da classificação dos gregos

O que se viu em Fortaleza foi uma explosão dentro e fora de campo, com jogadores se abraçando e torcedores fanáticos entoando o cântico mais legal dessa Copa. Apesar de cantado em grego, era seguido pelos brasileiros presentes, que encontravam semelhança de alguns sons com palavras da última flor do lácio e repetiam em coro, “demoro, demorô”.

Os versos, em verdade, fazem referência ao campeonato europeu de 2004, conquistado pelos gregos em Portugal, diante dos donos da casa, de forma mais que surpreendente e significam algo como “levantei essa ‘porra’ de troféu, mal posso esperar (pra levantá-lo de novo)”.

σηκοσε το το γαμιμενο δεν μπορω δεν μπορω να περιμενω

Os gregos poderiam ter ido mais longe, vez que parados nas quartas pelos costa-riquenhos, nos pênaltis.

Mas cada seleção sabe de seu potencial, e tem seu objetivo específico. Naquela noite de terça-feira, a Grécia conquistou sua Copa do Mundo, de forma incontestável.


* Estevan Tadeu Azevedo Mazzuia, 37 anos, é servidor público estadual, mora em Santos e torce para o Corinthians. Estevan é um dos membros do Blog JogosPerdidos.
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