terça-feira, 2 de junho de 2015

Cuba, a grande surpresa da Copa de 1938

Troca de flâmulas entre cubanos e romenos na estreia da Copa de 1938

Marcando o amistoso histórico entre a seleção cubana e o New York Cosmos, que será realizado hoje em Havana, às 18h30, no horário de Brasília, com transmissão pela ESPN, O Curioso do Futebol vai destrinchar o maior feito da história do futebol de Cuba: sua participação na Copa do Mundo de 1938, na França.

A primeira partida oficial em Cuba aconteceu apenas em 1911, quando o Rovers venceu o Hatuey por 1 a 0, no campo do Parque Paladino, no centro de Havana. A primeira partida da seleção aconteceu apenas em 1930, uma vitória contra a Jamaica por 3 a 1. Cuba tentou ir para a Copa de 1934, eliminando o Haiti na primeira fase, mas perdendo a vaga para o México após três derrotas.

Mas antes dos “heróis de 1938”, Cuba teve glórias num dos clubes mais poderosos do mundo. Desde os irmãos Giral, no início do século passado, até o fim da década de 1940, oito cubanos atuaram no Real Madrid. O de maior destaque foi o meia Jesus Alonso Fernández. Em sete anos, ele atuou 160 vezes e marcou 68 gols. Chus, como era chamado, também jogou pela seleção espanhola na época.

Delegação cubana na Copa de 1938

Mas para a Copa de 1938, Cuba não precisou fazer nenhuma partida das Eliminatórias para conseguir a vaga no principal campeonato de futebol do planeta, o que era muito comum nos primeiros mundiais. Como exemplo, o Brasil só foi fazer seu primeiro jogo classificatório para um Mundial em 1953. Com as desistências de Colômbia, Costa Rica, Guiana Holandesa (atual Suriname), El Salvador, México e Estados Unidos, o único time que continuou no Grupo 11 das classificatórias do mundial foi o maior país em extensão territorial do mar do Caribe.

Para a Copa do Mundo, o técnico José Tapia convocou os goleiros Juan Ayra e Benito Carvajales (o jogador mais conhecido entre os convocados); os defensores Jacinto Barquín e Manuel Chorens; os meias Joaquín Arias, José Antonio Rodríguez e Pedro Berges; e os atacantes Juan Alonzo, Tomás Fernández, Pedro Ferrer, José Magriñá, Carlos Oliveira, Héctor Socorro, Mario Sosa         e Juan Tuñas. Assim estava formada a Seleção Cubana para a Copa de 1938.

A expectativa pela estreia era grande, já que Cuba era o primeiro país da América Central e Caribe a disputar um Mundial. No dia 5 de junho de 1938, o Stade Chapou, em Toulouse, recebia em seu gramado as seleções de Cuba e Romênia.

Lance de Cuba e Romênia

O jogo foi bastante disputado. Ao 35 minutos, Bindea abriu o placar para os romenos. Os cubanos não se abateram e buscaram o empate no finalzinho do primeiro tempo, Socorro. Na segunda etapa, Cuba voltou melhor e pressionou os romenos até conseguir a virada, Magriñá, aos 24 minutos. Quando os cubanos pensavam que iriam conseguir a vitória, Barátky marcou a dois minutos do fim, levando a partida para a prorrogação.

Cuba continuou em cima dos romenos e Socorro, novamente, marcou aos 13 do primeiro tempo da prorrogação. Mas o time da Romênia era guerreiro e empatou novamente, dois minutos depois, com Dobay. Com o fim do tempo extra e o empate persistindo, foi necessário marcar um jogo desempate.

E 48 horas depois, no mesmo local, Cuba e Romênia entraram em campo novamente. No primeiro tempo, a Romênia foi melhor e conseguiu marcar com Dobay, aos 35 minutos. O placar só não foi ampliado devido à fantástica atuação do goleiro Carvajales. No segundo tempo, a sorte mudou de lado e os cubanos dominaram a partida. Socorro, aos 16, e Fernández, aos 22, viraram o jogo e garantiram a primeira vitória de Cuba e de uma seleção do Caribe em Copas do Mundo.

Cubanos perfilados antes da partida

No dia 12 de junho, Cuba entrava no campo do Stade du Fort Carré, em Antibes, contra a Suécia, pelas quartas de final do Mundial. Apesar da empolgação por ter passado pela primeira fase, Cuba não viu a cor da bola nessa partida. Andersson (9 do primeiro, 36 e 45 do Segundo), Wetterström (32, 37 e 44 do primeiro), Keller (35 do segundo) e Nyberg (39 do segundo tempo) fizeram Suécia 8, Cuba 0.

Apesar da goleada, o feito de Cuba naquele Mundial não foi apagado. Foi a primeira vez que uma seleção da hoje Concacaf tinha vencido uma seleção europeia. É, até hoje, o maior feito do futebol cubano, já que a seleção nunca mais conseguiu classificação para outra Copa do Mundo.
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