sábado, 20 de junho de 2015

Costa Rica 1 x 0 Itália - Um dia muito importante para mim, mesmo com a derrota

O gol da Costa Rica

* por Luigi Di Vaio

A história que segue foi uma daquelas que dificilmente achei que iria acontecer. Uma grata surpresa e um dia inesquecível - teria sido melhor se a Azzurra tivesse vencido a até então inexpressiva Costa Rica.

O primeiro ato da minha pessoal história de Copa começou em um dia que estava quase com febre. Pintou uma festa. Quase não fui. Fui pela insistência de um amigo. Vamo lá, lugar legal, gente bonita etc.

A festa se falava muito da Copa. O torneio já tinha começado. Eis que, de repente, ouço: "Italiano, sobrou um ingresso pro jogo da Itália? Quer ir?". Bom, já tinha tomado umas cervejas e achei que era sarro de quem fez a proposta. "Claro!", respondi, desdenhando. "Só tem um probleminha...", informou o autor da proposta.

A Costa Rica surpreendeu mais uma vez

"Lá vem", pensei. "Tava bom demais pra ser verdade"... Eis que segue a explicação do "probleminha". O convite incluia tudo: desde ônibus de Santos até o aeroporto, as passagens aéreas, ônibus lá em Recife...Tudo. Lindo e maravilhoso, né? Sim. Não fosse um detalhe: eu iria entre convidados da Costa Rica. Familiares dos jogadores e autoridades. Com o efeito do álcool confundindo meus pensamentos, topei. Claro. "Vou de intruso".

Foi difícil dormir naquela noite. Como iria? Sem camisa alguma da Azzura ou com ela debaixo de outra? 

Peguei o ingresso em uma tarde de Sexta-feira 13. De noite, como não tinha contado a quase ninguém, tive de sair. Queria contar pra uma pessoa de confiança. Sobrou pra uma ex-namorada. Ela também queria ir. Adora Copa do Mundo.

A pedra no sapato era que o jogo seria em uma sexta-feira, dia de trabalho. E agora? “Chefe, posso folgar na sexta?”. “Pra ver o jogo da Itália com a família em casa, né?”. “Chefe, juro que não é pra ver o jogo da Itália em casa. Não é isso. Juro”. Não menti. Não veria o jogo em casa. Não faltei com a verdade perante minha superiora.

Passo seguinte foi definir a estratégia da ida na viagem. O meu ônibus sairia às 3h30 de um hotel no Gonzaga. Segui meu plano: beber até umas 2 horas, em um conhecido bar, ir para casa, tomar banho e chegar ao hotel.

Deu tudo certo. Até eu entrar no ônibus. Fui o último. Vi quase todos com uniforme da Costa Rica. Dei meu nome a quem estava com a lista. "Luigi Di Vaio? Italiano?", perguntou o responsável pelo grupo, enquanto já tomava uma vaia. "Não. Imagina. Brasileiro", respondi, negando minha nacionalidade por questão de segurança.

'Ticos' comemoram a vitória

O ônibus chegou a Guarulhos e eu não consegui me enturmar. O que fazer? Cerveja pra passar o tempo. Entro no avião e tomo outra lata, no café da manhã.

Chegamos em Recife no fim da manhã. Entramos em um daqueles ônibus estilizados. No trajeto, pessoal acenando. Me senti um pop star...Se eu não acenasse, iriam desconfiar. Lembro que pouco antes de chegar ao estádio, coloquei no meu celular um vídeo "Nu juorno buono (Um dia bom)", do rapper napolitano Rocco Hunt. Era pra entrar ainda mais no clima. Muita emoção quando o ônibus parou.

Entrando no estádio, pura festa. Tipo rave. Música alta, bebida, belas mulheres. E um monte de gente fantasiada.

Descobri que não precisava ficar na torcida da Costa Rica. Me enfiei entre os 'tifosi' da Azzura e, antes de começar o jogo, vi o Lorenzo Insigne (napolitano, como eu, e que joga no Napoli, meu time) aquecer, tocando bola com outros jogadores. Hora da presepada. Não podia faltar. Me aproximei, fui lá na frente e comecei a gritar: "Lorenzo, Lorenzo". E não é que ele se virou pra ver quem era o desmiolado que tava gritando o nome dele?

Do jogo em si, lembro que fomos bem mal. Lembro de um lance do Balotelli perto da área, mas nada muito inspirador. Das lembranças, o sentimento de festa de jogo de Copa. Mas o gol da Costa Rica em Buffon foi apenas mais um capítulo deste triste momento do calcio italiano. Que esse momento mude rápido. Que seja, nas palavras de Rocco Hunt, 'nu jorno buono'.


* Luigi Di Vaio, 42 anos, é repórter e colunista do jornal Diário do Litoral, nasceu em Nápoles, na Itália, mas mora em Santos-SP atualmente e torce para o Napoli.
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