quinta-feira, 21 de maio de 2015

Boavista: o segundo e último a quebrar a escrita

O histórico time campeão em 2001

Ontem falamos sobre o time do Belenenses de 1946, o primeiro clube português a vencer a liga fora os três grandes lusitanos: Benfica, Porto e Sporting. Hoje, o tema é sobre a segunda e, até agora, última equipe a quebrar esta escrita, o Boavista Futebol Clube na temporada 2000/2001.

O Boavista foi fundado na no Porto em 1903 por jovens portugueses e ingleses e cresceu sendo a segunda equipe da cidade. O clube da camisa xadrez foi o primeiro em Portugal a se profissionalizar, mas sempre ficou à sombra do FC do Porto, a grande equipe local.

Um grande momento para o Boavista aconteceu na década de 70, quando a equipe se firmou na primeira divisão. Foi nesta época em que o clube, dentro de campo começou a ser uma pedra no sapato dos três grandes portugueses, pois conseguiu o vice-campeonato na temporada 1975/76, dois pontos atrás do Benfica. Além disso, nos anos de 1975, 76 e 79, o Boavista conquistou a Taça de Portugal.

O clube teve uma queda de desempenho na década de 80, mas logo voltou a incomodar o trio de ferro nos anos 90, conseguindo três terceiros lugares no Campeonato Português. Mas o grande momento viria mesmo a partir da temporada 1995/96, com uma nova conquista da Taça de Portugal.

A bela taça

Os Panteras eliminaram Sporting e Benfica na campanha vitoriosa. Na decisão contra os benfiquistas, valeu a qualidade do craque daquele time: Erwin ‘Platini’ Sánchez. O meia boliviano marcou dois gols e, depois de cinco anos estrelando os alvinegros, acabou contratado justamente pelo Benfica na temporada seguinte.

O título, porém, levou ao desmanche na temporada seguinte.  O elenco perdeu seus principais destaques ofensivos. Além de Sánchez, também foram vendidos Hasselbaink, e Nuno Gomes, seu principal parceiro no ataque, autor de 15 tentos. E o impacto nos resultados foi evidente. Os axadrezados fizeram um primeiro turno horrível na liga, fechando a metade inicial da campanha em 13º e flertando com o rebaixamento.

O insucesso abriu as portas para a mudança. Jaime Pacheco foi contratado como técnico do Boavista em dezembro de 1997. Meio-campista da seleção portuguesa e campeão europeu pelo Porto em 1987, o veterano tinha começado sua carreira como treinador quando ainda atuava.

A partir de 1998, os resultados do Boavista em campo melhoraram exponencialmente. Sob as ordens de Pacheco, os axadrezados venceram 13 de seus últimos 20 jogos pelo Campeonato Português. Na temporada seguinte, mesmo oito pontos atrás do Porto, o Boavista foi vice, chegando até a liderar por três rodadas. Em 1999/2000, o título passou longe.

Capa do jornal A Bola

Um passo importante para o Boavista em 2000/01 foi a conclusão das obras de infraestrutura nas quais o clube tinha investido nos anos anteriores. O dinheiro da venda dos destaques do time tinham sido destinados para cobrir a construção de um moderno centro de treinamentos. O complexo esportivo do Bessa foi inaugurado em agosto de 2000, contando também com um estádio e um centro comercial para gerar lucros.

O dirigente cumpriu a promessa, mas mantendo a diretriz de observar muito bem o mercado, sem gastar muito nas transferências. Sobretudo, buscando jogadores brasileiros pouco conhecidos por aqui, tática que se tornou praxe entre as equipes médias portuguesas. Naquela temporada, chegaram aos Panteras nomes essenciais para terminar de formar o elenco campeão e também para repor algumas perdas.

O Boavista demorou um pouco a demonstrar que realmente poderia ficar com a taça do Portuguesão em 2000/01. Nas 11 primeiras rodadas, o líder foi o Porto. E foi justamente vencendo o dérbi municipal que o Boavista conseguiu se alçar ao primeiro lugar. Martelinho marcou o gol decisivo no Estádio do Bessa. Já na rodada seguinte, a derrota dos portistas no clássico contra o Benfica deixou os axadrezados com quatro pontos de vantagem na primeira rodada do segundo turno. A partir daquele momento, ninguém mais conseguiria tirá-los do topo.

O técnico Jaime Pacheco

Até a confirmação do título, o Boavista só perderia para o Braga. A equipe de Jaime Pacheco segurou o 0 a 0 no reencontro com o Benfica, em Lisboa. Já contra o Sporting, Martelinho se consagraria como autor de gols decisivos, garantindo a vitória por 1 a 0 no Bessa aos 44 do segundo tempo. Na penúltima rodada, uma antes da visita ao Porto no Estádio das Antes, os Panteras lideravam com quatro pontos de vantagem.

Precisariam vencer em casa o já rebaixado Desportivo Aves para evitar a “decisão” na casa dos adversários. Sem maiores problemas: 3 a 0 para os alvinegros, com Elpídio Silva e Wheliton decidindo. Com a faixa no peito, o Boavista foi goleado por 4 a 0 pelo Porto. Um tropeço que não servia mais para derrubar o time da liderança, com dois pontos de vantagem.

O Boavista não conseguiu manter o bom elenco por muito tempo. A sangria definitiva no elenco aconteceu em 2004. Desde então, o Boavista não foi além do sexto lugar no Campeonato Português. E as desgraças se acumulavam fora de campo.

Valentim Loureiro foi um dos implicados pelo escândalo do Apito de Ouro, condenado a quatro anos de prisão. Por tentar coagir e subornar árbitros na temporada de 2003/04, o Boavista foi rebaixado à segunda divisão em 2007/08. Praticamente falido, o clube ainda cairia à terceirona no ano seguinte. E o retorno à elite só foi conquistado na justiça, logo após terem conquistado o acesso à segunda divisão na temporada passada.

Porém, o que aconteceu na temporada de 2000/2001 foi um marco no futebol português. A última vez, até o momento, em que um time foi campeão português fora os três grandes.

* Com informações do site www.trivela.com.br
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4 comentários:

  1. O futebol Português acaba sendo realmente monopolizado pelos três maiores vencedores, esse time até hoje esta na memória e corações de muitos dos admiradores do futebol. É uma das camisas inclusive que eu busco até hoje para minha coleção. Um feito histórico até hoje, um grande feito. É uma pena que o clube tenha se desorganizado tanto depois da conquista, caiu e passou grandes apuros.

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  2. Camisa linda!
    Pena que a declaração do jogador no jornal não foi adiante... "Este título poderá modificar muita coisa no futebol português"

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    1. Uma pena mesmo que não foi, na realidade no ano seguinte tudo continuou como era e o clube teve uma queda absurda. Para o futebol ficou a mesma coisa e para o clube piorou e muito. uma pena. é uma camisa linda mesmo;

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  3. Não conhecia essa história, ótima escrita!

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