segunda-feira, 13 de abril de 2015

Pita: um craque de Cubatão para o mundo

Pita com a camisa do EC Jardim Casqueiro

Ser ídolo de um time grande não é fácil. Em dois, e ainda rivais, é mais difícil ainda. Porém, o fluminense radicado em Cubatão Edivaldo Oliveira Chaves, o Pita, conseguiu esta façanha ao defender as camisas de Santos e São Paulo, marcando para sempre sua história no futebol.

Pita nasceu em Nilópolis no dia 4 de agosto de 1958 e, ainda pequeno, veio com seus pais para Cubatão, se instalando no Jardim Casqueiro. Foi nos campos dos times do bairro, o Vila Bandeirantes e Jardim Casqueiro, que Pita começou a jogar futebol e logo chamou a atenção de todos, pela boa visão de jogo e a facilidade com que batia na bola com o pé esquerdo.

Com 13 anos, Pita foi convidado para disputar um campeonato de futebol na praia, em Santos. Olheiros da Portuguesa Santista o viram e trataram de leva-lo para jogar pelo clube de Ulrico Mursa. Nas equipes amadoras da Briosa, Pita se destacava por sua categoria no meio de campo e, com a ajuda dos companheiros, fez do time rubro verde um dos melhores nas categorias de base no meio da década de 70.

Dois anos depois, dirigentes do futebol amador do Santos FC o levaram para o time juvenil do clube. Em 1977, Pita subiu para os profissionais e faria história no Peixe, se transformando no primeiro camisa 10 do clube a fazer sucesso depois de Pelé.

Pita no Santos

Para o Campeonato Paulista de 1978, o Santos contratou Chico Formiga, ex-zagueiro do próprio clube, para treinador. Ao verificar o elenco de profissionais, Formiga foi até os dirigentes e disse: “este time é muito fraco. Ou contratamos outros jogadores ou vamos com os meninos”. Sem dinheiro, a resposta dos dirigentes foi categórica: “então prepare os meninos”. E assim nascia a primeira geração dos Meninos da Vila.

Até aquele momento, Pita não tinha se firmado como titular da equipe. Mas ao lado de outros garotos como João Paulo, Juary e Nilton Batata, o meia tornou-se o maestro da equipe que acabou conquistando o título paulista da temporada, o primeiro após a era Pelé.

Nas outras temporadas, Pita se firmou como o grande craque santista, sendo muito importante nos vice-campeonatos Paulista, em 1980, e Brasileiro, em 1983. Pita também conquistou duas Bolas de Prata da Placar (1982 e 1983), considerado por muitos o melhor prêmio para atletas do futebol brasileiro.

Em 1984, a diretoria do Santos recebeu uma proposta do São Paulo pelo meia e aceitou. Pita foi para o Tricolor em troca de Zé Sérgio e Humberto. A negociação, por incrível que pareça, foi boa para todos. Os jogadores que foram para o Peixe formaram a base do time campeão paulista daquele ano. Já Pita continuou fazendo sucesso na capital paulista.

No Tricolor Paulista, Pita fez parte do time que era conhecido como os 'Menudos do Morumbi', junto com Müller, Sila Sidney e Careca, e conquistou o Campeonato Paulista de 1985 e o segundo título nacional do tricolor, no ano seguinte. Apesar de todo o sucesso, o meia entrou em discussão com o técnico Cilinho e quase deixou o clube, permanecendo por interferência da diretoria. Em 1987, conseguiria novamente o Campeonato Paulista, sendo festejado e reconhecido como craque também pela torcida.

Falta para Pita era meio gol

Mas o período de glórias no São Paulo não foi tão longo assim: durou apenas quatro anos. Em 1988, Pita foi vendido ao Racing Strasbourg por US$ 1 milhão. Depois de rápida passagem pelo clube francês, Pita voltou ao Brasil para defender o Guarani. Em ambos clubes, Pita não teve o sucesso anterior.

Já em final de carreira, Pita decidiu encarar um novo desafio. Foi para o Japão, em 1991, ajudando o desenvolvimento do futebol no país do sol nascente. Primeiramente, Pita jogou por dois anos no time da Fujita, que com a chegada do profissionalismo virou Shanon Bellmare (defendido anos depois pelo também cubatense Adiel). No último ano no oriente, Pita defendeu o Nagoya Grampus.

Em 1994, a Internacional de Limeira resolveu apostar em Pita para comandar o meio de campo do time. Foi o último clube do jogador em sua carreira. No ano seguinte, em 26 de janeiro, aniversário de Santos, um amistoso entre a Briosa e o Peixe, em Ulrico Mursa, marcou a despedida oficial de Pita dos campos. O atleta jogou cerca de 20 minutos por cada equipe.

Pita não teve muitas chances na Seleção Brasileira. Entre 1980 e 1987, ele jogou 12 jogos com a camisa amarela. Mesmo assim, foi campeão nos Jogos Panamericanos de 1987. Muitos são da opinião de que Pita teria vaga entre os 22 jogadores que foram para a Copa de 1982, na Espanha, mas Telê Santana não seguia esta tese.

Pita não abandonou o futebol ao fim da carreira. Ele trabalhou com a base em diversos clubes, como Desportivo Brasil, São Bento, Ituano e São Paulo. Neste último, Pita foi um dos responsáveis em formar a geração que contou com Julio Batista, Fabio Simplício, Kléber Gladiador e Kaká. Há relatos que, ao observar um treino dos reservas da base, Kaká fez uma jogada que fez com que Pita comentasse com os titulares do time que “Ali está o novo Raí do São Paulo”. Em meio a risadas, Pita manteve o semblante e a convicção.

Pita, até pouco tempo atrás, manteve uma escolinha de futebol no seu bairro de origem, o Jardim Casqueiro, e muitas vezes batia uma bola com amigos no campo de society do local. Além disso, é comum encontrá-lo na Banca do Ivo, no Centro de Cubatão.

Pita, com certeza, foi o jogador de maior sucesso que surgiu na cidade e, inclusive, um dos centros esportivos leva seu nome, localizado na Vila Nova. Inclusive, em uma participação no Bate Bola da ESPN Brasil, ao falarem que ele nasceu no Rio, Pita fez questão de falar: "mas fui pequeno para Cubatão e morei no Jardim Casqueiro".

* Foto do Pita com a camisa do EC Jardim Casqueiro do acervo de Arlindo Ferreira.
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Um comentário:

  1. Grande Pita!
    Que nossa cidade possa revelar mais talentos de grande expressão como ele!

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